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Língua Afiada

Passes mais baixos, mais uma piada.

Ainda bem que o Ministro do Ambiente já veio dizer que a medida a ser implementada será no país todo e não apenas em Lisboa e Porto, porque sinceramente seria uma tremenda injustiça e julgo até uma medida inconstitucional, mas a inconstitucionalidades só servem para proteger os interesses dos donos de Portugal.

Esta medida não é nada mais, nada menos do que pura campanha eleitoral, com os transportes públicos a rebentar pelas costuras e a prestar um péssimo serviço, querem enganar quem?

Falta investimento e acima de tudo falta uma gestão eficaz dos transportes, só com uma mudança na gestão se conseguirá ter preços interessantes e um serviço de qualidade, que atraia um maior número de utilizadores e retire carros e poluição às cidades.

Mas interessará aos municípios terem menos carros? Não creio, são uma excelente receita, não querem ver-se livres da galinha de ovos de oiro e é por isso que a grande revolução dos transportes passa por simplesmente baixar os preços a qualquer custo, o que significa mais impostos e nunca uma melhor gestão dos recursos.

Este país tem um grave problema de gestão, mas os políticos apenas se preocupam em gerir o seu próprio orçamento e para isso claro anunciam todas as medidas e mais algumas que lhes possam dar votos, por mais estapafúrdias que sejam.

Esta rentrée, que é uma parvoíce, até parece que o país parou, pelo andamento será muito fértil em medidas pouco eficazes em produzir resultados a longo prazo, mas muito eficazes na captação de votos.

Um povo inculto e desligado é muito fácil enganar, é dar-lhe umas migalhas, otimismo e sorrisos e está tudo bem.

E os que cá ficaram não têm direito a descontos?

António Costa é possivelmente a figura política mais cómica e mais ridícula que Portugal já teve ou alguma vez terá, o seu descaramento é descomunal e a forma como a sua insensibilidade é mascarada de simpatia é um real caso de estudo.

É surreal a sua Governação com base numa Geringonça desengonçada, débil, limitada, que quase por magia consegue sustentar para que seja possível manter-se no poder, sem a oposição real dos partidos mais reivindicativos BE e PCP e com a crise do PSD, Costa desgoverna alegremente este país, sendo que só Assunção Cristas lhe diz umas verdades que são de imediato ignoradas.

 

A sua sede de votos é tal que a propaganda política que faz é indecente, tudo vale para ganhar popularidade até anunciar medidas inconstitucionais e que promovem a desigualdade, recordo-me de Passos Coelho dizer aos jovens para emigrar, um escândalo, um ultraje, agora Costa manda os jovens regressar prometendo-lhe um desconto de 50% no IRS e ajudas nas despesas da viajem e de alojamento, como se isso fosse viável ou legal.

E os que cá ficaram a sustentar e a pagar a crise? Continuam com a carga fiscal mais pesada de sempre? Não há lugar a revolta aqui?

 

Os jovens não vão em cantigas e não irão regressar por lhe prometer uns doces, mas os saudosistas que têm os filhos e os netos emigrados aplaudem de pé a medida, na esperança de assim os seus descendentes terem a possibilidade de regressar a Portugal.

As papas e os bolos de Costa parecem alimentar este povo viciado em açúcar, um doce aqui, um rebuçado acolá, sorrisos, palmadinhas nas costas, uns números promissores que ninguém se importa em explicar e ninguém se importa em entender e o povo anda de barriga cheia de açúcar que sacia, mas não alimenta, que no curto prazo é saboroso, mas que a longo prazo se transforma em fel, mitiga o organismo, até que um dia é preciso administrar insulina da marca TROIKA.

 

É Agosto, até se atrasam comboios para a caravana do PS passar à frente quando a CP está caótica, mas falar disso não dá votos, o SNS está a ruir, há falta de médicos, enfermeiros e auxiliares, continuamos a pagar impostos elevadíssimos, continuamos a ganhar ordenados miseráveis, mas quem olha para António Costa e a sua comitiva parece que estamos a viver num país próspero, onde a crise é uma lembrança longínqua e o futuro é promissor.

Praticamente todos os dias nos dão conta de casos de corrupção, roubo, abuso de poder, o caso de Pedrógão é uma vergonha inqualificável, não existem adjetivos suficientemente maus para apelidar tamanho desaforo ao povo português, mas é Agosto, o povo apanha sol, banha-se nas águas, bebe umas cervejas, até o futebol regressou para entreter e tudo é levado pela água que passa debaixo da ponte.

