Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

É claro, claríssimo, que há racismo em Portugal.

Não é preciso estudos, estatísticas e muito menos entrevistas, basta ler os comentários às notícias da agressão de um agente da PSP da Amadora a uma mulher negra, não me debruçarei sobre o caso, são duas histórias contraditórias, embora ache muito estranho a senhora ter entrado no carro com a cara aparentemente normal e aparecer à porta da esquadra com hematomas e escoriações derivadas de uma suposta queda, esperemos que a justiça esclareça devidamente os factos.

Supormos que um agente de autoridade possa ter abusado da força e agredido um cidadão é muito mau, supostamente as autoridades existem para proteger e não para maltratar e muito menos para tomar partidos ou agir como justiceiros, mas como essa realidade não é suficientemente má, há cidadãos portugueses que aplaudem este comportamento, enaltecem-no e para isso usam precisamente o argumento mais bárbaro e estúpido de sempre, o racismo.

Os sentimentos e argumentos são sempre os mesmos, que estão cá a viver de subsídios à nossa custa ou que nos estão a roubar empregos, que são mal-educados, broncos e burros, uma classe diferente vista como uma epidemia a ser erradicada e notícias como esta são o motor de ignição de um rol de insultos à comunidade negra.

O argumento dos argumentos é acusarem-nos de usar o racismo em proveito próprio, julgando conhecer todas as suas motivações, ideias, ideais e planos maquiavélicos, uma verdadeira teoria da conspiração.

O argumento mais incoerente é dizerem que se não sabem viver em sociedade e respeitar as regras devem ser expatriados!?

A palavra expatriado dá-me logo arrepios e nojo, mas a parte de não respeitarem as regras só me dá vontade de rir, pois todos sabemos que os portugueses são o povo que mais respeita as regras, todas, todinhas, cumprem sempre as regras de trânsito, são exímios em civismo, não deitam lixo para o chão, muito menos deixam as fezes dos seus canídeos nos passeios e parques, respeitam todas as indicações, bandeiras vermelhas, sinais de perigo, dão prioridade sem hesitar, não furam filas, não andam em transportes sem pagar, nunca, jamais fogem aos impostos, nunca são oportunistas e o chico-espertismo é um mito urbano criado precisamente pelos negros.

Esta deve ser a piada do século, é que se fossemos a expulsar de Portugal toda as pessoas que não cumprem as regras este país seria povoado por reformados e hippies de outras nacionalidades.

Os portugueses não são uns racistas quaisquer, são racistas elitistas, apenas são racistas contra os negros que andam de autocarro, os que se passeiam em grandes automóveis blindados com guarda-costas recebem-nos de braços abertos porque lhes cheira a dinheiro, mesmo que esse dinheiro tenha um cheiro nauseabundo a gritar que é ilícito.

Os portugueses são uns racistas interesseiros e dissimulados, quantas vezes já vi em lojas o ar de frete dos funcionários a atenderem negros, mas quando percebem que vão comprar o equivalente a três ordenados é só sorrisos e bajulações.

Todos os dias os portugueses são racistas nas mais pequenas coisas, mas são capazes de bater no peito a dizer que não, que não são, bem sei que é difícil, que este estigma está muito enraizado na nossa cultura, mas tentem, façam um esforço, deixem os preconceitos de lado e sejam isentos, afinal até parece que somos todos da mesma raça, humana, que chatice, agora nem esse argumento podem usar.

 

“Não sou dada a etnias” diz a Margarida – És dada a parvoíces

Margarida Rebelo Pinto não é dada a etnias, segundo a própria, mas é muito dada:

A idiotices

A parvoíces

A polémicas

A futilidades

E a lista poderia continuar e seria longa e pouco abonatória à sua pessoa.

Esta frase foi proferida no programa de Herman José "Cá Por Casa" que contou também com a presença de Sara Tavares, João Didelet e António Machado e foi dada quando Herman José perguntou a Margarida Rebelo Pinto se já tinha tido algum amor colorido. "Não sou dada a etnias", respondeu a escritora. "Não, não... estava a falar de colorido... se já te apaixonaste por alguém que depois chegasse à noite e não lhe apetecesse, mulher", explicou o humorista.

Esta conversa aconteceu logo depois de Herman José dizer que Portugal não era um país racista, a resposta de Margarida Rebelo Pinto acompanhada pela expressão facial indiscritível prova precisamente o contrário.

Sinceramente não consigo percebeu como continuam a dar tanto tempo de antena a Margarida Rebelo Pinto, ela que escreva e quem queira leia os seus livros, não sou fã, mas entendo o estilo e até o sucesso, mas colocam-na nestes programas para quê? Assim de repente não me recordo de nada relevante que ela tenha dito, nunca a vi contribuir com nada inteligente e profícuo para a sociedade ou em qualquer debate por mais informal que fosse.

Sara Tavares obviamente e visivelmente incomodada já reagiu nas redes sociais:

"Sobre este momento que gostava muito de não ter vivido e nem voltei a ver porque foi de facto surreal. Para vossa informação, reagi sim. Calma, mas nunca cobarde. Não tenham a presunção que me conhecem só porque sabem pronunciar meu nome atenção! Ou só porque somos amigos das redes (...) Respeito aqui afinal é a palavra de ordem"

"Falei com os sujeitos em questão, longe das câmaras, com o respeito que não me demonstraram, mas não ouvi nenhum pedido de desculpas. Fiquei com a consciência limpa, mas com uma grande dor de cabeça. Tamanho sapo que engoli"

"Estava a sentir-me um pouco sozinha ali. Quem teve vontade de rir aí? Quem quer um pedido de desculpas público põe a mão no ar! Tenho dito. Não desrespeitarás o teu próximo e ficarás a rir"

Escreveu a cantora na sua página de Facebook.

