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Língua Afiada

“Não sou dada a etnias” diz a Margarida – És dada a parvoíces

Margarida Rebelo Pinto não é dada a etnias, segundo a própria, mas é muito dada:

A idiotices

A parvoíces

A polémicas

A futilidades

E a lista poderia continuar e seria longa e pouco abonatória à sua pessoa.

Esta frase foi proferida no programa de Herman José "Cá Por Casa" que contou também com a presença de Sara Tavares, João Didelet e António Machado e foi dada quando Herman José perguntou a Margarida Rebelo Pinto se já tinha tido algum amor colorido. "Não sou dada a etnias", respondeu a escritora. "Não, não... estava a falar de colorido... se já te apaixonaste por alguém que depois chegasse à noite e não lhe apetecesse, mulher", explicou o humorista.

Esta conversa aconteceu logo depois de Herman José dizer que Portugal não era um país racista, a resposta de Margarida Rebelo Pinto acompanhada pela expressão facial indiscritível prova precisamente o contrário.

Sinceramente não consigo percebeu como continuam a dar tanto tempo de antena a Margarida Rebelo Pinto, ela que escreva e quem queira leia os seus livros, não sou fã, mas entendo o estilo e até o sucesso, mas colocam-na nestes programas para quê? Assim de repente não me recordo de nada relevante que ela tenha dito, nunca a vi contribuir com nada inteligente e profícuo para a sociedade ou em qualquer debate por mais informal que fosse.

Sara Tavares obviamente e visivelmente incomodada já reagiu nas redes sociais:

"Sobre este momento que gostava muito de não ter vivido e nem voltei a ver porque foi de facto surreal. Para vossa informação, reagi sim. Calma, mas nunca cobarde. Não tenham a presunção que me conhecem só porque sabem pronunciar meu nome atenção! Ou só porque somos amigos das redes (...) Respeito aqui afinal é a palavra de ordem"

"Falei com os sujeitos em questão, longe das câmaras, com o respeito que não me demonstraram, mas não ouvi nenhum pedido de desculpas. Fiquei com a consciência limpa, mas com uma grande dor de cabeça. Tamanho sapo que engoli"

"Estava a sentir-me um pouco sozinha ali. Quem teve vontade de rir aí? Quem quer um pedido de desculpas público põe a mão no ar! Tenho dito. Não desrespeitarás o teu próximo e ficarás a rir"

Escreveu a cantora na sua página de Facebook.

 

Pessoalmente não senti vontade nenhuma de rir, muito pelo contrário, senti indignação pela falta de respeito e pela forma presunçosa com que falou, não é só o que disse, mas a forma como o disse.

Não é crime não se sentir atraída por determinado tipo de pessoa, cada um tem as suas preferências que podem excluir/incluir, raças, etnias, credos, sexos, o que lhe fica mal é a forma como o diz, não se trata de ser politicamente correto, trata-se de ser educado e de respeito pelo próximo.

Só porque não me sinto atraída por determinadas caraterísticas físicas de um grupo de pessoas tenho de demonstrar repulsa e excluí-las imediatamente das minhas possibilidades amorosas?

O que ninguém lhe dá é perspicácia, isso nem com muitos chás, convites e festas da alta sociedade lá vai, tanto espaço para evoluir e prefere ser assim uma tonta, que vive num mundinho só seu.

 

 

 

Acusações de racismo marcam semana de Alta-Costura em Paris

Tudo começou nas redes sociais, mais concretamente no Instagram, quando Miroslava Duma, decidiu partilhar no stories o convite da designer Ulyana Sergeenko, para o seu desfile. A nota acompanhada com um ramo de rosas podia ler-se: «To my niggas in Paris» – “Para os meus niggas em Paris”.

A nota escrita à mão é uma referência a uma música de Kanye West e Jay-Z, N***as in Paris, e foi partilhada por Duma, que não se terá apercebido da questão moral relacionada com o facto de o termos estar a ser utilizado por duas mulheres caucasianas.

 

 

Instalou-se a polémica através da propagação do print screen da imagem do stories, entretanto eliminado, apesar de ser seguido por um pedido de desculpas, Ulyana Sergeenko não foi perdoada pela falha e Miroslava Duma também não.

