Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Distanciamento nas creches e amas? Pura Utopia e Ignorância

Impedir bebés e crianças pequenas de se tocarem e brincarem uns com os outros e com os adultos que os supervisionam é impossível.

É impossível, inviável, estúpido, infeliz, desumano, cruel e revela que mais uma vez que em Portugal o superior interesse da criança, chavão tantas vezes utilizado para justificar tantas decisões, não é realmente o mais importante.

Privar uma criança da interação humana é tudo menos no seu interesse, neste caso é no interesse da economia, e se quisermos incluir aqui o interesse das crianças, fazemos um esforço e podemos pensar que lhes estamos a assegurar um futuro melhor, mas a que custo?

Um custo demasiado alto, já que é essencial ao seu desenvolvimento a interação, a partilha, a troca, os afetos, os mimos e até as birras e as brigas.

Não sei se quem definiu as regras não percebe nada de crianças, do seu desenvolvimento e do funcionamento de uma creche ou se preferiram simplesmente ignorar e esperar que as educadoras e auxiliares consigam de alguma forma minimizar as interações, a certeza que tenho é que é impossível implementar as regras de distanciamento.

O distanciamento é impraticável com crianças tão pequenas, não conseguem entender os motivos da distância e se insistirmos muito em afasta-las vão interiorizar que isso é a norma e estaremos a ensina-las a serem frias, distantes, egoístas e egocêntricas.

É claro que devemos tomar as devidas precauções e concordo que exista um reforço da limpeza e desinfeção dos espaços, mas manter as crianças afastadas não me parece razoável ou colocamos o coração de parte e nos mentalizamos que vamos ter as crianças juntas ou ficamos com elas em casa.

Já custa horrores separar-nos delas depois de estarmos tanto tempo com elas em casa, pensar que as vamos deixar num local sem afetos é agonizante.

No meu caso, tive uma conversa franca com a ama e deixei-a à vontade para lhe dar colo e mimos e para a deixar interagir com as outras crianças, não consigo conceber que seja de outra forma.

Não conseguimos estar totalmente a salvo e não conseguimos controlar tudo, no que ao Covid-19 diz respeito às vezes mais parece uma questão de sorte ou azar, é que não fazemos sequer ideia se já tivemos o vírus, é tentar viver com esta normalidade estranha e ter os cuidados necessários e esperar não termos azar de nos infetar-nos num descuido nosso ou dos outros.

Às crianças, deixem-nas ser crianças, só assim crescerão saudáveis e felizes para serem adultos saudáveis e felizes.

A culpa é das mulheres

A propósito do panfleto distribuído em Lisboa que difama uma mulher por ter tido um caso com um homem casado.

Não vou aqui reproduzir a imagem ou sequer escrever a sua mensagem porque é um verdadeiro atentado à privacidade.

 

A mulher traída culpa a outra, a culpa é sempre da outra, às vezes é da esposa e raramente é do homem, esse ser fantástico, espetacular que pobrezinho é coagido a trair, vítima dos seus instintos mais primários sucumbe perante o charme de “Eva” a mulher sedutora e pecadora.

Às vezes penso que as mulheres sofrem do complexo do Paraíso, justificando todos os males do mundo com a sua mordida na maçã, como se tudo fosse culpa desse pecado, a mulher esse ser vil, traiçoeiro que só serve para levar os homens a cair na tentação.

Seria de esperar que nos dias de hoje as mulheres soubessem mais, soubessem que alguém que trai é porque quer, é porque tem vontade e não porque alguém seduz ou alguém negligencia.

Ver a quantidade de mulheres que apoia e aplaude esta atitude ilegal e totalmente despropositada revolve-me o estômago, há ainda uma grande maioria que embora não concorde com o ato de difamação, continua a culpar a outra pela desgraça familiar.

 

A culpa não é da outra, a culpa é das mulheres que se culpam umas às outras e lutam por homens que não merecem sequer que pensem duas vezes neles.

 

Quando há uma traição cabe ao casal decidir se há motivos ou razões para continuar, nestas situações cada um sabe de si e todas as histórias são diferentes e ninguém, ninguém tem direito de julgar seja porque a relação acabou, seja porque a relação continuou.

Independentemente do rumo da relação, a culpada nunca deverá ser a outra ou o outro, quem comete adultério é que é responsável pela sua conduta, pela traição, é essa a pessoa que não é digna de confiança.

