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Língua Afiada

Bruno de Carvalho e o Sporting

Todos temos simpatias e antipatias naturais, Bruno de Carvalho nunca me despertou simpatia, fosse pelo discurso, pela voz, pelas expressões, a minha opinião sobre o Presidente do Sporting nunca foi positiva.

Não sou sportinguista, mas sempre simpatizei com o clube, talvez por terem como símbolo um leão, talvez porque nunca incomodaram ou assediaram os portistas, sempre vi o Sporting como um clube amigável, como uma grande escola de jogadores portugueses, trabalho louvável e necessário que muitas vezes prejudicou resultou imediatos.

A promessa que Bruno Carvalho fez de tornar o clube grande não se cumpriu e a continuar com a mesma postura nunca se cumprirá.

 

Não quero acreditar que Bruno de Carvalho tenha sido o mandante do crime hediondo que aconteceu no centro de estágios de Alcochete, acusá-lo de autor moral pode também ser excessivo, embora a raiva e fúria estejam bem patentes em muitas das suas declarações e sabemos que as palavras tem um forte poder, mas a forma como lidou com a situação não foi digna de uma pessoa solidária e preocupada, de um presidente que tem a responsabilidade de zelar pela sua casa.

Minimizar por palavras, relativizar os acontecimentos não é apenas mau para quem os vivenciou como não se coaduna de todo com a postura de Bruno de Carvalho, o mesmo presidente que por ter recebido palavras mais duras comunicou que vai mover um processo contra o Presidente da Assembleia da República, comentadores e jornalistas por o terem "difamado e caluniado".

 

Esta dualidade de critérios, esta postura contraditória mais do que despertar suspeitas, faz-nos crer que Bruno de Carvalho não defende da mesma forma aguerrida os seus jogadores e equipa técnica, sendo altamente efusivo e defensivo quando o próprio se encontra envolvido e sendo passivo e brando quando não está.

Espero que a investigação do ataque e todas as outras investigações ao Sporting Clube de Portugal decorram com normalidade e se apure a verdade.

Esta situação não é só má para o Sporting, é má para o futebol, é má para Portugal, não é uma mancha num clube, é uma mancha no desporto e no país. É uma vergonha e um ato lastimável.

Fogo-de-artifício regressa à Eurovisão

Do primeiro lugar para o último foi assim a trajetória de Portugal na Eurovisão, nem o facto de sermos o país anfitrião fez com que os júris e públicos dos diversos países dessem votos de simpatia a Portugal.

Não se pode dizer que tenha sido um choque, já estamos habituados a este cenário e a organização e apresentação do festival foi tão boa e elogiada que a música portuguesa a concurso foi relegada para segundo plano.

Seria a música tão má que merecesse ficar em último? Claro que não, a música até é bem melhor que a música vencedora, essa sim nem lugar deveria ter na final, mas o público é que manda e fez dela a vencedora.

 

O que correu mal a Cláudia e a Isaura?

A performance e a interpretação, não é preciso fogo-de-artifício mas é necessário dar corpo, volume, intensidade, cadência à música, O Jardim não soube cultivar as flores, faltou que fosse regado para florescer e captar a atenção, faltou a magia que a música Amar pelos Dois teve que fez com que chegasse a todos os corações, O Jardim bateu à porta mas não entrou e foi facilmente esquecido. A música é bonita, mas carece de intensidade e paixão para ser marcante.

 

Este ano a ausência de ecrãs fez com que os intérpretes tivessem performances diferentes do habitual, assistimos a um pouco de tudo desde uma apresentação teatral da Moldávia aos verdadeiros e fantásticos vídeo-clips do Chipre e da Suécia.

As músicas na sua generalidade não eram más, gostei de várias, o que não costuma acontecer, isso traduziu-se nos votos com uma votação imprópria para cardíacos, muito diferente da votação de 2017 onde os irmãos Sobral ganharam em todas as frentes.

 

Confesso que quando se começaram a alinhar os favoritos estava a torcer pela Suécia, quando a Suécia começou a perder terreno comecei a acreditar que a Áustria podia ser a grande vencedora, já quando só restavam dois concorrentes fiz figas pelo Chipre, uma vez que acho a canção de Israel horrível.

Ganhou Israel, que desilusão.

 

Não entendi os agradecimentos da cantora, diversidade? Mensagem? Não acho a música nem inclusiva, nem com uma mensagem forte, nem sequer pode ser considerada uma música feminista, quando recorre a tantos estereótipos, Barbie? A sério? Não havia necessidade.

A música até pode ser um hit, mas é completamente descartável, como tantas outras que já animaram os nossos verões e depois se esquecem sem deixarem saudades.

Nem a interpretação ou a voz de Netta fazem dela merecedora do microfone de cristal, a concorrente do Chipre, embora a música não fosse das melhores, teve uma interpretação fantástica onde demonstrou ter uma bela voz e uma energia ao nível de um artista de topo cantando enquanto executava uma complicada e milimétrica coreografia.

A vitória de Israel na minha opinião foi altamente injusta.

