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Língua Afiada

Partilhar ou não partilhar fotos

Ontem enviei para uma pessoa querida uma foto da sessão fotográfica que fizemos no sábado, uma sessão amadora em que o fotógrafo foi o talentoso marido que sempre soube tirar fotos, mas que desenvolveu recentemente uma paciência incrível para me fotografar e ainda mais paciência para equilibrar a máquina e correr para mim para nos fotografar aos dois. Obrigada Amor.

Não anunciei a gravidez nas redes socias, às pessoas mais próximas fizemos questão de contar pessoalmente, outras contamos por telefone e outras foram sabendo conforme nos foram encontrando, mas ao ver as fotos ontem senti vontade de partilhar.

Talvez tenha sido um acesso de vaidade, as fotos estão realmente bonitas, talvez tenha sido a felicidade a não querer ser contida, não sei explicar mas apeteceu-me partilhar duas fotos, não partilhei, até porque decidimos há muito reduzir as partilhas e escolher cuidadosamente as fotos que publicamos, quase sempre de locais e raramente nossas.

Fiquei a pensar nessa necessidade de expor e percebi, melhor validei o que já pensava, as fotos que eu coloco nas redes sociais são muito mais para mim do que para os outros, gosto de percorre-las e recordar os locais maravilhosos que visitei, os momentos fantásticos que vivi, as partilhas, as risadas, fotos bonitas, fotos engraçadas, fotos em posições estranhas, caretas, palhaçadas, minhas, nossas, da família e dos amigos, tão bom recordar esses momentos.

Foi por isso que ontem decidi que as molduras que tenho guardadas à espera que eu tenha vontade de as preencher irão finalmente ter serventia, com tantas fotos incríveis é uma pena que elas não decorem o nosso lar.

Não será um processo fácil, é preciso selecionar as fotos, escolher uma forma de as organizar, escolher a parede ou paredes onde as colocar, já sei que é projeto para envolver uma série de projetos, medições e tentativas, mas está decidido vou esburacar as paredes lá de casa.

Vou partilhar as melhores fotos com quem merece, com as nossas pessoas, aquelas que frequentam a nossa casa.

WTF # 9 – Meses de ti!?

Na era das redes sociais não são apenas fake news que se propagam à velocidade da luz, palavras, termos e expressões copiam-se até à exaustão e passam a fazer parte do nosso mural e é assim que expressões que poderiam ter ou fazer sentido num contexto mais restrito perdem o seu significado e essência e tornam-se apenas ridículas e parolas, sim parolas porque não há nada pior do que adotar uma moda sem sentido.

 

O exemplo mais comum no meu mural é o de papás e mamãs babados escreverem 3, 4, 6 meses de ti, pior do que isto só mesmo escrever 37 meses de ti.

 

De ti? Mas agora a criança é algum objeto para ser de alguém?

Criaturas são 3,4, 6, 37 meses (se fizerem questão) contigo! CONTIGO!

 

Os pais estão a acompanhar a criança, não têm a posse dela, embora cada vez mais alguns considerem os filhos sua propriedade.

Vamos substituir o contigo pelo de ti só para percebermos o ridículo da expressão:

São 9 meses de felicidade de ti.

São 2 anos de angústia de ti.

Gosto muito de viver de ti.

 

Pior do que escrever x meses de ti só mesmo dar uma série de erros ortográficos a seguir e terminar com #amorparaavidatoda.

Adoro a música, mas a frase só faz sentido ali, precisamente na música que diz “Ali, eu soube que era amor para a vida toda” agora escrever apenas amor para a vida toda, soa mal, escrevam amor para toda a vida, porque essa expressão sim é intemporal e não uma moda.

Sempre que um pai ou mãe escreve x tempo de ti Camões deve amaldiçoar a língua portuguesa e devem morrer pinguins bebés na Patagónia.

 

Há muita parvoíce no mundo da maternidade e da paternidade e as redes sociais só fazem com que a estupidez se propague e se torne contagiosa.

Outra coisa que me irrita é apelidarem os filhos de baby Gonçalo, baby Tomás, entendo que quem escreve num blog ou página profissional possa ter essa necessidade para identificar os filhos sem colocar em causa a sua privacidade, agora nas páginas pessoais a legendar as fotos dos filhos colocar o baby Ricardo hoje fez isto ou aquilo é muito parvo, especialmente quando o baby tem 6 anos.

Será que em casa os tratam por baby? E aos adultos o que chamam? O adulto Fernando hoje chegou tarde para jantar ou o marido Jorge hoje está doente.

