Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Tudo ao contrário – multas para quem deixar animais de estimação mais de 12h sem companhia

Em Portugal, a norma não é exigir condições para fazer as coisas bem, é punir as pessoas por não terem alternativas ou reclamar condições para fazer as coisas mal.

Este projeto de lei do PAN é anedótico, mas só o é porque, infelizmente, há pessoas que são obrigadas a se ausentarem de casa mais de 12h e não é assim tão difícil isso acontecer, basta ter duas horas de almoço, um hábito português que não faz qualquer sentido e trabalhar longe de casa e/ou ter de recorrer a múltiplos transportes públicos.

Como escrevi há tempos os portugueses não têm tempo para viver, é claro que não lhes sobra tempo para dedicar aos animais de estimação, falta-nos tempo para os filhos, para os companheiros, como poderia ser diferente com os animais?

A situação não passa por multar as pessoas por estarem fora de casa, mas sim criar condições para as pessoas passarem mais tempo em casa ou em lazer, assim como não faz sentido reclamar de horários mais alargados nas escolas e prolongamentos gratuitos, o que importa reclamar é menos horas de trabalho.

Será que ainda não entenderam que as pessoas são mais produtivas se andarem mais motivadas e menos cansadas, será que é assim tão difícil perceber que a felicidade e o bem-estar são o melhor motor da economia?

Não existe sequer necessidade de experimentação, o modelo está mais que testado e aprovado em outros países, há centenas de estudos que comprovam que bebés e crianças pequenas devem passar mais tempo com a família para o bem da sua saúde física e mental, assim que como há centenas de estudos que afirmam que é benéfico o convívio das crianças com animais de estimação, bem como estudos que comprovam que uma jornada de trabalho longa é prejudicial à saúde e à produtividade que começa a diminuir progressivamente e exponencialmente com o passar das horas.

Não física quântica é a mais pura das verdades, mas parece que ninguém quer saber disto.

Não se entende também porque é que os funcionários públicos trabalham 7h diárias e está estabelecido na lei que para o privado são 8h, bem sei que o está estabelecido é o máximo, mas porque é que é que o máximo não são 7h?

A divisão do dia em 8h de trabalho, 8h de lazer e 8h de sono é uma relíquia da revolução industrial antes de existir a tecnologia de ponta que existe nos dias de hoje e quando as pessoas viviam ao lado das fábricas, atualmente este modelo não faz qualquer sentido, não só não se adequa às necessidades da nossa vida, como não se adequa às necessidades das empresas, devemos trabalhar para a eficiência e a eficácia, fazer as coisas bem no mais curto espaço de tempo.

Quanto à proteção dos animais, concordo inteiramente que se protejam e que se produza legislação para isso, mas convém também dar formação às pessoas, porque na verdade não conheço uma única que pessoa que tenha levado uma multa por maus-tratos a animais, assim como não vejo multas para quem deixa dejetos de animais em todo lado e não respeita a sinalética.

É muito triste ver cães a fazer necessidades nas praias e nos jardins onde depois brincam crianças, há que ter noção que os animais são importantes, mas os humanos, especialmente os que ainda não sabem cuidar de si são mais, se há locais específicos para levar animais a passear são esses que devem usar se os quiserem livres, se os levam para outros locais tenham em consideração o comportamento do animal e o seu próprio comportamento.

Duas notas:

Primeiro, é peculiar que estejam preocupados que se deixe um animal sozinho mais de 12h e ninguém se preocupe que crianças com menos de 3 anos estejam precisamente 12h com estranhos, por mais profissionais que sejam, são estranhos e não lhes conseguem dar a atenção necessária.

Segundo, não menos peculiar é que continuem a querer legislar sem que seja realizada pressão para que seja cumprida a legislação que já se encontra em vigor, aprovar leis para agradar o eleitorado é uma falácia, o que precisamos é de alterar comportamentos pela formação e educação.

Mas afinal que importância tem um blog?

Em primeiro lugar tem a importância que o autor lhe dá, já que só e apenas o autor sabe as verdadeiras motivações, frustrações, intenções e objetivos do seu espaço de escrita.

Em segundo lugar tem a importância que os leitores lhe dão, seja pelos números de visitas, de favoritos, de seguidores, de comentários, mas mais uma vez voltamos à importância que o autor lhe dá, já que para um autor ter 100 visitas pode ser motivo de grande orgulho, enquanto que para outro 1000 visitas será um número muito abaixo das suas expetativas.

A seleção dos posts para destaques pela Equipa do Sapo Blogs sempre foi motivo de arrufos para alguns membros deste bairro, recordo-me dos meus primeiros destaques, foi nessa altura que descobri que os haters não precisam necessariamente de não gostar de mim, só não gostam que apareça mais do que eles.

Se todos os posts destacados são bons? São, uma vez que não existe nenhum método científico de classificação dos conteúdos e por isso a seleção será sempre com base em opiniões, mas não devemos esquecer que são opiniões de profissionais experientes, com muito mais capacidade de decidir o que deve ou não ser destacado do que qualquer autor deste bairro e que não sabemos o que motiva ou justifica o destaque, eles terão os seus parâmetros, regras e lógica.

Outro motivo de discórdia são os posts mais comentados, já que algumas conversas mantidas na caixa de comentários dos blogs fazem estalar o verniz de algumas elites aqui do bairro, mas a verdade é que por atrás dos blogs estão pessoas e se essas gostam de comunicar entre si, mesmo que seja a falar de trivialidades na caixa dos comentários, mais uma vez ninguém tem nada a ver com isso, até porque os blogs não são exclusivos de senhores doutores cultos e letrados que só discutem assuntos de alta importância, fulcrais para a nossa sociedade, os blogs são acessíveis a todos, e todos temos direito a nos exprimir da forma que sabemos e queremos, aliás há blogs criados apenas para desopilar da rigidez e seriedade da vida.