 

Pessoalmente não senti vontade nenhuma de rir, muito pelo contrário, senti indignação pela falta de respeito e pela forma presunçosa com que falou, não é só o que disse, mas a forma como o disse.

Não é crime não se sentir atraída por determinado tipo de pessoa, cada um tem as suas preferências que podem excluir/incluir, raças, etnias, credos, sexos, o que lhe fica mal é a forma como o diz, não se trata de ser politicamente correto, trata-se de ser educado e de respeito pelo próximo.

Só porque não me sinto atraída por determinadas caraterísticas físicas de um grupo de pessoas tenho de demonstrar repulsa e excluí-las imediatamente das minhas possibilidades amorosas?

O que ninguém lhe dá é perspicácia, isso nem com muitos chás, convites e festas da alta sociedade lá vai, tanto espaço para evoluir e prefere ser assim uma tonta, que vive num mundinho só seu.

 

 

 

Acusações de racismo marcam semana de Alta-Costura em Paris

Tudo começou nas redes sociais, mais concretamente no Instagram, quando Miroslava Duma, decidiu partilhar no stories o convite da designer Ulyana Sergeenko, para o seu desfile. A nota acompanhada com um ramo de rosas podia ler-se: «To my niggas in Paris» – “Para os meus niggas em Paris”.

A nota escrita à mão é uma referência a uma música de Kanye West e Jay-Z, N***as in Paris, e foi partilhada por Duma, que não se terá apercebido da questão moral relacionada com o facto de o termos estar a ser utilizado por duas mulheres caucasianas.

 

 

Instalou-se a polémica através da propagação do print screen da imagem do stories, entretanto eliminado, apesar de ser seguido por um pedido de desculpas, Ulyana Sergeenko não foi perdoada pela falha e Miroslava Duma também não.

Alvos de duras críticas e acusações de racismo as duas têm-se visto a braços com comentários de várias personalidades do mundo da moda numa polémica que não parece ter fim à vista.

Este é mais um caso que prova que não podemos partilhar ou comunicar o que nos aprouver nas redes sociais, especialmente as figuras públicas, que podem ver arrasada a sua reputação e ter seriamente a sua carreira ameaçada pelo uso de uma palavra.

 

Pessoalmente não vejo neste caso motivo para tanto alarme, em primeiro lugar claramente a palavra não foi usada de modo pejorativo, pelo contrário, trata-se obviamente de uma manifestação de carinho, de intimidade entre as duas amigas, em segundo lugar o termo é comumente usado na gíria nos Estados Unidos da América por jovens da comunidade Afro-americana e também por outros jovens, assumindo o significado não só de negro mas de mano, uma alternativa ao “Bro”.

O problema reside no background da palavra que deriva de nigger, um termo usado pelos sulistas com caracter altamente pejorativo e racista.

 

A grande questão pretende-se com o contexto, a palavra se for usada por negros não parece magoar ninguém, mas quando usada por brancos assume outro significado, passando a ser uma ofensa. Dada a história e o peso da palavra é perfeitamente aceitável, devemos respeitar que membros de uma determinada cultura e/ou grupo permitam certos tipos de tratamento que estão vedados a pessoas exteriores.

A questão aqui é que Ulyana Sergeenko não se estava a referir a nenhum negro, mas sim a uma amiga, numa clara imitação de um comportamento, nem sequer se pode acusá-la de ridicularizar a expressão, pois vê-se claramente que não era essa a intenção, aliás no pedido de desculpas entretanto apagado podia ler-se “nós usamos a palavra começada por «N» às vezes quando queremos acreditar que somos tão cool como os tipos que a cantam.”

Na minha opinião a existir indignação seria pela apropriação da expressão, no limite dizer que não é correto brancos usarem essa expressão e que não é certo um determinado grupo apropriar-se de expressões de outro, há que saber respeitar as diversas culturas e grupos.

Criticar a apropriação da palavra é uma coisa, acusar de racismo um branco por usar uma expressão de negros exatamente como eles a usam é só parvo.

Na minha opinião a utilização da expressão de forma carinhosa por brancos é sinal de respeito, admiração e de integração e globalização, num mundo cada vez mais global é impossível conter, restringir hábitos, linguagem a um só grupo, especialmente quando esse grupo divulga amplamente a mensagem em músicas cantadas por todos independentemente da raça, género ou credo.

 

O uso do turbante há anos que desperta contestação, historicamente símbolo das mulheres negras, um adereço religioso com muitíssimo significado tem sido alvo de críticas sempre que é trazido para a moda, não obstante tem sido utilizado por mulheres de todo mundo como acessório e basta fazer uma pesquisa para perceber que apesar do seu simbolismo para os africanos e seus descendentes, o turbante não é exclusivo da sua cultura.

As apropriações culturais são sempre complicadas, mas serão mesmo apropriações ou apenas sinais da globalização?

 

Chamar-lhe-ia inspirações sejam de moda, sejam de linguagem, o ser humano inspira-se nas mais variadas situações, a inspiração cultural é mais rica e mais diversa seja no âmbito da moda, da decoração, da arquitetura, no campo linguístico, bebemos influências dos ídolos, das pessoas que tomamos como exemplo, que admiramos.

Será assim tão estranho que se use uma expressão de uma música famosa numa cidade citada na música?

Não, pode ter sido uma má escolha de palavras, mas daí a ser racismo vai uma longa distância.

 

Este caso é diferente do da H&M por causa da simbologia das palavras e a forma como foram utilizadas, mas parece que há cada vez mais dificuldade em distinguir o certo do errado, parece que de um lado estão os que não veem mal em nada, do outro os que veem mal em tudo.