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Língua Afiada

Atendimento pediátrico hospitalar – É preciso melhorar

A visita às urgências hospitalares fazem parte da vida de todos os pais, quando não há sintomas adicionais à febre alta a solução passa pelas urgências para fazer o despiste de algumas doenças, nomeadamente infeção urinária.

Não sabemos o que realmente é sofrer até termos um filho doente, indefeso, que nos pede com os olhos mais ternos e solícitos do mundo que o retiremos do sofrimento que lhes estão a infligir, é como ter uma faca espetada no coração que penetra mais fundo a cada segundo, segundos que parecem minutos e minutos que parecem horas.

 

O nosso SNS é dos melhores do mundo e é dos melhores serviços que temos do Estado, nomeadamente porque ninguém fica sem assistência, se essa assistência é prestada em tempo útil e da forma mais correta é a grande questão.

Na minha opinião, enquanto utilizadora do serviço é possível fazer mais e melhor e sem investimentos milionários, mas para isso é preciso que quem toma as decisões esteja embrenhado na realidade e não sentado atrás de uma secretária, seja o poder central, regional ou a própria administração hospitalar, em primeiro lugar o ideal seria abolir as cunhas e os trabalhos para os amigos do partido no poder, em segundo lugar seria a contratação de pessoas que aliassem competências de gestão financeira com gestão de recursos humanos, não podemos esquecer que o maior ativo do SNS são os médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos que fazem a máquina trabalhar bem ou mal.

 

Pelos olhos de uma cliente/utilizadora o que eu mudaria para otimizar e melhorar o sistema de atendimento:

 

Sistema de triagem inteligente

A triagem realizada pelo enfermeiro foi um importante passo para acelerar o atendimento, porém não consigo compreender que doentes com pulseiras azuis e verdes sejam atendidos primeiro que doentes com pulseiras amarelas porque os médicos designados para as pulseiras amarelas estão todos ocupados com laranjas, isto sem avistar nenhum paciente com pulseira vermelha que nesse caso seria o caos, estas situações seriam facilmente ultrapassadas por um programa informático que gerasse avisos, não é compreensível ter bebés de meses a esperar duas horas nas urgências para serem vistos por um médico, nem crianças com febres altíssimas a definharem nas cadeiras para desespero dos pais.

Um sistema mais inteligente resolveria o problema, não estamos sequer a falar de inteligência artificial, estamos a falar apenas de parâmetros como por exemplo tempos máximos de espera e alertas para exames.

 

Exames tipo para acelerar processos

Mais de 60% das crianças que se encontravam nas urgências tiveram de fazer despiste de infeção urinária, um teste simples, que pode ser muito complicado se estivermos a falar de bebés que não têm controlo sobre as suas necessidades fisiológicas, seria muito mais simples que assim que os doentes saíssem da triagem fosse realizado o teste na sala de enfermagem, é um procedimento tipo e os enfermeiros na triagem são perfeitamente capazes de identificar a sua necessidade, esta medida pouparia horas de espera e poderia inclusive poupar uma consulta, pois acredito que entrando no gabinete médico com o teste feito metade dos pacientes teria alta no mesmo momento, evitando uma consulta posterior.

 

Salas de espera mais eficientes e de acordo com as necessidades dos pacientes

Ter na mesma sala de espera bebés, crianças e adolescentes cujas patologias são bastantes diferentes não é boa política, já que um vírus inofensivo para um adolescente pode ser uma complicação para um bebé ou criança.

Bebés até aos dois anos de idade deveriam ter uma sala de espera diferente e com as condições necessárias para prestar cuidados aos mesmos, muda-fraldas nos WC dos adultos num hospital não é boa ideia, ainda mais sem almofada, estes deveriam estar na sala de espera, para além de serem usados para mudar a fralda, também poderiam ser usados para vestir e despir os bebés, tentar vestir um bebé doente sem base de apoio e com toda a tralha que necessitamos para cuidar dele pode ser uma tarefa impossível.

Cadeirões para amamentação e espaço decente para refeições também seria recomendável, assim como a existência de água quente nas torneiras, há hospitais que estão melhor equipados que outros neste sentido, mas o ideal seria que estas condições estivessem presentes em todos.