Há a questão moral, alguém entrar numa relação sabendo que está a contribuir para um adultério é sempre uma posição dúbia, mas só entra numa relação quem é convidado ou quem encontra espaço para entrar, e se um momento de fraqueza todos podemos ter, repetir esse momento e perpetuá-lo numa relação extraconjugal é inteiramente responsabilidade de quem trai.

 

Reivindicamos a igualdade e depois numa questão tão simples, são as próprias mulheres que se atacam umas às outras, desculpando os homens, juro que não entendo, nunca consegui entender esta atitude e nunca entenderei, passam de feministas a machistas em 2 segundos.

 

Acredito que no meio do choque se possa atirar e disparar raiva para todos os lados, mas sou suficientemente adulta e lógica para saber que o maior culpado é quem trai, esse que trai muitas vezes as duas, que loucas se atacam uma à outra para gáudio do garanhão.

 

Aprendam a valorizar a vossa condição de mulher, a vossa dignidade e integridade, arrastar a vida íntima para a rua não é de todo o mais sensato e mais correto a fazer, esta vingança não atenua a raiva e o ódio, apenas causa mais estragos.

 

Espero que a esposa seja veemente punida por difamação e por violação de privacidade, expor foto, nome, morada, contacto telefónico e ainda fazer um comentário tão maldoso e mesquinho, se queria devassar a vida de alguém que fosse a vida do traidor, sempre servia de aviso a outras, agora cometer um crime por despeito, que estupidez e ignorância tão grandes.

 

A culpa é das mulheres, é das mulheres por se culparem umas às outras em vez de se unirem para dar uma lição ao espertinho que trai.

 

Para as mulheres que acham que correr atrás de um homem ou defender um homem sem escrúpulos é uma causa nobre deixo-vos aqui a opinião interessante de um homem sem problemas em dizer o que os homens pensam sobre as mulheres:

“Pare de idolatrar os homens sua pamonha”

Redes sociais e a extinção das relações humanas

As redes sociais, impulsionadas pelas tecnologias móveis, ignoram o sistema pessoal de autocrítica e conferem a sensação de onipotência, com sérias consequências a nível social.

 

A comunicação digital está a colocar em perigo a comunicação verbal, especialmente entre os jovens, um estudo da Universidade de Michigan chegou à conclusão que alunos que passam muito tempo nas redes sociais, não só perdem o contato com a realidade, como perdem a capacidade de empatia e compaixão.

Esta falta de empatia faz surgir um novo tipo de vergonha, a vergonha da exposição e humilhação públicas por via das redes sociais, o motivo para o aumento significativo de bullying através da Internet, reside no facto de as pessoas sentirem que têm poder para publicar o que quiserem, como quiserem, sem consequências, não havendo preocupação com os sentimentos que as suas palavras causarão nos visados.

As redes sociais, impulsionadas pelas tecnologias móveis, ignoram o sistema pessoal de autocrítica e conferem a sensação de onipotência, com sérias consequências a nível social.

Uma foto que tiramos a um desconhecido numa situação caricata pode tornar-se viral, interferindo a uma escala global com a sua vida, arruinando completamente a sua autoestima e criando dificuldades na sua vida pessoal e social, familiar e profissional.

 

situações onde por receio de serem as próximas vítimas, jovens que recriminariam certo tipo de conduta acabam por contribuir para a sua propagação.

 

Estar atrás de um ecrã dá uma falsa sensação de proteção, faz com que as pessoas percam os filtros e ganhem uma “coragem” virtual que os faz ter atitudes e proferir declarações que não teriam e diriam se estivessem na presença das pessoas, pois a vergonha, o receio de uma reação seriam um travão e um controlo dos comportamentos e palavras.

Offline existem um conjunto de normais sociais, mais ou menos interiorizadas que se traduzem na aceitação de determinados comportamento e recriminação de outros, essas normas parecem ficar à porta da sociedade online, onde o bom sendo, a educação e o politicamente correto são substituídos pela noção de que nas redes sociais se pode dizer tudo o que se pensa.

