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Língua Afiada

Constatações – sobre os (novos) ricos

Quanto mais massa ganham mais massa gorda acumulam.

Parece existir uma proporção entre ter “massa” e ter massa gorda. Quanto mais ricos, mais gordos.

Isto pode estar relacionado com os emigrantes endinheirados que se passeiam pelas nossas ruas em Agosto, estou convencida que comem demasiada comida processada em vez da saborosa gastronomia portuguesa.

 

Querem abraçar o mundo com as pernas.

Alguns até dão um passo maior do que a perna, quanto mais ganham, mais querem ganhar, têm uma ambição gigante em ganhar dinheiro do qual na realidade não usufruem, pois não têm tempo.

 

Não interessa ter, interessa mostrar.

Se os outros não souberem que estão ricos, é como se não estivessem, nem é preciso redes sociais, isso é para meninos, é mesmo demonstrações públicas de riqueza, carros, motos, no Verão motos de água e barcos, relógios, roupa, sacar de um maço de notas para pagar 5€ e claro aquele ar de eu sou endinheirado e encho o peito de orgulho para dizer isso a toda a gente.

 

Conta bancária de rico, espírito de pobre.

Um pobre pode enriquecer desmedidamente, mas será muito difícil perder o espírito de pobre, em pequenas coisas, pequenos gestos ele estará lá.

Importa não confundir este espírito com a constituição de poupança, há poucas pessoas mais poupadas que os ricos de há várias gerações, pois só uma gestão cautelosa do património aliada a um controlo dos gastos lhes permitiu perpetuar a riqueza, basta um familiar despesista para arruinar o património de uma família inteira.

Os novos-ricos tendem a gastar dinheiro em coisas que os fazem parecer ricos, mas engasgam-se com uma despesa inesperada e a sua reação denuncia-os rapidamente.

 

Ricos mas só no que se vê.

Os novos-ricos rodeiam-se de coisas boas e bonitas, de luxos, de sinais externos de riqueza, mas raramente cultivam o interior, pagam cursos superiores aos descendentes, mas isso não é suficiente para cultivar a mente, nem sequer falo de boas-maneiras, do saber estar, do tentar melhorar a educação académica que tiveram, mas investir em programas culturais, viajar, ler, ir ao teatro, ler jornais, ver um concerto, aumentar a sua cultura geral para conseguirem ter uma conversa mesmo que curta sobre qualquer tema.

É desconcertante perceber que diversas pessoas com dinheiro suficiente para fazerem diferença na sociedade estão completamente alheadas da comunidade e do mundo, não sendo capazes de trocar sequer duas frases sob este ou aquele acontecimento do país ou do mundo.

 

A Portugal faz falta uma classe média educada e polida, acredito que a mobilidade social é um dos melhores presentes que a democracia nos deu, a possibilidade de ter acesso a oportunidades e a crescer social e economicamente, mas é uma pena que as pessoas que subiram vários degraus na escala social não tenham subido os degraus equivalentes na escala cultural.