Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

As unhas da deputada

unhas deputada PS.jpg

 Foto: REUTERS/Rafael Marchante

 

A Assembleia de República Portuguesa é palco dos cenários mais inusitados, teatro é o mais comum, discussões bairristas também são normais, imitação de animais também aparecem ocasionalmente, sala de conferências para o exterior, biblioteca e café são outras das suas “funções”, salão de beleza até quanto sei é novidade.

Não venham com a desculpa que ela consegue ouvir o debate enquanto pinta as unhas, é claro que consegue, mas não são as suas competências multitasking que estão em causa é mesmo o seu profissionalismo e educação.

Os deputados estão a decidir nada mais, nada menos do que o Orçamento de Estado para o próximo ano e a senhora deputada Isabel Moreira acha de bom-tom e prudente estar a pintar as unhas enquanto o debate decorre, como se estivesse em casa no sofá a ouvir a Júlia Pinheiro a falar dos presentes ideais para este Natal.

 

Vejamos as seguintes situações.

Aluna pinta as unhas na sala de aula enquanto a professora passa a matéria.

Médica pinta as unhas enquanto ouve os sintomas do paciente.

Comercial pinta as unhas enquanto o diretor traça os objetivos para o ano.

 

Há alguém que no seu perfeito juízo defenda este tipo de comportamento? Parece que no caso da deputada sim, os fanáticos do PS em particular e os que desvalorizam tudo em geral.

 

Não é possível desculpar estes comportamentos, se o fizermos arriscamos a um circo ainda maior no parlamento, que nós sabemos que eles não se importam nada com o que se passa lá dentro, sabemos, agora nós não nos preocupar-nos também?

Rigor, profissionalismo, educação, saber estar, é o mínimo do mínimo exigível em qualquer profissão, ainda mais para aquela que é um dever, um privilégio e uma distinção que é participar nos desígnios de uma nação.

Infelizmente é este laxismo, despreocupação, incompetência e inutilidade que carateriza os nossos deputados, um grupo privilegiado que em vez de dar prestígio ao cargo que desempenha envergonha a função e diminui a sua importância ao ponto de ser mais pertinente pintar as unhas do que estar focada no debate.

Belo exemplo, um belo exemplo a não seguir.

Não é resistência à mudança, é resistência à regressão

Podem dourar a pílula, podem afirmar com factos comprovados que resulta, que faz a economia crescer, que era necessário cortar o mal pela raiz e mudar o panorama político, não me convencem.

Há muitas formas de mudança, nem sempre a mudança representa evolução per si, um corte com os partidos e políticos tradicionais não significa uma mudança positiva, significa apenas e só que o povo está cansado, exausto e aflito, precisamente nas condições ideais de ficar nas mãos dos lunáticos, dos populistas, dos ditadores.

Escudados pela loucura que se atribui e se desvaloriza nos génios, nos corajosos, nos arrojados, justificam-se ideias e ideais inconcebíveis, como se a prosperidade momentânea ou prometida anulasse as atrocidades veladas nos discursos carregados de ódio, racismo, misoginia e xenofobismo.

Não podemos ignorar a verborreia entalada nas promessas, esperando que só as medidas boas produzam frutos, muito menos podemos depositar esperanças nos restantes órgãos governativos para impedir que a democracia dê lugar uma ditadura.

Ao elegermos legitmamente um candidato a ditador, ao elegermos legitmamente um candidato fascista, ao elegermos legitmamente um candidato que acredita que não somos todos iguais, estamos a mandata-lo para instituir no país uma ditadura, um regime fascista e para destituir a liberdade e a igualdade.

Uma pessoa só não é perigosa, o perigo reside nas suas ideais, na sua propaganda ilusória e comprometedora, na sua agenda, nos planos que não divulga, nos cordelinhos que são mexidos em surdina nos bastidores.

Esperam-se tempos sombrios para o mundo, não é tempo de perigo para o Brasil, o perigo é global à medida que os ideais e a propaganda nacionalista e fascista penetram na mente das pessoas como sendo o único caminho para mudar a conjuntura.

O problema não reside no sistema, não há outro melhor que o democrático, o problema reside nas pessoas, nas manadas que são guiadas por quem as governa, as pessoas serão sempre o problema, mas mil vezes pessoas que acreditam e defendem a liberdade e a igualdade do que pessoas que querem amordaçar e distribuir a liberdade apenas por aqueles que consideram dignos.

Maria Begonha, que Vergonha!

Sinceramente não consigo entender como é que estes iluminados se metem nestas trapalhadas, se tentaram enganar as pessoas devem estar alienados das notícias que andam sempre a escrutinar currículos, se foi um engano, correção se foram três enganos, perdão, três gralhas, são gralhas muito convenientes e mais uma vez devem andar alienados para não as corrigirem, de qualquer das formas é uma vergonha, deixar sair uma candidatura com dados falsos ou errados seja por que motivo for é uma vergonha.

 

Primeiro erro - Data de nascimento - se era para a colocarem mais nova que lhe tirassem uns cinco anos, um ano para frente ou para trás não faz grande diferença a não ser que seja para cumprir os requisitos da candidatura.

Segundo erro – Presidente da Associação de Estudantes AE FCSH – Muito vantajoso para uma candidata à presidência de algo ter sido presidente anteriormente, só que nunca foi.

Terceiro erro - Mestrado em Ciência Política – mestrado que afinal não foi concluído, afinal a história não foi bem contada.

 

Se foi intencional esta menina já vai bem lançada na política, espera-lhe um futuro promissor na arte de enganar, se foi por incompetência espera-a também um futuro promissor no desleixo e inabilidade de ser rigorosa e criteriosa, requisitos para qualquer político que queira ser bem-sucedido em Portugal, até a imputar culpas para os outros a menina foi exímia, existe mesmo um futuro brilhante e promissor na carreira política de Maria Begonha.

 

Este é mais um caso entre tantos de trapalhadas políticas com embelezamento, estilo Photoshop, de um curriculum, uns retoques aqui, uns retoques acolá e facilita-se a vida e espera-se que ninguém se lembre de verificar.

Porque é que este caso é diferente dos outros? Não é, mas tem um significado diferente, significa que as novas gerações políticas não são diferentes das mais velhas e que a incompetência, artimanha, artifício e engano perpetuar-se-ão com elas, numa espécie de tradição.

 

Se há tradição que deve terminar em Portugal é a corrupção e a fraude política, em maior ou menor grau, não devem ser toleradas estas situações, o correto seria que esta menina nunca mais ter qualquer credibilidade política.

Há erros, intencionais ou não, que simplesmente não deveriam ser perdoados, especialmente no âmbito profissional, seja incompetência ou seja tentativa de falsear os dados, em ambos os casos o vaticínio ideal seria a erradicação da política, mas como estamos em Portugal o mais certo é cair no esquecimento e daqui a uns anos, se não antes vermos Maria Begonha bem instalada num cargo político.