O baby faz sentido para substituir os termos filho, filha, bebé, como marido e esposa substitui o nome da pessoa quando nos referimos a ela, descrever tudo o que o filho ou filha fazem usando a palavra baby seguida do seu nome completo é só mais uma moda sem sentido.

O cúmulo do rídiculo é alguém escrever:

 

42 meses de ti baby Rodrigo
#amorparaavidatoda

 

Morri!

Eu sei que a minha paciência está abaixo de zero e que estou mais sensível a estes temas, mas por favor ganhem juízo e não enervem as pessoas.

 

 

 

 

 

Donas Brancas no Facebook

Em diversos grupos de vendas e trocas da rede social Facebook têm aparecido ofertas de empréstimos de entidades não financeiras e de particulares.

Este tipo de oferta é uma fraude, não é legal, é uma burla, uma forma de enriquecimento ilícito à custa de pessoas que atravessam dificuldades e recorrem a estes créditos quando não os conseguem em entidades financeiras.

 

Em primeiro lugar é de estranhar que se divulgue um negócio ilegal online, mas eles são amplamente disseminados em sites de venda, nas redes sociais e pagam mesmo anúncios para aparecem nos primeiros resultados das pesquisas, com tanta divulgação é lamentável que não exista uma fiscalização e um maior controlo destas situações.

Em segundo lugar é espantosa a quantidade de pessoas que responde às propostas, se em outros locais não é possível verificar se os burlões estão ou não a ter sucesso, no Facebook pela quantidade de comentários é possível ter uma ideia do quão mal informadas e/ou desesperadas estão as pessoas.

 

A lei, e a prudência, avisam que um empréstimo entre particulares deve ser celebrado por meio de um contrato para que ambos os intervenientes vejam salvaguardados os seus interesses, não faltam também notícias e avisos que avisam dos problemas causados por empréstimos sem contrato, mas ainda há quem acredite que é boa ideia aceitar um empréstimo de uma “empresa” ou “pessoa” que anuncia o serviço no Facebook e que ainda específica:

“sem burocracias, liquidez imediata, sem recurso a crédito”

O facilitismo e a rapidez são as supostas vantagens destas ofertas, mas são apenas um ardil para incentivar o endividamento.

 

Agiota até pode parecer uma palavra bonita, lembra uma gaivota, mas nunca se esqueçam que as gaivotas que embelezam os céus das praias são as mesmas que espalham o lixo nas ruas, sujam carros e pessoas, são carnívoras e quando encontram um alvo não o largam, são assim tão bem os agiotas bem vestidos, bem-falantes, cheios de confiança e boas intenções, mas que só querem explorar as vossas fraquezas e quando encontram o vosso ponto fraco nunca mais vos largam.

 

O sucesso deste negócio ilícito só pode ser explicado pela ignorância e pela falta de atenção das pessoas, com tanta informação disponível uma simples pesquisa demoveria quem quer que fosse a recorrer a estas situações.

As pessoas que se sentem tentadas a recorrer a dinheiro fácil para satisfazer um pequeno luxo ou desejo não têm desculpa, estão a ser apenas irresponsáveis, as que se encontram com dificuldades financeiras e perante um aperto antes de se colocarem numa posição ainda mais frágil deveriam procurar ajuda, há empresas especializadas no assunto que ajudam a gerir as finanças, a negociar créditos, é tudo uma questão de procurar informação.

 

Infelizmente as pessoas não conseguem distinguir o que é correto do que não é, tal como não distinguem uma notícia falsa de uma verdadeira, antigamente o que diziam na televisão era lei, hoje, infelizmente, é o que dizem nas redes sociais e é por isso que se disseminam mentiras, calúnias a par de negócios ilegais e diversos esquemas que escapam ao controle das autoridades.

O que se passa nas redes sociais é o espelho da nossa sociedade, se na sociedade existe corrupção, mentira, falta de ética, esquemas financeiros, contrafação, as redes socais só vieram alargar a rede de contactos e potenciais clientes para os corruptos, burlões e ladrões, abrindo um sem fim de possibilidades com a proximidade ilusória de quem está ali sempre contactável, mas que no dia seguinte se esfuma sem deixar rastro.

 

É urgente que as autoridades fiscalizem páginas de negócios ilícitos e que se infiltrem nestes grupos, que são na maioria fechados, para que os autores dos crimes sejam punidos e impedidos de ludibriar as pessoas, é uma forma também de combater a economia paralela que como todos sabemos é um problema gravíssimo para a saúde financeira do país.