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Língua Afiada

Será que temos cuidado suficiente com o sol?

Depois de um Verão tímido que se mostra e depois se esconde, espera-se para os próximos dias uma vaga de calor intenso, embora tenha sido largamente anunciado e se tenham também dado indicações para lidar com o calor e com as temíveis radiações, será que os portugueses tomarão as respetivas precauções?

Acredito que uma larga percentagem faça ouvidos moucos aos avisos e se estenda sol ao estilo camarão grelhado com medo que o sol se acabe antes de conseguir o tão almejado bronzeado.

 

Não tenho dados estatísticos, baseio a minha opinião no que vou observando nas praias portuguesas, ainda ontem constatei que um jovem casal achou boa ideia chegar à praia às 11:30h com uma criança que deveria ter uns dois anos e por lá ficar até às 16h, sem guarda-sol, estendidos na areia debaixo do sol a pique, vi a mãe colocar protetor na criança, mas será prudente estar debaixo do sol intenso no pico do calor com uma criança tão pequena?

Não faltam maus exemplos não só com crianças, mas também com adultos que torram ao sol o dia inteiro aplicando bronzeador ou óleo frequentemente para queimar mais rápido.

Ontem, não estavam temperaturas exageradas, mas onde estive, uma praia fluvial no Douro, o termómetro marcava 27 graus, estive pouquíssimo tempo ao sol, sempre com proteção 50 e mesmo assim consegui falhar uma pequena área de pele que queimou.

É normal que nestes dias de calor sejam realizadas várias reportagens em praias e o cenário é sempre idêntico, pessoas que ficam na praia o dia inteiro, às vezes sem uma sombra para se abrigarem e protegerem do sol.

 

Entendo que ir carregado de tralha para a praia não é uma ideia sedutora, nem é muito charmoso, é muito mais elegante chegar com a toalha debaixo do braço, um cesto de palhinha, um chapéu e uns óculos de sol, só que isso só é aconselhável quando temos a casa ou o quarto de hotel a 5m de caminhada podendo ausentar-nos nas horas de maior calor.

Lá em casa quando vamos à praia vamos carregados, porque tentamos que a nossa estadia seja o mais confortável possível e é impreterível ter sombra disponível, por isso não faltam cadeiras, chapéus-de-sol, para-vento, comida e bebida.

Se dá imenso trabalho preparar a saída? Dá, mas depois compensa.

 

Este medo de perder o sol não é exclusivo dos portugueses, aliás acho que até estamos uns pontos acima de muitas outras nacionalidades, especialmente com o cuidado com as crianças, a proteção exagerada da prole tinha de trazer alguma vantagem, quem nunca viu ingleses e alemães a descascar ao sol?

Já vi um senhor que parecia estar a desfazer-se e mesmo assim continuou a estender-se ao sol todos os dias durante o dia todo acompanhado do seu copo de Gin, creio que a bebida seria para suportar as dores.

Não consigo entender como com tantos avisos e alertas as pessoas continuam a confiar que correrá tudo bem, que os problemas derivados à elevada exposição solar não as afetará a elas, só aos outros e que “apanhar” vitamina D até faz bem.

 

Todos tivemos uma fase em que numa tentativa de conseguir o tão almejado bronze acabamos por apanhar um ou outro escaldão, especialmente na inconsciência da juventude, mas depois vem a maturidade, a definição das prioridades e a saúde passa a ser mais importante que o bronzear, os descuidos ocasionais já são mais do que suficientes para magoar a pele, não precisamos de ser sistematicamente descuidados.

Não vale a pena dizerem que cada um sabe de si, porque quando há neglicência com a saúde de uma forma geral somos todos afetados, pois os custos do SNS saem do bolso de todos nós.

 

Tenham sempre cuidado com o sol, mas tenham cuidados redobrados nos dias em os níveis de radiação estão no máximo, protejam-se, evitem a exposição solar nas horas de maior calor, usem protetor solar, óculos de sol e chapéu e não se esqueçam de beber muita água, água, refrigerantes e cervejas não contam para a hidratação.

Usei o plano de saúde Well’s

Em Outubro de 2016 quando tentei saber mais informação sobre o seguro de saúde Well’s não consegui, o site estava sobrecarregado como mostrei aqui, dado o devido tempo à euforia e necessidade de informação voltei ao site e percebi que o seguro seria fácil de usar nas unidades de saúde e médicos aderentes, bastaria apresentar o cartão Continente para usufruir do desconto, mas na altura os “meus” médicos não estavam abrangidos.

 

Esta semana tive necessidade de recorrer a uma consulta de especialidade para a minha mãe, como sabia que alguns médicos da clínica onde marquei consulta tinham seguro Well’s fui verificar se o médico pretendido estava abrangido, estava, boas notícias.

Verifiquei então qual o procedimento para obter o desconto na consulta e mais uma vez o que é explicado é que basta apresentar o cartão Continente, parece demasiado fácil para ser verdade e acredito que passado o tempo da novidade a maioria das pessoas não se lembre que pode usar aquele cartão vermelho ou azul que apresenta no supermercado para ter um desconto numa consulta médica.

Não satisfeita liguei para a clínica e perguntei, confirmaram que sim que o médico estava dentro do seguro, confesso que mesmo depois da dupla confirmação no site e por telefone ia ainda um pouco reticente, mas de facto bastou apresentar o cartão para ter um desconto imediato no preço da consulta e ficar ainda com 15% do valor em cartão.

Foi realmente fácil, simples e rápido e por isso regressei mais tarde ao site e fiquei satisfeita em saber que os “meus” médicos estão agora abrangidos pelo seguro, ou seja, na próxima consulta usarei o seguro, aliás não voltarei a marcar uma consulta sem verificar se posso usufruir deste seguro.

