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Língua Afiada

Super Ambiente para o Super Primeiro

Super Ambiente – Já resolvi a situação meu rei!

Super Primeiro – Já? E Então já fizeste um acordo com eles?

SA – Sim, mal me viram tremeram logo das pernas e disseram de imediato que iriam cortar em três quartos das descargas.

SP – Ai sim?! E tu que contraproposta lhes fizestes?

SA – Berrei três quatros é inadmissível, têm de cortar pelo menos metade, metade! E eles aceitaram prontamente cortar pela metade.

SP – Está tudo assegurado e tratado?

SA – Sim, já garantiram que continuarão a fazer metade das descargas, já falei com o filho do primo do cunhado do amigo do seu amigo e ele garantiu-me, assegurou-me que está pronto para iniciar a empresa de limpeza.

SP – Tem de ser iniciada o quanto antes, o Super Finanças tem de garantir a aplicação de algum dinheiro das cativações para o projeto, assim como as nossas luvas.

SA – O rapaz está mesmo a terminar o curso engenharia ambiental numa dessas faculdades privadas, deixou dez cadeiras para trás, mas o pai já me garantiu que paga os exames extraordinários que forem necessários para que ele possa ter o canudo no final deste ano letivo.

Será o Sr. Presidente o Presidente de todos nós?

Eis que chegou a altura de o Presidente da República demonstrar se é o Presidente do povo ou dos partidos.

Depois da obscenidade, conluio e vergonha que se passou na passada semana na Assembleia da República que originou a aprovação de uma lei que favorece os partidos políticos e desfavorece e desfalca o Estado e os contribuintes cabe ao Presidente da República vetar ou não essa lei promiscua e escandalosa, mas mais do que vetar pede-se a Marcelo Rebelo de Sousa uma posição firme e transparente, um discurso claro que responsabilize os partidos políticos, um sermão, uma lição de democracia e de dever.

Os senhores deputados da Assembleia da República parecem ter-se esquecido há muito os seus deveres e obrigações, confundem a defesa dos interesses do Estado com a defesa daqueles que o representam, a bem dizer defendem os seus interesses acima dos da Nação.

A lei aprovada pelo PSD, PS, BE, PCP e PEV apenas teve o voto contra do CDS-PP e do PAN, que tiveram a decência de não cederem à tentação do caminho mais fácil.

 

A lei deixa de fixar qualquer limite na angariação de fundos e sobre o IVA estipula apenas que os partidos estão isentos, através do pedido de restituição do mesmo, passando a ser possível pedir a restituição do IVA de qualquer despesa e não só do estipulado até agora “aquisição e transmissão de bens e serviços que visem difundir a sua mensagem política ou identidade própria, através de quaisquer suportes, impressos, audiovisuais ou multimédia, incluindo os usados como material de propaganda e meios de comunicação e transporte”.

Esta lei debatida à porta fechada e aprovada à socapa em vésperas de Natal para não despertar atenção é uma afronta a todos nós, por um lado escancara a porta ao lobby sem limite de angariação de fundos tudo é possível para quem quer ver os seus interesses defendidos no parlamento e como permite a devolução do IVA de todas as despesas permite ainda que os interessados em defender esses interesses possam gastar os fundos angariados a preço de saldo.

 

Com disse e bem o CDS-PP os partidos políticos aproveitaram o imperativo constitucional inerente a esta mudança para introduzirem, de forma discreta, duas novas alterações na lei de financiamento dos partidos.

E assim vai a democracia em Portugal, democrática só para os interesses de alguns enquanto prejudica deliberadamente os interesses de todos os outros.

Vergonha de ser representada por pessoas que apenas defendem os seus interesses, é necessária uma reforma política, uma reforma dos partidos, sangue novo, sem agenda, sem segundas intenções.

Impressionante como nunca chegam a acordo para nada, tudo é um cavalo de batalha no parlamento, mas neste caso o entendimento foi simples, demasiado simples o que diz muito sobre o parlamento português e sob os partidos políticos lá representados.

 

Espero que o Presidente prove ser o Presidente de todos nós.

Voltemos às politiquices - Ministério falseou dados do SNS

Este não é um blog de política, não sou política, nem sequer tenho filiação política, nem tão pouco posso dizer que sou simpatizante de um partido político, estou ali ao centro na ideologia, mas sem definição.

Não sendo ativa na política não significa que não esteja atenta ao que me rodeia e ultimamente tem-me custado imenso assistir ao rumo que o país leva e à incapacidade das pessoas perceberem o que realmente se passa.