Alvos de duras críticas e acusações de racismo as duas têm-se visto a braços com comentários de várias personalidades do mundo da moda numa polémica que não parece ter fim à vista.

Este é mais um caso que prova que não podemos partilhar ou comunicar o que nos aprouver nas redes sociais, especialmente as figuras públicas, que podem ver arrasada a sua reputação e ter seriamente a sua carreira ameaçada pelo uso de uma palavra.

 

Pessoalmente não vejo neste caso motivo para tanto alarme, em primeiro lugar claramente a palavra não foi usada de modo pejorativo, pelo contrário, trata-se obviamente de uma manifestação de carinho, de intimidade entre as duas amigas, em segundo lugar o termo é comumente usado na gíria nos Estados Unidos da América por jovens da comunidade Afro-americana e também por outros jovens, assumindo o significado não só de negro mas de mano, uma alternativa ao “Bro”.

O problema reside no background da palavra que deriva de nigger, um termo usado pelos sulistas com caracter altamente pejorativo e racista.

 

A grande questão pretende-se com o contexto, a palavra se for usada por negros não parece magoar ninguém, mas quando usada por brancos assume outro significado, passando a ser uma ofensa. Dada a história e o peso da palavra é perfeitamente aceitável, devemos respeitar que membros de uma determinada cultura e/ou grupo permitam certos tipos de tratamento que estão vedados a pessoas exteriores.

A questão aqui é que Ulyana Sergeenko não se estava a referir a nenhum negro, mas sim a uma amiga, numa clara imitação de um comportamento, nem sequer se pode acusá-la de ridicularizar a expressão, pois vê-se claramente que não era essa a intenção, aliás no pedido de desculpas entretanto apagado podia ler-se “nós usamos a palavra começada por «N» às vezes quando queremos acreditar que somos tão cool como os tipos que a cantam.”

Na minha opinião a existir indignação seria pela apropriação da expressão, no limite dizer que não é correto brancos usarem essa expressão e que não é certo um determinado grupo apropriar-se de expressões de outro, há que saber respeitar as diversas culturas e grupos.

Criticar a apropriação da palavra é uma coisa, acusar de racismo um branco por usar uma expressão de negros exatamente como eles a usam é só parvo.

Na minha opinião a utilização da expressão de forma carinhosa por brancos é sinal de respeito, admiração e de integração e globalização, num mundo cada vez mais global é impossível conter, restringir hábitos, linguagem a um só grupo, especialmente quando esse grupo divulga amplamente a mensagem em músicas cantadas por todos independentemente da raça, género ou credo.

 

O uso do turbante há anos que desperta contestação, historicamente símbolo das mulheres negras, um adereço religioso com muitíssimo significado tem sido alvo de críticas sempre que é trazido para a moda, não obstante tem sido utilizado por mulheres de todo mundo como acessório e basta fazer uma pesquisa para perceber que apesar do seu simbolismo para os africanos e seus descendentes, o turbante não é exclusivo da sua cultura.

As apropriações culturais são sempre complicadas, mas serão mesmo apropriações ou apenas sinais da globalização?

 

Chamar-lhe-ia inspirações sejam de moda, sejam de linguagem, o ser humano inspira-se nas mais variadas situações, a inspiração cultural é mais rica e mais diversa seja no âmbito da moda, da decoração, da arquitetura, no campo linguístico, bebemos influências dos ídolos, das pessoas que tomamos como exemplo, que admiramos.

Será assim tão estranho que se use uma expressão de uma música famosa numa cidade citada na música?

Não, pode ter sido uma má escolha de palavras, mas daí a ser racismo vai uma longa distância.

 

Este caso é diferente do da H&M por causa da simbologia das palavras e a forma como foram utilizadas, mas parece que há cada vez mais dificuldade em distinguir o certo do errado, parece que de um lado estão os que não veem mal em nada, do outro os que veem mal em tudo.

Ainda sobre o racismo e sobre a ignorância

Sabem que mais ainda bem que se fala e muito sobre este tema porque tenho lido tantas asneiras por essa Internet que até reviro os olhos, a ignorância, o desconhecimento, a leveza com que alguns falam do assunto e as parvoíces que debitam fazem com que seja urgente que se escreva e fale mais sobre o assunto para ver se as pessoas aprendem alguns conceitos e alguma história.