Estes comportamentos são especialmente perigosos na pré-adolescência e adolescência, altura em que definimos a nossa personalidade e testamos a nossa forma de interagir com os que nos rodeiam, o receio de não ser aceite em determinado grupo aliado à noção de poder aumenta consideravelmente o efeito de contágio de certas publicações e comportamentos, situações onde por receio de serem as próximas vítimas, jovens que recriminariam certo tipo de conduta acabam por contribuir para a sua propagação.

 

o sentimento de bem comum foi subjugado pela cultura do eu, e a construção de relações duradoiras e estáveis deu lugar à satisfação instantânea e passageira do número de gostos e comentários.

Estamos perante dois problemas gravíssimos, se por um lado as pessoas cada vez mais ativas socialmente nas redes sociais demonstram falta de capacidade de se relacionarem pessoalmente, por outro lado essas mesmas pessoas estão a perder caraterísticas essenciais à construção de uma sociedade justa, compreensiva, coesa e feliz, o sentimento de bem comum foi subjugado pela cultura do eu, e a construção de relações duradoiras e estáveis deu lugar à satisfação instantânea e passageira do número de gostos e comentários.

 

a linguagem corporal tão importante como a escrita e a falada está em perigo de perder a sua importância

Paralelamente a esta crise de valores, a transição das interações sociais do real para o virtual cria ainda dificuldades ao nível da linguagem corporal, quando falamos com alguém não dizemos apenas palavras, todo o nosso corpo comunica, os gestos e as expressões que fazemos são um complemento essencial à comunicação, muitas vezes dizemos uma coisa e todo o nosso corpo comunica outra, é assim que percebemos que um familiar ou amigo que diz estar bem, não está, porque a sua linguagem corporal diz-nos o contrário.

As novas gerações ao relacionarem-se quase exclusivamente online, é comum ver jovens que estão lado a lado, mas que comunicam pelo telemóvel, rindo-se para os ecrãs e enviando constantemente mensagens uns para os outros, perderão essa capacidade de reconhecer e exprimir emoções corporais, a linguagem corporal tão importante como a escrita e a falada está em perigo de perder a sua importância, prejudicando grandemente a capacidade de as pessoas exprimirem e reconhecerem emoções.

 

A estas mudanças nos comportamentos sociais há ainda que acrescentar que apesar de as novas formas de comunicação serem em grande escala escritas, a capacidade de compreensão e interpretação de textos não acompanha esta tendência, pois há cada vez mais dificuldade em ler textos longos e explicativos e especialmente uma grande dificuldade em reter mais do que um dado do mesmo texto.

O consumo rápido de informação que se traduz na leitura do título e depois numa leitura na diagonal, não retendo, não analisando qualquer informação, não exercita a capacidade de compreensão, nem a memória, levando a erros de interpretação e julgamento, a par com a crescente dificuldade de distinguir conteúdo de publicidade e notícias verdadeiras de falsas.

 

O que hoje acontece é que não existe compreensão, mas existe muita interpretação e muita descontextualização.

 

Fala-se em problemas de interpretação, ler um texto e retirar dele uma interpretação sempre foi uma dificuldade, talvez porque o modelo de ensino da língua portuguesa não estimule a criatividade e pensamento crítico, mas para interpretar um texto é preciso primeiro compreende-lo, interioriza-lo, só depois disso é que podemos interpreta-lo com base nos nossos conhecimentos e experiência.

O que hoje acontece é que não existe compreensão, mas existe muita interpretação e muita descontextualização.

As pessoas estão a perder a capacidade de comunicação pessoal, as relações pessoais estão a ser substituídas por relações virtuais, empatia e compaixão, valores base de qualquer sociedade equilibrada, estão a desaparecer, a compreensão escrita deu lugar à interpretação sem critério e há um sentimento de impunidade dos comportamentos virtuais.

 

É este o caminho que queremos traçar?

O que nos espera?

Um futuro sem empatia, misericórdia, amizade, caridade, amor, calor humano, abraços, beijos, afetos?

É este o legado das novas tecnologias?

Um mundo frio, sombrio e desprovido de emoções reais?

Não há nada mais importante do que as relações humanas, são a estrutura da sociedade que sustenta tudo o resto, sem relações humanas caminhamos a passos largos para a extinção da humanidade para darmos lugar a seres ligados às máquinas, experienciando a vida dos outros sem nunca terem vivido a deles.

 

Quanto mais nos relacionámos virtualmente, quanto mais tempo passamos nas redes ditas sociais, menos seres sociais (humanos) somos.