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Língua Afiada

É a Matilde, mas podia ser a minha ou a sua filha.

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Matilde é uma menina especial, que nasceu com uma doença rara, Atrofia Muscular Espinhal - AME Tipo I, a forma mais grave da doença.

A AME é uma doença genética que afeta todos os músculos do corpo, fazendo com que a Matilde não tenha capacidade de mexer os braços e as pernas, respirar, engolir e fazer bater o seu coração.

O prognóstico da doença é muito mau, a maioria dos doentes falece nos primeiros dois anos de vida devido à insuficiência respiratória. No entanto, em alguns casos, as manifestações são estáveis ou até mesmo regridem, e os doentes podem viver mais tempo, mas a esperança de vida é de quatro anos.

Há esperança para a Matilde, um tratamento inovador Zolgensma “gene therapy” aprovado a nos EUA pela FDA, já foi enviado para a EMA para aprovação na Europa, este medicamento poderá ser a cura para esta doença, mas é o medicamento mais caro do mundo e não se sabe se chegará ou se chegará a Portugal.

Os pais da Matilde necessitam de 2.1250 milhões de euros para uma intravenosa com a duração de 60 minutos de “Zolgensma” para salvar a vida da Matilde.

Olho para as fotos da Matilde e vejo o mesmo olhar terno, atento, curioso e amável que vejo na minha filha, uma expressão linda que nos preenche o coração de amor e felicidade, não consigo sequer imaginar o desespero dos pais da Matilde, consigo apenas estar solidária com eles, por isso já fiz o meu pequeno donativo e apelo a que também o façam.

Nenhuma criança merece morrer sabendo-se que poderia ser curada, mas o capitalismo fala sempre mais alto que todos os valores éticos e morais, há milhões de crianças que não conseguimos salvar da fome, da miséria, da doença, mas juntos podemos salvar a Matilde.

Podem saber mais sobre a Matilde na página "Matilde, uma criança especial" criada pelos pais, assim como IBAN da conta criada para reunir os 2 milhões de euros que necessitam para realizarem o tratamento.

2 milhões de euros pode parecer uma fortuna, mas se passarmos a  palavra e se cada um contribuir como que o conseguir, é possível salvar a Matilde.

Andar com pezinhos de lã

A vida é um stress. A vida de todas as pessoas é um stress, desengane-se quem pensa o contrário, a diferença entre uns e outros é apenas e só uma, a forma como se lida com o stress.

Não sei de onde apareceu a moda de compararmos vidas, mas a verdade é que comparamos tudo para o bem e para o mal e o grau de stress é um tema recorrente de comparação, porque há pessoas que acham sempre que a sua vida é mais stressante ou mais atribulada que a dos outros, curiosamente e salvo raras exceções, são precisamente as pessoas que têm a vida “mais facilitada” que mais se queixam, quando pessoas com empregos de mais parecem trabalho escravo, problemas de saúde, muitas vezes problemas financeiros e até problemas familiares colocam uma cara alegre porque viver só por si é motivo de alegria. Perdoem-me a comparação, mas há casos gritantes.

Cada um lida com as suas dores e os seus problemas à sua maneira, mas é irritante lidarmos com pessoas que são incapazes de ver que os outros também têm problemas, mas há algum adulto que não tenha problemas?

Há pessoas que são críticas, que para lidarmos com elas temos de estrategicamente andar com pezinhos de lã em cima de ovos, não vá existir um ruído mais alto ou estalar uma casca, a questão é que se conseguimos fazer isso durante algum tempo, haverá um dia em que nos cansamos e batemos no chão de salto e esmagamos todos os ovos.

Por outro lada há outras que podem aparecer de olheiras até ao umbigo, de ar cansando e semblante carregado que nunca são levadas a sério, mesmo quando se queixam uma vez por ano, não sei se será por falta de lamúrias, talvez pensem que anda sempre feliz e contente e que por um dia mais cansativo já parece um farrapo é porque está mal habituada.

O que sei é que parece que temos de andar em pezinhos de lã, sempre com reservas, sempre com receios para não melindrar, não incomodar as pessoas, especialmente essas que têm (dizem elas) uma vida tão stressada.