 

Importante é discutir o ordenado da Cristina Ferreira, que goste-se ou não, não rouba ninguém, discutir a situação deste país e reivindicar um Estado mais justo, transparente, idóneo, honesto, íntegro e honrado que sirva os interesses do povo e não os de um punhado de privilegiados que comungam entre si para enriquecer ilicitamente não é importante, é um assunto aborrecido, demasiado sério que não dá para dar risadas e fazer piadas entre uma cerveja e outra.

 

Os que cá ficam não têm direito a nada, limitam-se a pagar o que o Estado define que devem pagar e como também não querem saber disso, continuam a ser espremidos ano após ano. No fundo têm o que merecem, porque quem dorme à sombra da bananeira sujeita-se a viver numa República das Bananas, onde as bananas são eles.

Com papas e bolos se enganam os tolos – Retrato da Nação

Tudo vai bem em Portugal, pelo menos é essa a mensagem que se passa, em tempo de tragédia até se divulgam boas notícias, o desemprego em Portugal no segundo trimestre de 2018 desceu para 6,7%.

Hasteiam-se bandeiras, deitam-se foguetes, a descida da taxa de desemprego é uma excelente notícia, mas falta perceber de onde veem estes números, que não estão corrigidos, por exemplo, de fatores sazonais, falta também perceber quantas são as pessoas que não se encontram inscritas no Centro de Emprego e quantas saíram do país deixando de contar para as estatísticas.

 

Falta perceber ainda quantas se encontram em cursos e formações e acima de tudo perceber que tipo de empregos se estão a criar. Portugal parece florescer mas à minha volta só ouço queixas de empregos mal remunerados, com condições precárias e imposições ridículas, onde à contestação a resposta é sempre a mesma – “Se não aceitares há quem aceite!”.

Uma negociação injusta com quem não tem outra solução se não sujeitar-se para conseguir ter dinheiro para comer e pagar as contas.

 

Há um pouco de tudo empresas que não pagam subsídios de férias, empresas que dão apenas 10 dias de férias, empresas que não pagam horas extras, não adianta denunciar, por três motivos, primeiro porque o ACT dá um prazo para apresentar a documentação que entretanto é falseada, segundo porque muitas empresas já se previnem em termos de papelada tendo ficticiamente tudo em ordem, terceiro os próprios trabalhadores não são capazes de anuir com a queixa com medo de represálias.

A solução? Sair do país, embora a crise tenha supostamente terminado a verdade é que os portugueses continuam a procurar trabalho fora de Portugal, só que agora já não é porque não há trabalho, mas porque não há trabalho condigno e as histórias de ordenados chorudos propagam-se rapidamente, pais levam os filhos, filhos levam irmãos, sobrinhos e primos que levam os amigos e uns atrás dos outros vão saindo.

 

Num país governado por uma Geringonça não é de estranhar que se façam manobras, passes de mágica e malabarismos para se apresentarem números, ah o défice esse número qual bicho papão que tem de descer a todo custo, não importa que a dívida seja mais alta, desde que o défice seja mais baixo, não importa que se destruam os serviços públicos desde que o défice desça.

O nosso Primeiro-ministro não mentiu quando disse que não há dinheiro, não há, quer dizer não há para todos, há só para quem ele quer agradar, os professores foram a classe da função pública ostracizada, talvez porque não há interesse em educar o povo, nunca fiando, mas para os portugueses defendidos ferozmente pelos comparsas da Esquerda tem de existir dinheiro, para esses tudo, para garantir estabilidade e a reeleição, para os outros damos-lhes umas migalhas, que retiramos de outra forma, mas enquanto eles pensarem que têm mais dinheiro não se queixam.

 

Entretanto, vão surgindo notícias das chamadas Cativações que mantêm o povo cativo na ilusão e privado das situações mais básicas, as cativações na Saúde são sem sombra de dúvida as mais graves, seguidas pelas cativações na Educação, mas estas não se ficam por dois Ministérios, são transversais, chegando-nos agora notícias das cativações nos Transportes que explicam os aumentos de queixas e problemas, não se pode fazer pão só com água, é preciso farinha, mas o Governo guardou a farinha toda e está como Maria Antonieta – “Se não têm pão que comam brioches”

 

Os Ministérios deste Governo mais parecem Mistérios, supostamente o Mistério da Multiplicação que vai-se a ver é o Mistério da Cativação.

E o povo segue alegre e contente, confiante e otimista, gastador, mas mau pagador, o consumo aumenta, também o crédito, é um doce poder satisfazer novamente os desejos de consumo, muito melhor do que o açúcar, porque dá mais likes e importância.

Já diz o ditado com papas e bolos se enganam os tolos e em tempo de férias a cobertura extra é grátis só para dourar ainda mais a pílula.