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Língua Afiada

#GeorgeFloydChallenge – A última moda estúpida e repugnante das redes sociais

Jovens nos Estados Unidos decidiram lançar um desafio nas redes sociais no qual se fotografam com o joelho no pescoço de amigos a rirem-se, esta encenação que ridiculariza a detenção e morte de George Floyd tem sido feita maioritariamente por jovens brancos.


Que conclusões podemos retirar desta atitude? Que há um longo caminho para vivermos numa sociedade igualitária e justa e que o combate ao racismo deve estar na ordem do dia em todo o mundo.
Quando temos jovens que perante um crime horrendo reagem com uma tentativa de brincadeira repugnante, algo está a falhar na sua educação e formação, algo básico como respeitar o próximo, como ter empatia e tratar todas as pessoas como iguais.


Sinto-me arrepiada, enojada e revoltada sempre que alguém desvaloriza o racismo e isso acontece demasiadas vezes, infelizmente sinto que podemos estar a regredir em vez de evoluir a julgar pelo crescente apoio a movimentos de extrema-direita que incitam ao racismo e xenofobismo e até machismo pois consideram que todos os males da sociedade são causados pelos estrangeiros, por pessoas de culturas diferentes e até por mulheres que estão a ocupar cargos que consideram serem apenas de homens.


Esta visão simplista da sociedade pode ser muito apelativa quando as pessoas são cada vez mais egoístas, invejosas e carentes de valores, se lhe juntarmos revolta e ignorância temos uma combinação explosiva ideal para fomentar movimentos extremistas baseados em teorias da conspiração, notícias falsas, mitos e mentiras.

Tenho imensa pena que o Covid-19 não seja seletivo no contágio, espero que um dia a Natureza seja capaz de produzir um vírus que ataque apenas aqueles que merecem, é que mesmo com todas as evidências científicas e sob a ameaça de um vírus que não diferencia cor, estatuto social, género ou idade as pessoas têm dificuldade em entender que todos somos iguais, que vivemos sob o mesmo o sol e a única coisa que nos diferencia é a roleta russa do nascimento, será assim tão difícil entender e interiorizar isso?
Ignorância, tanta ignorância se propaga neste mundo.


A polícia já prendeu alguns dos sociopatas que fizeram este desafio, espero que os prendam a todos e que o desafio seja contido o quanto antes.

Não existem raças, apenas pessoas.

A ciência já chegou a esta conclusão, não há caraterísticas diferentes suficientes para se dividir a humanidade em raças, há apenas uma raça, a humana, que se adaptou ao ambiente em que vive, a explicação para a cor da pele é simples e básica, pele escura para suportar sol e temperaturas altas, pele branca para absorver os poucos raios de sol em regiões mais frias e com poucas horas de sol.

As semelhanças genéticas entre pessoas desmitificam e mitigam o racismo com base na cor da pele, sendo que a cor não é sinónimo de partilha genética e ancestralidade em comum.

Não existem raças biológicas, mas as raças estão enraizadas na nossa cultura e servem como argumento para o racismo, que não é nada mais do que a consequência natural do medo do desconhecido, do diferente, do exótico, o que é incrível é que estes medos se tenham propagado até aos dias de hoje onde a informação e a formação já deveriam ter erradicado há muito este preconceito estúpido e infundado.

Muitas vezes já escrevi aqui sobre racismo, porque é um tema que me deixa particularmente incomodada, porque acho estúpido e de uma ignorância tremenda simplesmente não gostar ou desprezar alguém com base na sua cor, origem ou cultura, não há barómetro melhor de inteligência do que o grau de racismo, uma pessoa inteligente, com capacidade de análise e consciente nunca poderá em tempo algum ser racista, sem exceções, sem condicionantes.

Somos todos iguais, nascemos todos no mesmo mundo e como o sol quando nasce, nasce para todos, também nós nascemos debaixo do mesmo sol, com os mesmos direitos e os mesmos deveres, concedidos pelas sociedades onde nascemos.

A lotaria do nascimento é a única coisa que nos permite ser e pertencer a determinada cultura, um acaso e o nosso destino poderia ser outro completamente diferente, a única diferença entre nós é o local onde nascemos, tudo o resto é uma mistura entre genética, educação e personalidade, mas independentemente de onde nascemos e de como fomos educados a escolha de sermos bons ou maus é nossa.