 

Estas vantagens levantam sempre algumas desconfianças, parece ser um benefício demasiado bom para ser gratuito, na verdade este seguro deverá ter custos para alguém, não creio que o sistema de fidelização seja razão suficiente para as partes envolvidas, mas sem dúvida que quem fica a ganhar é o utilizador do cartão.

Curiosamente comentei com algumas pessoas a facilidade e as vantagens deste seguro e a sua reação foi no mínimo estranha, uma comparou a situação com um cartão de uma loja que dá descontos em diversas atividades, hotéis, viagens, outra apontou para a concentração de compras num só local, se entendo a perspetiva da última, já da primeira acho um pensamento redutor comparar um seguro de saúde, saúde que é só o nosso bem mais precioso e para a qual não nos coibimos de gastar seja o que for, com descontos numa refeição ou até tratamento estético.

 

Não posso deixar de pensar que as empresas do Grupo Sonae têm uma estratégia de fidelização e cativação muito agressiva e que muitas das vantagens e descontos dados aos consumidores saem caro a fornecedores e até a funcionários do grupo, mas por outro lado o grupo é responsável por uma maior democratização de benefícios, sendo que a sua rede de lojas colocam produtos e serviços outrora inacessíveis, acessíveis a praticamente todas as pessoas.

A concentração é perigosa para a economia, por isso entendo e concordo com o comentário do meu amigo, mas só com vendas cruzadas e serviços diferenciadores é que as marcas ou empresas conseguem assumir a liderança, todos sabemos que o preço é sempre um fator determinante de escolha, mas muitas vezes o serviço e as vantagens associadas a uma compra pesam na decisão final, ainda mais quando o seu valor percebido é difícil de mesurar.

O preço é importante, mas serviço, garantia e vantagens acrescidas sem dúvida fazem a diferença, especialmente quando possuímos pouco tempo para resolver os pequenos problemas do dia-a-dia e pesquisar soluções alternativas.

Viver com stress e ansiedade

Pessoa descontraída, descomplicada, otimista, alegre e vivaça vive uma vida calma e agradável, pontuada ocasionalmente por percalços mais ou menos graves decorrentes da conjugação do verbo viver.

 

Essa pessoa de descontraída passa a sofrer de stress sistemático em três simples passos:

1 – Surge um problema de saúde que condiciona toda a sua vida;

2 – O tratamento do problema implica alterações bioquímicas no seu organismo;

3 – O tratamento prolonga-se e os efeitos secundários, que incluem picos de humor, agravam-se.

E assim em mais ou menos três anos a vida da pessoa dá uma volta de 180 graus e transforma-a, uma pessoa que nunca sentiu ansiedade ou stress fica prestes a ter um ataque de pânico porque se esqueceu do descongestionante nasal no trabalho.

Esta sou eu, aqui me confesso sou uma stressada crónica.

 

O stress não é impelido por mim, não é constante, não tem uma origem identificada, frequentemente é despoletado por situações corriqueiras, sendo que nas graves mantenho a racionalidade, é nas pequenas coisas, nas mais insignificantes que tenho surtos irrefreáveis que vão desde respostas ríspidas à indignação, por vezes com episódios de fúria, sintomas que desaparecem ao fim de poucos minutos.

 

Conheço a teoria, as dicas e os truques para controlar a situação, mas nas consumições da mente a teoria é muito simples, já a prática, também eu achava que era fácil controlar o stress e a ansiedade, que era uma questão de atitude, de querer mudar, infelizmente não é, a nossa mente não é linear, é complexa, nunca sabemos como iremos reagir a determinação situação.

É possível minimizar, antecipar algumas situações, preparar-nos para outras, mas quando o nosso sistema se encontra desequilibrado, por mais equilíbrio que consigamos atribuir-lhe conscientemente o inconsciente opera silenciosamente e quando menos esperamos faz-nos balançar, ficamos na corda bamba, pendendo de um lado e para o outro, nestas situações acredito que ter uma âncora, um porto seguro, um ponto de referência que nos dá a força necessária para nos conseguirmos equilibrar e seguir lentamente o caminho pé entre pé é fulcral, a minha âncora é ele, sempre disposto a acolher o meu tumulto num abraço sereno.

 

Viver com um stress que desconhecia ser possível existir, com uma ansiedade corrosiva que me drena é um mundo novo para mim, há 4 anos se alguém me dissesse que um dia sofreria de stress e ansiedade provavelmente a minha resposta seria uma gargalhada, pois não se coaduna com a minha personalidade, com a minha forma de ser e agir, mas na vida só podemos dizer nunca para o nunca, pois é impossível dizer nunca a tudo o resto porque, simplesmente, não sabemos o que o futuro nos reserva.

 

Não menosprezem, não desvalorizem os sintomas de stress e ansiedade em adultos, mas principalmente em crianças e jovens, ninguém é assim porque quer, porque gosta, há sempre um motivo, pode ser físico, para que as pessoas se sintam assim, em alguns casos é necessário recorrer a medicação para controlar os sintomas, noutros é preciso conhecer os motivos e atacar a fonte do problema, noutros simplesmente passa por aceitar e conviver com a situação o mais pacificamente possível, em todos só tomando consciência do problema o podemos tentar controlar.

Desvalorizar os sintomas e recorrer a frases feitas e a lugares comuns não ajuda as pessoas que já estão numa situação frágil e incómoda, apenas contribui para que sintam pior e responsáveis pela sua condição, uma condição que não controlam, demonstrar empatia e dar uma palavra de conforto é o melhor que lhes podem oferecer.

 

Lembrem-se que na maioria dos casos as pessoas vivem em stress e em ansiedade por causa do que os outros e a sociedade esperam delas, não sejam parte da pressão, sejam parte da compreensão.