 

Não pude deixar de me lembrar ao longo do programa de Diogo Piçarra, em primeiro lugar porque acho que representaria muito melhor Portugal, em segundo lugar porque foram tantas, mas tantas as músicas que soavam familiares, não tive ainda tempo para fazer comparações mas que existiram muitas músicas demasiado inspiradas em outras não tenho dúvidas.

 

Quanto à suposta mensagem da música Toy, a música é mesmo isso um brinquedo para uma piada de muito mau gosto, têm dúvidas? Deixo-vos a tradução.

Brinquedo by Netta Barzilai

Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá

Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá
Ri, outch, hey, hm, lá

Olha para mim, sou uma criatura linda
Não me importo com a tua pregação moderna
Sejam bem-vindo meninos, barulho de mais, vou ensinar-lhes
Pám pám pá hu, turrám pám pá hu

Ei, acho que te esqueceste de como jogar
O meu urso de peluche está a fugir
A Barbie tem algo a dizer
Hey

Ei! O meu rei manda que me deixes em paz
Levo o meu Pikachu para casa
És estúpido, como o teu smartphone

Mulher Maravilha, nunca te esqueças
De que és divina e ele está prestes a arrepender-se
É um rapaz có-có-có-có, có-có-có-có
Có-có-có-có, có-có-có-có
Não sou o teu có-có-có-có, có-có-có-có

Não sou o teu brinquedo (o teu brinquedo, não)
Rapaz estúpido (rapaz estúpido)
Agora vou derrubar-te, fazer-te assistir
A dançar com as minhas bonecas ao ritmo do c...alho
Não sou o teu brinquedo (cululi, cululu)

Nã-nã-nã-não sou boneca
Nã-nã-nã-não sou boneca

(Cululi, cululu) Sinos de casamento a tocar
(Cululi, cululu) Homens do dinheiro bling-bling
Não me importo com o teu dinheiro, rapaz
Pám pám pá hu, turrám pám pá hu

Mulher Maravilha, nunca te esqueças
De que és divina e ele está prestes a arrepender-se
É um rapaz có-có-có-có, có-có-có-có
Có-có-có-có, có-có-có-có
Não sou o teu có-có-có-có, có-có-có-có

“Tu avanças sempre e não recuas” ???

É o mote do almoço se realizará num restaurante no Parque das Nações com um custo de 20 euros por pessoa para apoiar José Sócrates. Dizem são esperadas entre 200 a 300 pessoas.

Será descaramento, vergonha de admitir o erro, cegueira ou simplesmente teimosia que leva alguns militantes do PS a continuarem a defender José Sócrates?

 

Independentemente dos motivos é uma idiotice, uma tremenda falta de bom senso não se demarcarem da pessoa tóxica que é José Sócrates quando o próprio PS admitiu que a confirmarem-se as suspeitas será uma vergonha.

Vergonhosa é a tardia resposta do partido a este imbróglio de corrupção com proporções épicas, indícios não faltaram, desde peças jornalísticas a investigações, culminando com o faustoso estilo de vida do antigo Primeiro-Ministro sem justificação possível.

 

A resposta ao rol de acusações foi sempre a mesma, a cabala, a teoria da conspiração, o ataque pessoal.

No seu narcisismo José Sócrates deve ter mesmo acreditado, talvez ainda acredite, que todo o mundo estava contra ele e ele seria o único a estar certo e que seria imune a qualquer escrutínio, esperando que no final ainda fosse visto como um herói, levado a braços por uma imensa multidão e quem sabe elevado a mártir, um santo incompreendido.

 

José Sócrates é um sociopata, tem um elevado poder persuasivo e um charme postiço, mas ainda há quem acredite na sua inocência? Isso explica muita coisa deste país, é um exemplo do quão mansos são os portugueses, tão mansos que justificam os erros de uns com os erros dos outros, metendo todos os políticos no mesmo saco, encolhendo os ombros e seguindo a sua vida como se não fosse nada com eles.

 

Enquanto não exigirmos Justiça nada mudará, fosse noutro país estaríamos a assistir a manifestações a exigir uma rápida resolução do processo, em Portugal organizam-se almoços em defesa do que há muito é indefensável.

A estupidez é tanta, perdoem-me a expressão, mas só uma pessoa estúpida pode defender José Sócrates a não ser que seja na qualidade de advogado de defesa, nem a desculpa partidária tem validade, se é que alguma vez teve, não se trata de ser de esquerda ou de direita, trata-se de Justiça e de defender o que é certo, trata-se de punir e condenar veemente e sem equívoco a corrupção, só assim este país poderá evoluir.

 

Que se faça deste caso um exemplo para que políticos e respetivos comparsas dos mais diversos quadrantes tenham consciência que os seus anos de impunidade, de conspurcação da Constituição, da Democracia, da Liberdade terminaram. Só assim Portugal se livrará passo a passo desta gentalha que usa o poder a bel-prazer e benefício como reis e senhores, julgando-se acima de tudo e de todos.

Esperemos que este seja o primeiro passo para acabar com a corrupção ao mais alto nível nas mais altas instâncias, afinal como diz o ditado “É de cima que vem o exemplo.”