O que se passou com o jogador Marega do Futebol Clube do Porto é inadmissível e extremamente vergonhoso para o futebol, para o desporto e para Portugal, é uma nódoa difícil de retirar e ainda bem, pois é bom que as pessoas não se esqueçam destes cobardes miseráveis que se escondem por detrás de uma calque para exorcizarem os seus demónios e preconceitos, para esconjurarem as suas frustrações e desgostos.

Marega teve a atitude correta, saiu, marcou uma posição, disse basta, não se remetendo ao silêncio, pois isso seria compactuar com os agressores que continuariam a achar que podem proferir as maiores barbaridades sem punição, o racismo é crime e é bom que este crime passe do papel para a ação para que as pessoas metam na cabeça que até podem ser ignorantes e racistas, mas exercer racismo é crime e se o fizerem senão punidas por isso.

Quanto ao oportunista do Chega espero que tenha aprendido a lição, é que mais vale cair em graça do que ser frustradamente engraçado, a sua eleição foi uma vergonha e cada vez que emite uma opinião essa vergonha só aumenta.

Parabéns Marega pela coragem de dizer chega aos Chegas de Portugal.

 

É claro, claríssimo, que há racismo em Portugal.

Não é preciso estudos, estatísticas e muito menos entrevistas, basta ler os comentários às notícias da agressão de um agente da PSP da Amadora a uma mulher negra, não me debruçarei sobre o caso, são duas histórias contraditórias, embora ache muito estranho a senhora ter entrado no carro com a cara aparentemente normal e aparecer à porta da esquadra com hematomas e escoriações derivadas de uma suposta queda, esperemos que a justiça esclareça devidamente os factos.

Supormos que um agente de autoridade possa ter abusado da força e agredido um cidadão é muito mau, supostamente as autoridades existem para proteger e não para maltratar e muito menos para tomar partidos ou agir como justiceiros, mas como essa realidade não é suficientemente má, há cidadãos portugueses que aplaudem este comportamento, enaltecem-no e para isso usam precisamente o argumento mais bárbaro e estúpido de sempre, o racismo.

Os sentimentos e argumentos são sempre os mesmos, que estão cá a viver de subsídios à nossa custa ou que nos estão a roubar empregos, que são mal-educados, broncos e burros, uma classe diferente vista como uma epidemia a ser erradicada e notícias como esta são o motor de ignição de um rol de insultos à comunidade negra.

O argumento dos argumentos é acusarem-nos de usar o racismo em proveito próprio, julgando conhecer todas as suas motivações, ideias, ideais e planos maquiavélicos, uma verdadeira teoria da conspiração.

O argumento mais incoerente é dizerem que se não sabem viver em sociedade e respeitar as regras devem ser expatriados!?

A palavra expatriado dá-me logo arrepios e nojo, mas a parte de não respeitarem as regras só me dá vontade de rir, pois todos sabemos que os portugueses são o povo que mais respeita as regras, todas, todinhas, cumprem sempre as regras de trânsito, são exímios em civismo, não deitam lixo para o chão, muito menos deixam as fezes dos seus canídeos nos passeios e parques, respeitam todas as indicações, bandeiras vermelhas, sinais de perigo, dão prioridade sem hesitar, não furam filas, não andam em transportes sem pagar, nunca, jamais fogem aos impostos, nunca são oportunistas e o chico-espertismo é um mito urbano criado precisamente pelos negros.

Esta deve ser a piada do século, é que se fossemos a expulsar de Portugal toda as pessoas que não cumprem as regras este país seria povoado por reformados e hippies de outras nacionalidades.

Os portugueses não são uns racistas quaisquer, são racistas elitistas, apenas são racistas contra os negros que andam de autocarro, os que se passeiam em grandes automóveis blindados com guarda-costas recebem-nos de braços abertos porque lhes cheira a dinheiro, mesmo que esse dinheiro tenha um cheiro nauseabundo a gritar que é ilícito.

Os portugueses são uns racistas interesseiros e dissimulados, quantas vezes já vi em lojas o ar de frete dos funcionários a atenderem negros, mas quando percebem que vão comprar o equivalente a três ordenados é só sorrisos e bajulações.

Todos os dias os portugueses são racistas nas mais pequenas coisas, mas são capazes de bater no peito a dizer que não, que não são, bem sei que é difícil, que este estigma está muito enraizado na nossa cultura, mas tentem, façam um esforço, deixem os preconceitos de lado e sejam isentos, afinal até parece que somos todos da mesma raça, humana, que chatice, agora nem esse argumento podem usar.