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Língua Afiada

Nike lança hijab para as atletas muçulmanas

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A mais recente aposta da Nike está a dividir a opinião pública, enquanto mulheres muçulmanas aplaudem a iniciativa que passa a dar-lhes a oportunidade para fazer desporto com equipamento adequado, as mulheres do ocidente indignam-se com a marca acusando-a de promover a exclusão da mulher.

A Nike Pro Hijab foi apresentada como sendo um grande passo para as atletas islâmicas que queiram conjugar religião e exercício físico.

Do projeto, desenvolvido em conjunto com várias atletas, resultou uma peça que funciona como uma “segunda pele” com orifícios para a respiração, mantendo a opacidade. O vídeo promocional do hijab inclui a basquetebolista Amal Mourad, a pugilista Arifa Bseiso e a cantora Balquees Fathi.

 

Esta é uma notícia que desperta em mim sentimentos contraditórios, se por um lado acho que é de louvar que se criem condições para que quem usa hijab pratique desporto de forma confortável, por outro acho errado que se promova seja de que forma for o Símbolo da opressão da mulher.

Será realmente uma boa iniciativa?

 

A questão não se colocaria se a Nike não criasse tanto buzz à volta do assunto, poderia lançar o produto, mas seria necessário divulga-lo desta forma?

Seria, porque os Jogos Olímpicos do Rio no ano passado foram o palco escolhido por várias atletas muçulmanas para reafirmarem a sua vontade em usar o hijab, afirmando mesmo que o seu uso era um passo dado contra o preconceito que os ocidentais têm contra o uso do véu.

Custa-me que pessoas que nasceram, cresceram e vivem no preconceito venham tentar dar lições de preconceito.

Gostava particularmente de ouvir Dorsa Derakhshani, uma jovem iraniana de 18 anos que já obteve títulos de mestre internacional e de grande mestre em xadrez, que raramente comete erros no tabuleiro, mas que cometeu um, fatal, para a Federação Iraniana de Xadrez: não usou o hijab quando participou como jogadora independente no 2017 Tradewise Gibraltar Chess Festival.

 

Não me choca que as atletas queiram usar o hijab, choca-me que o usem com orgulho, quando é o símbolo máximo da opressão da mulher, choca-me que digam que o usam porque querem, quando sabem melhor do que qualquer uma das ocidentais que há muitas mulheres que o usam porque são obrigadas.

Ficou sempre chocada quando vítimas de discriminação compactuam com essa discriminação e não estamos a falar de mulheres de mulheres desinformadas, que vivem fechadas dentro de quatro paredes, são mulheres viajadas, muitas quase independentes, conhecidas, com capacidade de serem ouvidas.

E o que escolhem fazer? Compactuar com a discriminação da mulher, com a opressão, com a obrigação de se esconderem, com a sua despersonalização, para que sejam todas iguais, sem identidade, sem personalidade, para que sejam todas equivalentes na insignificância que lhe atribuem.

Quando quem que poderia fazer algo contra a discriminação, quando quem tem voz e capacidade para chegar a muita gente escolhe o lado o opressor, algo está muito mal no mundo, quando uma marca como a Nike se coloca do lado errado da luta, deixando o lucro sobrepor-se aos seus princípios o mundo está virado do avesso.

 

Não vale a pena tentarem virar a questão ao contrário, não há volta a dar, é muito mais importante a luta contra opressão da mulher, não há nada mais importante do que a luta pelos direitos humanos.

Reitero poderiam até desenvolver o produto, com certeza não são nem serão a única marca com produtos adaptados a um mercado com exigências diferentes, mas fazer disso bandeira? Nunca, erro crasso da Nike.

As mulheres devem ter o direito de usar o que bem entendem, querem usar o hijab usem, mas não me venham dizer que a maioria usa porque quer e muito menos dizer que somos preconceituosos porque não concordamos com o seu o uso, porque o hijah pode parecer apenas uma peça de roupa, mas é muito mais do que isso, é símbolo máximo da opressão e da subjugação da mulher.

Se querem continuar oprimidas e subjugadas é uma opção vossa, mas não queiram que quem acredita na igualdade de géneros concorde com isso.

Não se pode num dia aplaudir Le Pen por recusar usar o véu e no dia seguinte aplaudir uma iniciativa destas, pode-se compreender, mas daí a aplaudir vai uma grande diferença.

Terrorismo no nosso quintal

A maioria dos europeus vive com a sensação de segurança, somos um continente pacífico com índices de criminalidade relativamente baixos, cresci com os relatos dos atentados do IRA e da ETA, da Primeira Guerra Mundial e da Segunda, mas nunca pressenti a guerra aqui tão perto, recordo-me de temer a bomba atómica na altura da Guerra do Golfo, mas era tudo distante, preocupante, mas distante até 11 de Setembro de 2001, a data que mudou o mundo.