 

Posso também eu estar a ser iludida por artigos de opinião, notícias e estudos, duvido, mas não é impossível, não obstante parece-me que o povo é que tem sido constantemente engando pela propaganda idílica do PS, este Governo que para mim nasceu torto e, passando a expressão, pau que nasce torto jamais se endireita, nunca me inspirou confiança, mas permitiu ao país a tão almejada estabilidade e em tempos onde a estabilidade é palavra de ordem, foi do mal o menor.

 

Temos assistido ao aumento do nível de confiança dos portugueses, o país está a crescer e o défice a descer, o défice desce, não a dívida pública importa esclarecer. Houve realmente a devolução do rendimento aos portugueses, existirão no OE de Estado de 2018 mais medidas, em especial a alteração nos escalões de IRS que restituirá mais dinheiro aos contribuintes, no entanto, o motor do crescimento não se deu com base no aumento do consumo tal como previsto pelo Governo, mas ao aumento exponencial do Turismo que veio mesmo a calhar.

 

Para as restituições pensadas para os contribuintes existirão medidas aplicadas noutros sectores, aumentos de impostos diretos e indiretos para fazer face às novas despesas, o povo parece esquecer-se que para de dar de um lado tem de se ir buscar dinheiro a outro, é a regra básica das finanças, mas que todos parecem ignorar, pois aparentemente o país cresce e supostamente tem mais dinheiro.

 

O povo está feliz e contente porque supostamente a austeridade terminou e vivemos tempos de prosperidade, não sei quem acredita ser possível uma mudança tão drástica de cenário só porque mudou o partido do poder, o próprio António Costa admitiu não ter uma varinha mágica, então porque insiste o povo em acreditar que tem?

Já há alguns meses a esta parte que vem sendo dito que a austeridade não terminou, apenas foi redirecionada, pois existiram cortes e cativações no investimento em diversos ministérios.

 

Hoje, o Observador avança uma notícia deveras preocupante:

Acesso ao SNS “degradou-se” entre 2014 e 2016 e Ministério falseou dados sobre cirurgias, acusa Tribunal de Contas.

 

Em 2016, 2.605 doentes morreram à espera de cirurgia, dos quais 231 eram doentes oncológicos.

Em 2016, não só foi interrompida a emissão automática e regular de vales cirurgia, como foi privilegiada a sua substituição pela emissão de notas de transferência para unidades hospitalares do SNS (ao invés de hospitais do setor privado e social).

 

Esta opção teve efeitos negativos sobre os tempos de espera dos utentes, que poderiam ter visto a sua situação resolvida mais rapidamente se lhes tivesse sido dada a possibilidade de optarem por uma unidade hospitalar do setor social ou privado, através da emissão atempada de um vale cirurgia”, lê-se no relatório divulgado esta terça-feira, que revela o aumento do tempo médio de espera dos utentes transferidos: de 259 dias em 2014 para 300 dias em 2016.

Mas o Tribunal de Contas vai mais além na análise e deixa ainda uma crítica ao Ministério da Saúde que, via Administração Central do Sistema de Saúde, em 2016, limpou as listas de espera para primeiras consultas de especialidade nos hospitais e, nesse exercício, eliminou administrativamente “pedidos com elevada antiguidade, falseando os indicadores de desempenho reportados”. Daí que, na lista de recomendações, haja uma referência a esta matéria, pedindo-se que a ACSS “não adote procedimentos administrativos que resultem na diminuição artificial das listas e dos tempos de espera”.

 

Não há austeridade mas morrem pessoas por falta de cirurgia, temos dados falseados e irreais, mas andamos contentes, isso é o mais importante.

Algumas vozes têm-se erguido também sobre a falsidade dos dados do desemprego, se os dados da dívida pública e do SNS têm sido manipulados e transmitidos da forma mais conveniente, quem nos garante que todos os outros não sejam também tendenciosos e falseados?

 

Encontro cada vez mais semelhanças entre o que se passa hoje e o que passou antes do resgate financeiro, preocupa-me que nos estejamos a precipitar para uma crise muito mais profunda e com consequências muito mais duradouras do que anterior. Nada que não soubesse, todos os especialistas vaticinam uma nova crise, o que preocupa é a manipulação da informação e até da comunicação social.

Manuela Moura Guedes foi afastada de TVI assim que usou questionar José Sócrates, não há dúvidas que este manteve um controle da informação durante os seus Governos, estaremos perante uma segunda vaga de informação habilidosamente manipulada?

Talvez Costa não tenha uma varinha mágica, mas sim uma calculadora e uma impressora mágicas.