Li por aí que só existem raças de animais irracionais…

O quê? Mas estas pessoas acham que o termo racismo deriva de que palavra?

Vamos esclarecer então com a ajuda do dicionário:

ra·cis·mo
(raça + -ismo)

Substantivo masculino

  1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.
  2. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, notadamente etnia, religião, cultura, etc.

"racismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

Falemos de raças racionais, são três a Caucasiana a que vulgarmente chamamos de branca, a Negróide mais conhecida por negra e a Mongolóide designada muitos vezes por amarela, esta classificação científica que não se limitou a dividir as pessoas conforme as suas caraterísticas físicas descrevendo também as suas caraterísticas mentais ignorando completamente as diferenças culturais serviu precisamente de base para o racismo, já que para os estudiosos os brancos eram mais inteligentes e mais evoluídos, civilizados e essa classificação rudimentar e sem qualquer base científica ainda hoje tem repercussões.

Porquê?

Porque independentemente da raça sempre foi proveitoso explorar os mais indefesos, fossem eles negroides ou mongoloides e por isso mesmo sabendo-se que era errado, os fins justificavam os meios e a suposta inferioridade dos povos, igualá-los a animais era a desculpa perfeita para lhes ceifar a vida e roubar territórios e conseguir dormir à noite sem temer Deus que os mandava amar a todos os homens como irmãos, mas os “selvagens” não seriam filhos de Deus e por isso não eram seus irmãos para amar.

Infelizmente volvidos séculos e séculos o racismo não desapareceu e muitos brancos ainda se consideram mais inteligentes e superiores, nem o facto dos genes negros serem dominantes, considero esta a maior ironia dos tempos e a ciência ter provado que afinal somos todos descentes dos negroides de África parece ter sido o suficiente para que o racismo fosse desarraigado.

 

A nossa sociedade é altamente preconceituosa e há uma tendência enorme para gozarmos com que é diferente, todos as formas de discriminação são más, mas não vamos confundir racismo com bullying são coisas completamente distintas, podem andar juntas uma vítima de racismo é frequentemente vítima de bullying, mas nem sempre o bullying é racismo.

O racismo ultrapassa o bullying de formas que penso que nenhum branco consegue realmente ter noção, estará perto das dificuldades que as mulheres têm em afirmar-se como iguais aos homens, continuamos a ter de trabalhar mais, a ter de provar o nosso valor, anos e anos após a conquista ao voto e da emancipação continuamos a ser vistas como inferiores, menos capazes, menos inteligentes, só porque somos mulheres, eles continuam a ser vistos como inferiores só pela cor da sua pele, mas nem o preconceito sob as mulheres é tão grave, pois apesar de em seu nome se terem cometido crimes hediondos, não podemos compara-los à chacina, escravidão, subjugação, humilhação e até extinção de alguns povos de raça negroide ou mongoloide.

Talvez tenha sido por outra grande ironia dos tempos e da biologia que as mulheres não tenham sido extintas, os homens julgaram-se sempre superiores, mas sempre foram as mulheres que providenciavam a sua descendência.

 

Tal como muitas mulheres escolhem ignorar o machismo, algumas até compactuam com ele, muitas pessoas escolhem ignorar o racismo, ele não lhes toca no dia-a-dia, não é algo que as afeta, muitas até são racistas, mas acham que se não o disserem em voz alta não tem importância e por isso acham que este assunto é só mais polémica passageira que passará tão depressa quanto se instalou, uma pena, uma pena que não se usem estas oportunidades para se gritar alto e bom som – Não toleramos qualquer tipo de racismo, seja direto ou por meio dos símbolos.

O nome macaco está para os negros como a cruz suástica está para os Judeus, talvez assim em linguagem de brancos entendam o que significa ver um negro apelidado de macaco, mesmo que seja o mais fixe, a cruz suástica é bonita e só por si inofensiva, no entanto, ostenta-la envia uma mensagem clara e inequívoca de nazismo, a associação de um negro a um macaco é uma mensagem clara e inequívoca de racismo.

Só não entende isto, quem não quer. Até a H&M entendeu e por isso pediu desculpas e retirou a imagem e a camisola de circulação.

Este assunto ultrapassa a publicidade da H&M é um tema muitíssimo sério e atual, há um longo caminho a percorrer contra o racismo e todas as oportunidades são boas para o fazer.