Temos a liberdade de escrever sobre o que queremos e bem entendemos, temos a liberdade de colocar o blog em privado, de moderar os comentários, de apagar comentários inapropriados e até de bloquear perfis, da mesma forma, quem nos lê tem liberdade de ler ou não ler, de comentar ou não comentar, de concordar ou discordar e os autores dos blogs têm também a liberdade de lerem e visitarem quem bem lhes aprouver e acima de tudo têm a liberdade de escrever sobre o que lhes apetece.

Não sei qual a dificuldade de algumas pessoas em entenderem esta dinâmica, muito menos não entendo a necessidade de cobrar atenção, visitas, comentários e destaques. Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto, escreverei as vezes que considerar necessárias, o blog é meu, é pessoal e nele eu escrevo o que quero, quando quero e converso sobre isso com quem eu quero.

Não obrigo ninguém a visitar-me ou a comentar, não é porque estou numa lista que são obrigados a ler ou a gostar, concordar com o que escrevo, é assim simples, não é física quântica.

 

 

Metade dos jovens portugueses não distingue opinião de facto na Internet

Apenas 47% de todos os jovens inquiridos conseguiu distinguir um facto de uma opinião. Em Portugal, a percentagem subiu para 50%, a conclusão é de um estudo da OCDE e embora seja deveras preocupante, deixa-me a pensar quais seriam as conclusões se analisassem outras faixas etárias.

É preocupante, mas não é surpreendente, é aliás mais do que expetável, já que apetência para utilizar aparelhos eletrónicos não é sinal de inteligência e capacidade de compreensão e a questão que tem escapado não é a sua utilização, mas como são utilizados e para que finalidades.

Quando se trata da utilização de novas tecnologias pelas crianças há extremos, de um lado os pais que acham que é tudo normal, que faz parte, que é bom e que se os filhos não aprenderem a utilizar partirão em pé de desigualdade na corrida, do outro os pais que acham que as tecnologias deveriam ser erradicadas completamente da vida das crianças, adiando a sua introdução o máximo que conseguem. Como em tudo acho que o equilibro possa estar no meio, mas quando falamos em bebés e crianças pequenas seria preferível sermos todos radicais e colocar de parte as tecnologias.

Num mundo perfeito talvez isso fosse possível, mas nos tempos em que vivemos erradicar a tecnologia da vida das crianças é quase impossível, elas são o nosso espelho e se estamos constantemente a utilizar o telemóvel e o computador será mesmo isso o que elas tentarão fazer ao imitar o nosso comportamento, ainda mais quando percebem que aquele retângulo permite ver vídeos dos seus desenhos animados favoritos.

E tempos de pandemia e de teletrabalho é mesmo impossível, pois somos obrigados a utilizar as tecnologias e muitas vezes foram elas a única solução de muitos pais para sossegar os miúdos por uns minutos para tratar daquele assunto mesmo urgente. Cria-se um hábito que depois é muito difícil de contrariar, mas tempos difíceis requerem medidas desesperadas para nosso desespero futuro.

Até certa idade vamos conseguindo controlar, mas chega um ponto que é preciso pulso firme e muita capacidade de argumentação para evitar alguns comportamentos, costumo dizer que se as redes sociais dizem a partir dos 16 anos, porque é que se inscrevem crianças adulterando a sua data de nascimento com muito menos idade?

Achava isto muito estranho, mas desde que vejo comentários de mães que dizem alimentar crianças de 6 meses com iogurtes cuja embalagem diz a partir dos 3 anos, acho que mentir sobre a idade numa rede social é perfeitamente aceitável em comparação direta.

Voltando ao assunto inicial, se os pais fazem um uso pobre da tecnologia, se muitas vezes eles próprios não distinguem factos de opiniões, se não sabem explicar as vantagens do acesso à informação, se não se cultivam, como é que podem cultivar nos filhos o gosto por outras atividades mais lúdicas e intelectualmente desafiantes?

O problema não é o uso, é as horas infinitas que passam atrás de um ecrã em conversas e em jogos, para além do problema óbvio do sedentarismo, temos o problema da interação social, a continuar assim os jovens só saberão exprimir-se com emojis, podemos juntar ainda um grave problema que é a incapacidade de concentração e de aprofundamento de um assunto, um problema que não é exclusivo dos jovens, que começa a ser uma realidade para os adultos.

Vivemos demasiado conectados, é cada vez mais difícil de desligar, temos vidas stressantes em constante correria, mas quando temos tempo de descanso o que fazemos? Vê-mos o feed de notícias do telemóvel. Suspiramos por férias, mas estamos de férias e estamos preocupados em documenta-las nas redes socias.

Será que estamos a dar um bom exemplo? Ou estamos apenas a encaminhar as gerações mais jovens para um mundo cada vez mais digital, virtual e de faz de conta?

Não se distinguirem factos de opiniões, notícias falsas de verdadeiras é o caminho para a ignorância e para o populismo, avizinham-se tempos difíceis, até porque se a história se repetir teremos uns loucos anos 20 e depois uma grande depressão, é bom que não nos deixemos iludir com os salvadores da pátria que vão surgindo e que clamam ser a solução de tudo, batendo no peito e exultando, porque o caminho para a sua ascensão está a ser construído e nós nada fazemos para o fechar.