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Língua Afiada

Tempo

Já desejei que o tempo passasse mais devagar, que fosse lento e comprido, que esticasse para me perder nas suas horas, já desejei que o tempo passasse mais depressa para me levar aos lugares que projetava para o futuro, já desejei que o tempo parasse, ficasse suspenso para saborear a felicidade de um momento.

Por estes dias o tempo assumiu uma cadência própria, escasseia, escorre-me por entre as mãos, nunca é suficiente, nunca me basta, termino os dias a pensar no que deveria ter sido feito e no tanto que tenho para fazer no dia seguinte.

Nunca tive uma boa relação com o tempo, sempre me pareceu trapaceiro, demorando-se e arrastando-se quando tenho pressa e fugindo quando preciso de calma, a nossa perceção do tempo depende daquilo que fazemos com ele e é precisamente aí que reside o meu problema, não tenho tempo para fazer tudo aquilo que almejo.

A prova é este blog que nas últimas semanas tem estado quase ao abandono, nem para desabafar e colocar os pensamentos em dia tem havido disponibilidade, todos os espaços temporais são preenchidos pelas inúmeras tarefas, rotinas, decisões, reuniões e trabalho, nem ao adormecer há tempo para alinhavar textos e ordenar palavras.

Não me queixo, uma vida preenchida é bom sinal, gosto de estar ocupada, gosto de novos projetos, gosto desta adrenalina de correr conta o tempo, mas começo a sentir-me cansada, preciso de uma pausa para desligar e reequilibrar corpo e mente.

Teria tanto para escrever, para contar, para opinar, mas por enquanto fica apenas este desabafo com a certeza que o que custa é escrever o primeiro texto, outros se seguirão com a mesma naturalidade de sempre, não fosse este espaço o meu refúgio, o meu local sagrado onde coloco a nu os meus dilemas e frustrações, onde partilho as minhas alegrias e as minhas conquistas, onde reclamo e aplaudo e me sinto completa e feliz.

O tempo, não darei ao tempo, tempo, viverei o tempo que o tempo me dá com o tempo que tenho.

Coisas insignificantes com significado

 

Abri uma folha digital em branco, uma necessidade, uma urgência de não deixar por dois dias o blog sem textos, não sei se é obrigação, dever, responsabilidade ou simplesmente hábito.

Primeiro pensei em escrever algo leve como se quer e se recomenda às sextas, depois pensei explicar-vos que tenho cada vez menos tempo disponível para escrever, mas logo me encolhi, estamos todos sem tempo, nota-se, haveria ainda assim muito para discorrer sobre as dificuldades que tenho tido em organizar o meu tempo, no acumular de tarefas causadas por mudanças e acréscimos, muito poderia falar da minha falta de disciplina e da inabilidade de priorizar.

Pensei ainda dar-vos um review de uma série, mas não me apetece escrever sobre as histórias dos outros, apetece-me escrever sobre a minha história, mas não quero que este blog seja apenas sobre a minha vida, quero que seja sobre como vejo a minha vida e a dos outros e também como vejo o mundo.

O mundo é cada vez menos um lugar convidativo, desilusão constante, carece de exemplos de força, honestidade, idoneidade, verdade, não há dia em que não se descubra uma corrupção, um crime, sempre os houve, mas o que esperar quando os exemplos, os líderes são o oposto do esperado?

Há tanto para discutir e refletir, pensamos dois minutos nos temas fraturantes do mundo e seguimos com a nossa vida, a reunião não pode ser adiada, o comboio não espera por nós, o jantar não se prepara sozinho, embrenhamo-nos na vida sem nos inebriarmos dela, afinal o tempo corre e nós corremos com ele, incapazes de perceber que ele só corre porque nós vivemos a correr.

Liguei o AC a quente

Verdade, não aguentei mais a pressão e liguei o ar condicionado a quente e parece que morri um bocadinho.

O Verão ainda não terminou no calendário, mas o Outono que mais parece Inverno já assombra os nossos dias com especial interferência nas noites.

No fim-de-semana passado viemos muito mais cedo da Feria Medieval de Leça da Palmeira por causa do frio que se sentia que nem a comida quente apaziguava. Este sábado conseguimos aguentar estoicamente o frio até mais tarde na Festa do Caldo da Quintandona, muito à custa caldo (do champarrião), mas a partir da meia-noite começou mesmo a ser insuportável.

Setembro por norma costuma ser o mês em que queimamos os últimos cartuchos do Verão, parece que subitamente há uma urgência em aproveitar os dias quentes e as noites agradáveis antes que terminem, mas este Setembro tem sido muito desagradável com as nossas intenções, deixando um travo amargo e o coração apertado de saudades do Verão.

Não estou ainda preparada para te dizer adeus Verão.

Volta por favor, prometo que te trato com todo o carinho que mereces.