 

Responsabilização imediata por erros

A negligência nos atos médicos é um tema problemático, mas negligência nos processos não, os profissionais de saúde têm o dever de pensar no que estão a fazer em vez de executarem as tarefas automaticamente sem equacionarem o que é melhor para o paciente, seja criança ou adulto.

Ontem, uma enfermeira antes de colocar o saco para recolha de urina, verificou que os lábios vaginais da bebé estavam ligeiramente unidos e resolveu através de pressão com uma compressa abri-los, é um procedimento que tem de ser realizado para evitar que mais tarde seja necessário operar, o que a enfermeira podia ter feito era colocar o saco para recolha da urina, recolher a urina e só depois tentar separar os lábios, o que é que aconteceu? Primeiro a bebé evitou ao máximo urinar porque sentia dor e segundo a amostra foi contaminada, obrigando a recolher urina através de uma algália, um processo invasivo e doloroso.

As enfermeiras do segundo turno e o próprio médico não ficaram satisfeitos, notou-se na cara da enfermeira a desaprovação pelo comportamento da colega, o que é que isso significa? Provavelmente nada, o mais certo é nem ser chamada à atenção, mas devia, a decisão dela não só causou mais dor à bebé como prolongou o tempo de permanência no hospital.

 

Seleção por vocação e profissionalismo

Este é um assunto complicado, pois com falta de médicos e enfermeiros é quase impossível seleciona-los pela vocação, dedicação e profissionalismo, mas deveria ser assim, aliás o processo de seleção deveria ser iniciado ainda antes do acesso ao ensino superior, para garantir que as vagas existentes são preenchidas por alunos que querem ser médicos e enfermeiros pelas razões certas, espero que nunca existam cursos privados de medicina, isso seria arruinar de vez com a profissão, conheço mais do que um enfermeiro com cursos de faculdades privadas que são menos instruídos que qualquer pessoa bem informada, já vi um dizer que tomar só dois comprimidos de um antibiótico de três dias não tinha qualquer problema.

A quantidade de profissionais brutos e maldispostos que encontramos nos hospitais é absurda, não me venham com a justificação que trabalham muitas horas seguidas, que andam desmotivados, que encontram todo o tipo de pessoas pela frente, nas outras profissões isso também acontece e não é por isso que toleramos a falta de educação e cuidado com as pessoas.

 

Até ontem sempre que recorri às urgências de hospitais ou centros de saúde fui bem atendida, por profissionais simpáticos com expressa vocação para lidar com bebés e crianças, ontem apanhei a pior enfermeira e a pior médica, cujos comportamentos me revoltaram e me fizeram questionar se é justo que qualquer pessoa com capacidade para tirar boas notas para entrar em medicina ou com capacidade financeira para tirar um curso de enfermagem estão aptas para atender, tratar e manusear bebés, seres frágeis, indefesos, incapazes de se exprimirem para além do choro. Não, não são e é muito triste e acima de tudo muito frustrante ver que existem pessoas que nem para tratar animais serviam, estarem a tratar de bebés e crianças, os seres humanos mais frágeis e mais sensíveis.

 

Na próxima visita às urgências, o ideal seria que não acontecesse, por mais que me custe estarei mais preocupada com a atitude dos profissionais de saúde do que em acalmar e tranquilizar a minha filha, eles têm deveres e nós direitos e devemos fazer valer-nos deles.

Continua a dizer que é uma pena que se fale de tanta coisa sem importância e ninguém fale dos reais problemas do país.

Voltemos às politiquices - Ministério falseou dados do SNS

Este não é um blog de política, não sou política, nem sequer tenho filiação política, nem tão pouco posso dizer que sou simpatizante de um partido político, estou ali ao centro na ideologia, mas sem definição.

Não sendo ativa na política não significa que não esteja atenta ao que me rodeia e ultimamente tem-me custado imenso assistir ao rumo que o país leva e à incapacidade das pessoas perceberem o que realmente se passa.

 

Posso também eu estar a ser iludida por artigos de opinião, notícias e estudos, duvido, mas não é impossível, não obstante parece-me que o povo é que tem sido constantemente engando pela propaganda idílica do PS, este Governo que para mim nasceu torto e, passando a expressão, pau que nasce torto jamais se endireita, nunca me inspirou confiança, mas permitiu ao país a tão almejada estabilidade e em tempos onde a estabilidade é palavra de ordem, foi do mal o menor.

