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Língua Afiada

Usei o plano de saúde Well’s

Em Outubro de 2016 quando tentei saber mais informação sobre o seguro de saúde Well’s não consegui, o site estava sobrecarregado como mostrei aqui, dado o devido tempo à euforia e necessidade de informação voltei ao site e percebi que o seguro seria fácil de usar nas unidades de saúde e médicos aderentes, bastaria apresentar o cartão Continente para usufruir do desconto, mas na altura os “meus” médicos não estavam abrangidos.

 

Esta semana tive necessidade de recorrer a uma consulta de especialidade para a minha mãe, como sabia que alguns médicos da clínica onde marquei consulta tinham seguro Well’s fui verificar se o médico pretendido estava abrangido, estava, boas notícias.

Verifiquei então qual o procedimento para obter o desconto na consulta e mais uma vez o que é explicado é que basta apresentar o cartão Continente, parece demasiado fácil para ser verdade e acredito que passado o tempo da novidade a maioria das pessoas não se lembre que pode usar aquele cartão vermelho ou azul que apresenta no supermercado para ter um desconto numa consulta médica.

Não satisfeita liguei para a clínica e perguntei, confirmaram que sim que o médico estava dentro do seguro, confesso que mesmo depois da dupla confirmação no site e por telefone ia ainda um pouco reticente, mas de facto bastou apresentar o cartão para ter um desconto imediato no preço da consulta e ficar ainda com 15% do valor em cartão.

Foi realmente fácil, simples e rápido e por isso regressei mais tarde ao site e fiquei satisfeita em saber que os “meus” médicos estão agora abrangidos pelo seguro, ou seja, na próxima consulta usarei o seguro, aliás não voltarei a marcar uma consulta sem verificar se posso usufruir deste seguro.

 

Estas vantagens levantam sempre algumas desconfianças, parece ser um benefício demasiado bom para ser gratuito, na verdade este seguro deverá ter custos para alguém, não creio que o sistema de fidelização seja razão suficiente para as partes envolvidas, mas sem dúvida que quem fica a ganhar é o utilizador do cartão.

Curiosamente comentei com algumas pessoas a facilidade e as vantagens deste seguro e a sua reação foi no mínimo estranha, uma comparou a situação com um cartão de uma loja que dá descontos em diversas atividades, hotéis, viagens, outra apontou para a concentração de compras num só local, se entendo a perspetiva da última, já da primeira acho um pensamento redutor comparar um seguro de saúde, saúde que é só o nosso bem mais precioso e para a qual não nos coibimos de gastar seja o que for, com descontos numa refeição ou até tratamento estético.

 

Não posso deixar de pensar que as empresas do Grupo Sonae têm uma estratégia de fidelização e cativação muito agressiva e que muitas das vantagens e descontos dados aos consumidores saem caro a fornecedores e até a funcionários do grupo, mas por outro lado o grupo é responsável por uma maior democratização de benefícios, sendo que a sua rede de lojas colocam produtos e serviços outrora inacessíveis, acessíveis a praticamente todas as pessoas.

A concentração é perigosa para a economia, por isso entendo e concordo com o comentário do meu amigo, mas só com vendas cruzadas e serviços diferenciadores é que as marcas ou empresas conseguem assumir a liderança, todos sabemos que o preço é sempre um fator determinante de escolha, mas muitas vezes o serviço e as vantagens associadas a uma compra pesam na decisão final, ainda mais quando o seu valor percebido é difícil de mesurar.

O preço é importante, mas serviço, garantia e vantagens acrescidas sem dúvida fazem a diferença, especialmente quando possuímos pouco tempo para resolver os pequenos problemas do dia-a-dia e pesquisar soluções alternativas.

Viver com stress e ansiedade

Pessoa descontraída, descomplicada, otimista, alegre e vivaça vive uma vida calma e agradável, pontuada ocasionalmente por percalços mais ou menos graves decorrentes da conjugação do verbo viver.

 

Essa pessoa de descontraída passa a sofrer de stress sistemático em três simples passos:

1 – Surge um problema de saúde que condiciona toda a sua vida;

2 – O tratamento do problema implica alterações bioquímicas no seu organismo;

3 – O tratamento prolonga-se e os efeitos secundários, que incluem picos de humor, agravam-se.

E assim em mais ou menos três anos a vida da pessoa dá uma volta de 180 graus e transforma-a, uma pessoa que nunca sentiu ansiedade ou stress fica prestes a ter um ataque de pânico porque se esqueceu do descongestionante nasal no trabalho.

Esta sou eu, aqui me confesso sou uma stressada crónica.

 

O stress não é impelido por mim, não é constante, não tem uma origem identificada, frequentemente é despoletado por situações corriqueiras, sendo que nas graves mantenho a racionalidade, é nas pequenas coisas, nas mais insignificantes que tenho surtos irrefreáveis que vão desde respostas ríspidas à indignação, por vezes com episódios de fúria, sintomas que desaparecem ao fim de poucos minutos.

 

Conheço a teoria, as dicas e os truques para controlar a situação, mas nas consumições da mente a teoria é muito simples, já a prática, também eu achava que era fácil controlar o stress e a ansiedade, que era uma questão de atitude, de querer mudar, infelizmente não é, a nossa mente não é linear, é complexa, nunca sabemos como iremos reagir a determinação situação.