A conclusão é simples a sociedade gosta de hipocrisia, falsidade e bajulação e todas as pessoas que saem deste padrão são severamente penalizadas seja na vida pessoal, seja na vida profissional.

Assertividade, frontalidade, honestidade não são bem aceites, causam demasiado rebuliço, são inconvenientes, assim como temas sérios e profundos, o que interessa é rir e falar alto, mesmo que não haja uma única conversa importante durante meses, porque assim vivem descontraídos e alienados de tudo, convencidos que os problemas do seu minúsculo e insignificante mundo são os mais graves e terríveis.

Há pessoas que nascem com capacidade de introspeção, com capacidade de se colocarem no lugar dos outros, com capacidade de reflexão e análise, com uma visão da vida alargada e abrangente, já outras nascem com os olhos virados para si e são incapazes de olhar para o próximo e perceber que este precisa dele.

 

Auto motivação no trabalho

Quando iniciamos a nossa atividade profissional ou quando mudamos de emprego estamos, regra geral, motivados, queremos demonstrar o nosso valor, expor as nossas ideias, contribuir para o crescimento da empresa e sentirmo-nos integrados, vestimos a camisola num ato de boa-fé, afinal a empresa apostou em nós, é tempo de apostarmos nela.

 

Dizem os entendidos que não devemos permanecer muitos anos no mesmo local, sob pena de estagnarmos, não poderia estar mais de acordo, ou o cargo ou empresa se apresenta como desafiador e está em constante mudança e crescimento ou acabaremos por nos conformar, criar hábitos, rotinas e até vícios prejudiciais ao nosso desempenho.

É inevitável ninguém consegue manter uma alta performance sem motivação, e se o trabalhador tem obrigação de se renovar, reinventar, crescer e evoluir, a empresa tem obrigação de lhe proporcionar um ambiente propício a esse desenvolvimento, é aqui que muitas vezes as empresas falham.

 

Não podemos exigir mais e mais a um trabalhador se não compensarmos o seu esforço, não se trata apenas de uma compensação monetária, o reconhecimento do bom trabalho é importante para que o trabalhador se sinta realizado, mas palavras de agradecimento esgotam o seu poder quando o trabalhar se vê estagnado a nível financeiro.

A componente financeira é importante, por muito que um emprego nos realize, se a recompensa financeira não acompanhar o nosso desempenho haverá um dia em que isso deixará de ser suficiente, é nessa altura que se instala a desmotivação, a inércia, o desleixo.

Existem também situações opostas, onde a recompensa financeira nos agarra ao emprego, mesmo quando não existem palavras de reconhecimento, mesmo quando existe mau ambiente no local de trabalho.

 

O ideal é ter um ambiente justo, amigável numa empresa que sabe distinguir as pessoas pelo trabalho que apresentam, onde existe uma avaliação contínua e recompensas para quem realmente apresenta bons resultados, premiar as pessoas pelo seu trabalho é a melhor forma de manter um trabalhador motivado, mas deve-se premiar pelos objetivos individuais e não de grupo e muito menos em função das horas extraordinárias.

Um dos graves problemas das empresas, mesmo as que trabalham por objetivos é não saberem em que medida cada trabalhador contribuiu para esse objetivo, colocando as pessoas em grupos, sem diferenciação, é o primeiro passo para se criarem desconfortos porque assim se criam desigualdades.

 

As empresas não são uma comunidade comunista, onde não interessa o que cada um faz, que responsabilidades tem, não se pode simplesmente dividir as recompensas equitativamente por todos, isso é nivelar o desempenho por baixo, é dizer que não à competitividade e ao crescimento pessoal de cada trabalhador dentro da empresa, é condenar as empresas ao declínio.

 

O trabalhador por mais resiliente que seja tem um limite para se auto motivar, para estar constantemente a tentar provar o seu valor quando a empresa pretende ignorar as diferenças entre a competência das diversas pessoas que integram os seus quadros, quando se chega a uma altura em que não se quer saber, em que nos limitamos a desempenhar as tarefas instituídas, sem acréscimo de valor, todos ficam a perder, mas o que as empresas não parecem perceber é que são elas as maiores prejudicadas.

 

Há um limite para a auto motivação, estou claramente à beira de ultrapassar o meu.