Campanhas políticas e negócios de armas à parte a verdade é que o atentado nos Estados Unidos modificou a forma como vemos o terrorismo, mesmo sendo do outro lado do atlântico era um atentado terrorista com base religiosa a um país ocidental. Não tardaram os ataques terroristas na Europa, em 2004 Espanha sofre um atentado em Madrid e em 2005 o Reino Unido sofre um atentado em Londres.

Embora as décadas de 70 e 80 tenham tido um elevado número de atentados a maioria não teve vítimas mortais e referia-se a movimentos separatistas, o IRA no Reino Unido, a ETA em Espanha e a Frente de Libertação dos Açores, em Portugal, mas nos anos 2000 a questão era outra mais abrangente, mais preocupante e muito mais difícil de controlar, um terrorismo alicerçado na religião e paradoxalmente no ódio, ataques com vista a matar e a ferir o maior número de pessoas possível, muito mais do que fazer uma afirmação o objetivo é ferir.

Este terrorismo veio para ficar e a tendência é aumentar, os ataques começaram a ser cada vez mais frequentes e não fossem as medidas de segurança e os serviços secretos seriam ainda em maior número.

O terrorismo pretende lançar o medo e o pânico, como seria a Europa se tivéssemos constantemente de olhar por cima do ombro a perscrutar se estaríamos em perigo?

Que efeitos teria isso na economia e na nossa vida? Não podemos sentir-nos intimidados, mostrar receio ou medo, mas a verdade é que a situação se torna mais preocupante a cada dia que passa, talvez não preocupante imediatamente, mas se o Daesh não for travado como será o futuro, um futuro próximo, o que farão durante os próximos 10 anos se não forem parados?

Estaremos preparados para esta guerra? Dizem que não têm medo dos nossos exércitos sem experiência em milícias, será que têm razão?

A verdade é que não podemos olhar para as notícias com ar triste e pesaroso e depois voltarmos à normalidade das nossas vidas, não podemos porque a calma que se atravessou na Europa terminou e esta guerra veio para ficar e está no nosso quintal.

Também sinto desprezo pelo Daesh e pelas suas teorias radicais, mas colocar tudo no mesmo saco não é a solução, não é com medidas extremistas de direita ou de esquerda que vamos resolver esta situação, se nos tronarmos radicais como eles corremos o risco de perpetuar uma guerra de ideais indefinidamente onde o único resultado é o sangue dos inocentes que se cruzam entre as linhas dos inimigos.

Jejum! Mas qual jejum?

Vai querer carne ou peixe? Carne, mas é dia de jejum.

Ai é? E isso quer dizer que não vou almoçar hoje?

Tive esta discussão milhares de vezes com a minha mãe, esta tradição de não se comer carne é só a coisa mais parva de sempre. Longe vão os tempos em que a carne era um luxo e o peixe o alimento mais barato, agora é precisamente o contrário comer peixe é quase sempre mais caro do que comer carne.

Além disso que lógica tem eu negar ao palato um belo naco de vitela se depois me vou deliciar com uma, igualmente bela posta de bacalhau?

E as pessoas que não gostam de carne, que só comem peixe, fazem o sacrífico de comer carne ou comem legumes?

E os vegetarianos? Não é justo têm a vida facilitada, não têm de fazer sacrifício nenhum?

Nunca entendi como farão.

A tradição de jejum, inspirada pela vida de Jesus, serviria para preparar o nosso organismo para uma eventual época de fome, a privação torna-nos mais resistentes. O tempo do Quaresma apresenta-se também como um período de reflexão e análise.

Eu acho que se esta tradição fosse levada a sério como os nossos primos afastados Muçulmanos levam, até poderia ser uma coisa boa, primeiro se estivéssemos umas boas horas sem comer ou se comêssemos realmente menos, só ajudava a nossa dieta, segundo pensar na vida e refletir é coisa que muita gente nunca fez e que se fizesse evitar-se-iam muitas más decisões.

O jejum, penitência ou reflexão como lhe queiram chamar pode ser muita coisa, mas de certeza que não se pratica por deixar de comer carne à sexta-feira durante 40 dias, se querem mesmo alinhar nisto, privem-se de pequenos luxos, pequenos prazeres durante esses 40 dias.

E por favor não me voltem a perguntar se quero carne ou peixe só para me responderem mas é dia de Jejum. Se fazem tanta questão sirvam só peixe, era a técnica da minha mãe lá em casa e nunca falhava.