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Língua Afiada

As unhas da deputada

unhas deputada PS.jpg

 Foto: REUTERS/Rafael Marchante

 

A Assembleia de República Portuguesa é palco dos cenários mais inusitados, teatro é o mais comum, discussões bairristas também são normais, imitação de animais também aparecem ocasionalmente, sala de conferências para o exterior, biblioteca e café são outras das suas “funções”, salão de beleza até quanto sei é novidade.

Não venham com a desculpa que ela consegue ouvir o debate enquanto pinta as unhas, é claro que consegue, mas não são as suas competências multitasking que estão em causa é mesmo o seu profissionalismo e educação.

Os deputados estão a decidir nada mais, nada menos do que o Orçamento de Estado para o próximo ano e a senhora deputada Isabel Moreira acha de bom-tom e prudente estar a pintar as unhas enquanto o debate decorre, como se estivesse em casa no sofá a ouvir a Júlia Pinheiro a falar dos presentes ideais para este Natal.

 

Vejamos as seguintes situações.

Aluna pinta as unhas na sala de aula enquanto a professora passa a matéria.

Médica pinta as unhas enquanto ouve os sintomas do paciente.

Comercial pinta as unhas enquanto o diretor traça os objetivos para o ano.

 

Há alguém que no seu perfeito juízo defenda este tipo de comportamento? Parece que no caso da deputada sim, os fanáticos do PS em particular e os que desvalorizam tudo em geral.

 

Não é possível desculpar estes comportamentos, se o fizermos arriscamos a um circo ainda maior no parlamento, que nós sabemos que eles não se importam nada com o que se passa lá dentro, sabemos, agora nós não nos preocupar-nos também?

Rigor, profissionalismo, educação, saber estar, é o mínimo do mínimo exigível em qualquer profissão, ainda mais para aquela que é um dever, um privilégio e uma distinção que é participar nos desígnios de uma nação.

Infelizmente é este laxismo, despreocupação, incompetência e inutilidade que carateriza os nossos deputados, um grupo privilegiado que em vez de dar prestígio ao cargo que desempenha envergonha a função e diminui a sua importância ao ponto de ser mais pertinente pintar as unhas do que estar focada no debate.

Belo exemplo, um belo exemplo a não seguir.

Maria Begonha, que Vergonha!

Sinceramente não consigo entender como é que estes iluminados se metem nestas trapalhadas, se tentaram enganar as pessoas devem estar alienados das notícias que andam sempre a escrutinar currículos, se foi um engano, correção se foram três enganos, perdão, três gralhas, são gralhas muito convenientes e mais uma vez devem andar alienados para não as corrigirem, de qualquer das formas é uma vergonha, deixar sair uma candidatura com dados falsos ou errados seja por que motivo for é uma vergonha.

 

Primeiro erro - Data de nascimento - se era para a colocarem mais nova que lhe tirassem uns cinco anos, um ano para frente ou para trás não faz grande diferença a não ser que seja para cumprir os requisitos da candidatura.

Segundo erro – Presidente da Associação de Estudantes AE FCSH – Muito vantajoso para uma candidata à presidência de algo ter sido presidente anteriormente, só que nunca foi.

Terceiro erro - Mestrado em Ciência Política – mestrado que afinal não foi concluído, afinal a história não foi bem contada.

 

Se foi intencional esta menina já vai bem lançada na política, espera-lhe um futuro promissor na arte de enganar, se foi por incompetência espera-a também um futuro promissor no desleixo e inabilidade de ser rigorosa e criteriosa, requisitos para qualquer político que queira ser bem-sucedido em Portugal, até a imputar culpas para os outros a menina foi exímia, existe mesmo um futuro brilhante e promissor na carreira política de Maria Begonha.

 

Este é mais um caso entre tantos de trapalhadas políticas com embelezamento, estilo Photoshop, de um curriculum, uns retoques aqui, uns retoques acolá e facilita-se a vida e espera-se que ninguém se lembre de verificar.

Porque é que este caso é diferente dos outros? Não é, mas tem um significado diferente, significa que as novas gerações políticas não são diferentes das mais velhas e que a incompetência, artimanha, artifício e engano perpetuar-se-ão com elas, numa espécie de tradição.

 

Se há tradição que deve terminar em Portugal é a corrupção e a fraude política, em maior ou menor grau, não devem ser toleradas estas situações, o correto seria que esta menina nunca mais ter qualquer credibilidade política.

Há erros, intencionais ou não, que simplesmente não deveriam ser perdoados, especialmente no âmbito profissional, seja incompetência ou seja tentativa de falsear os dados, em ambos os casos o vaticínio ideal seria a erradicação da política, mas como estamos em Portugal o mais certo é cair no esquecimento e daqui a uns anos, se não antes vermos Maria Begonha bem instalada num cargo político.

Orçamento de Estado ou para o Estado? Ou para as eleições?

 

O nome pelo qual foi batizado este Governo foi realmente muito bem escolhido, Geringonça, estamos a ser liderados por um engenhoca mal oleada, que tudo faz para agradar, dissimulando e ludibriando como bem entende, de sorriso nos lábios, ar altivo e superior, num cinismo tão descarado que enoja.

Parecem ser muitas as novidades, mas no essencial fica tudo igual, a carga fiscal altíssima mantem-se e as medidas anunciadas têm na verdade pouco impacto, à exceção dos aumentos das pensões e dos salários na função pública.

Para equilibrar as cedências existe um programa de revisão da despesa que aponta poupanças de 236 milhões de euros em várias áreas, sendo da saúde e da educação que saem a maior parte destas poupanças, por outras palavras as cativações são para manter.

Centeno espera e tenta a todo o custo obter o défice zero, a questão que se coloca é a que custo? O custo é dos portugueses que têm uma carga fiscal altíssima e cada vez pior serviço na Educação e na Saúde.

Todas as contas são baseadas numa conjuntura altamente favorável e é aqui que reside o perigo, pois caso a conjuntura económica se altere Portugal fica em maus lençóis e sem grandes alternativas. Continuamos no mesmo marasmo, sem que sejam realizadas alterações profundas e necessárias, os interesses instalados são intocáveis e continua-se a oferecer jobs for the boys e na verdade ninguém se importa com isso.

O registo continua o mesmo, lançam-se medidas populares, tapa-se o sol com a peneira e os portugueses seguem alegres e contentes enquanto sobem ao poder pessoas incompetentes.