É possível minimizar, antecipar algumas situações, preparar-nos para outras, mas quando o nosso sistema se encontra desequilibrado, por mais equilíbrio que consigamos atribuir-lhe conscientemente o inconsciente opera silenciosamente e quando menos esperamos faz-nos balançar, ficamos na corda bamba, pendendo de um lado e para o outro, nestas situações acredito que ter uma âncora, um porto seguro, um ponto de referência que nos dá a força necessária para nos conseguirmos equilibrar e seguir lentamente o caminho pé entre pé é fulcral, a minha âncora é ele, sempre disposto a acolher o meu tumulto num abraço sereno.

 

Viver com um stress que desconhecia ser possível existir, com uma ansiedade corrosiva que me drena é um mundo novo para mim, há 4 anos se alguém me dissesse que um dia sofreria de stress e ansiedade provavelmente a minha resposta seria uma gargalhada, pois não se coaduna com a minha personalidade, com a minha forma de ser e agir, mas na vida só podemos dizer nunca para o nunca, pois é impossível dizer nunca a tudo o resto porque, simplesmente, não sabemos o que o futuro nos reserva.

 

Não menosprezem, não desvalorizem os sintomas de stress e ansiedade em adultos, mas principalmente em crianças e jovens, ninguém é assim porque quer, porque gosta, há sempre um motivo, pode ser físico, para que as pessoas se sintam assim, em alguns casos é necessário recorrer a medicação para controlar os sintomas, noutros é preciso conhecer os motivos e atacar a fonte do problema, noutros simplesmente passa por aceitar e conviver com a situação o mais pacificamente possível, em todos só tomando consciência do problema o podemos tentar controlar.

Desvalorizar os sintomas e recorrer a frases feitas e a lugares comuns não ajuda as pessoas que já estão numa situação frágil e incómoda, apenas contribui para que sintam pior e responsáveis pela sua condição, uma condição que não controlam, demonstrar empatia e dar uma palavra de conforto é o melhor que lhes podem oferecer.

 

Lembrem-se que na maioria dos casos as pessoas vivem em stress e em ansiedade por causa do que os outros e a sociedade esperam delas, não sejam parte da pressão, sejam parte da compreensão.

 

Efeitos secundários positivos

Uma doença seja qual era for é má, quando nos dizem que a partir de agora teremos de tomar medicação durante toda a vida é assustador. O meu problema não é grave e a medicação funciona como cura, mas também de prevenção, mas como todos os medicamentos tem efeitos secundários e se a adaptação à medicação é penosa, também tem os seus efeitos positivos.

 

O médico avisou-me que as primeiras semanas seriam complicadas e que o processo se repetiria sempre que aumentasse de dose até à dose recomendada, avisou-me para que não desistisse, certificou-me que os efeitos negativos passariam ao fim de alguns dias, a verdade é que passaram, mas foram dois meses muito complicados com náuseas, enjoos, sabor metálico na boca e uma má disposição geral que me deram vontade de desistir, não desisti porque o médico me disse para aguentar, que teria de aguentar e aguentei.

 

O médico disse-me também que provavelmente perderia peso de forma gradual, mostrou algum receio porque não sou visivelmente uma pessoa com peso a mais, mas assegurei-lhe que tinha cerca de 10kg extra, não pareceu acreditar e disse-me que não perderia tanto, 1 ou 2 kg nos primeiros meses e depois perderia mais alguns kg gradualmente.

Não consegui evitar sorrir, porque nunca entendi como comecei a acumular peso, não me parecia natural do meu corpo acumula-lo, quer pelo metabolismo, quer pela minha genética, sempre achei que o aumento progressivo de peso que fui tendo ao longo dos anos não tinha sido normal porque se mudanças fiz no meu estilo de vida foram para uma vida mais saudável.

Comentei com o Moralez - Gostava tanto de perder os 10kg.

Ele logo me respondeu para não ter esperanças tão altas que provavelmente não perderia tanto, não se perdem 10kg facilmente.

 

Praticamente um ano após a primeira consulta perdi 8kg passei de 64 kg para 56kg, já não me recordava de pesar 56kg, faltam apenas 2 kg para ter o meu peso ideal, os 54kg.

É claro que os 2kg que tenho a mais estão alojados nas zonas mais complicadas, barriga, rabo e ancas, nada que algum exercício físico não ajude a queimar.

 

Pensei sinceramente que os efeitos positivos ficassem por aqui, mas eis que ontem reparei em algo inacreditável, algo que julguei nunca mais ver no espelho, fiquei tão estupefacta que pensei que eram os meus olhos que estavam a ver mal, que era da luz, ou algum efeito ótico estranho, corri para ao pé do Moralez a perguntar se ele estava a ver o mesmo que eu.

Ele confirmou e eu continuava sem conseguir acreditar, a minha celulite tinha diminuído significativamente, muito significativamente, assim ao estilo milagre, um dia estava lá, no outro não estava.

 

Não me perguntem como não reparei na evolução, não reparei, é claro que deve ter sido um processo gradual, mas não me tinha apercebido até ontem ficar incrédula sem acreditar no que os meus olhos estavam a ver no espelho, aperta aqui, aperta acolá e realmente ela particamente desapareceu.

Como disse o Moralez – Nem tudo é mau!

 

Têm sido dias, meses, anos complicados, isto é insignificante no que toca à saúde, mas não deixei de durante os 10 minutos seguintes ficar imensamente feliz.

Do mal, o menos alguns efeitos secundários são positivos.

Vá podem roer-se de inveja.

 

Nota: Não mencionei o nome do medicamento, nem mencionarei porque não quero que alguém caia em tentação de o comprar para emagrecer, pois não é essa a sua finalidade.