 

Temos assistido ao aumento do nível de confiança dos portugueses, o país está a crescer e o défice a descer, o défice desce, não a dívida pública importa esclarecer. Houve realmente a devolução do rendimento aos portugueses, existirão no OE de Estado de 2018 mais medidas, em especial a alteração nos escalões de IRS que restituirá mais dinheiro aos contribuintes, no entanto, o motor do crescimento não se deu com base no aumento do consumo tal como previsto pelo Governo, mas ao aumento exponencial do Turismo que veio mesmo a calhar.

 

Para as restituições pensadas para os contribuintes existirão medidas aplicadas noutros sectores, aumentos de impostos diretos e indiretos para fazer face às novas despesas, o povo parece esquecer-se que para de dar de um lado tem de se ir buscar dinheiro a outro, é a regra básica das finanças, mas que todos parecem ignorar, pois aparentemente o país cresce e supostamente tem mais dinheiro.

 

O povo está feliz e contente porque supostamente a austeridade terminou e vivemos tempos de prosperidade, não sei quem acredita ser possível uma mudança tão drástica de cenário só porque mudou o partido do poder, o próprio António Costa admitiu não ter uma varinha mágica, então porque insiste o povo em acreditar que tem?

Já há alguns meses a esta parte que vem sendo dito que a austeridade não terminou, apenas foi redirecionada, pois existiram cortes e cativações no investimento em diversos ministérios.

 

Hoje, o Observador avança uma notícia deveras preocupante:

Acesso ao SNS “degradou-se” entre 2014 e 2016 e Ministério falseou dados sobre cirurgias, acusa Tribunal de Contas.

 

Em 2016, 2.605 doentes morreram à espera de cirurgia, dos quais 231 eram doentes oncológicos.

Em 2016, não só foi interrompida a emissão automática e regular de vales cirurgia, como foi privilegiada a sua substituição pela emissão de notas de transferência para unidades hospitalares do SNS (ao invés de hospitais do setor privado e social).

 

Esta opção teve efeitos negativos sobre os tempos de espera dos utentes, que poderiam ter visto a sua situação resolvida mais rapidamente se lhes tivesse sido dada a possibilidade de optarem por uma unidade hospitalar do setor social ou privado, através da emissão atempada de um vale cirurgia”, lê-se no relatório divulgado esta terça-feira, que revela o aumento do tempo médio de espera dos utentes transferidos: de 259 dias em 2014 para 300 dias em 2016.

Mas o Tribunal de Contas vai mais além na análise e deixa ainda uma crítica ao Ministério da Saúde que, via Administração Central do Sistema de Saúde, em 2016, limpou as listas de espera para primeiras consultas de especialidade nos hospitais e, nesse exercício, eliminou administrativamente “pedidos com elevada antiguidade, falseando os indicadores de desempenho reportados”. Daí que, na lista de recomendações, haja uma referência a esta matéria, pedindo-se que a ACSS “não adote procedimentos administrativos que resultem na diminuição artificial das listas e dos tempos de espera”.

 

Não há austeridade mas morrem pessoas por falta de cirurgia, temos dados falseados e irreais, mas andamos contentes, isso é o mais importante.

Algumas vozes têm-se erguido também sobre a falsidade dos dados do desemprego, se os dados da dívida pública e do SNS têm sido manipulados e transmitidos da forma mais conveniente, quem nos garante que todos os outros não sejam também tendenciosos e falseados?

 

Encontro cada vez mais semelhanças entre o que se passa hoje e o que passou antes do resgate financeiro, preocupa-me que nos estejamos a precipitar para uma crise muito mais profunda e com consequências muito mais duradouras do que anterior. Nada que não soubesse, todos os especialistas vaticinam uma nova crise, o que preocupa é a manipulação da informação e até da comunicação social.

Manuela Moura Guedes foi afastada de TVI assim que usou questionar José Sócrates, não há dúvidas que este manteve um controle da informação durante os seus Governos, estaremos perante uma segunda vaga de informação habilidosamente manipulada?

Talvez Costa não tenha uma varinha mágica, mas sim uma calculadora e uma impressora mágicas.