Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

As minhas séries #6 La Casa de Papel

La-Casa-de-Papel-Netflix.jpg

 

 

***Não tem spoilers***

 

Das séries mais viciantes que já vi, assim de repente só me lembro de ter colado desta forma em The Game Of Thrones, queremos ver episódio atrás de episódio para desvendarmos o final, por várias vezes tive vontade de ver o último episódio só para perceber o destino daqueles assaltantes com nomes de cidades.

Um grupo de oito assaltantes recrutados e liderados pelo “Professor” passa cinco meses a estudar um assalto à Casa Nacional da Moeda Espanhola, entram no espaço e barricam-se com reféns no interior para imprimir milhões de euros impossíveis de rastrear, enquanto o Professor controla habilmente o assalto e as autoridades do exterior.

As personagens são fantásticas, muitíssimo bem construídas, começamos por sentir empatia pela causa, depois carinho pelos seus motivos e finalmente queremos que vençam, que saiam da Fábrica de Papel inteiros e bilionários.

 

Queremos que vençam os maus, porque na série os maus afinal são os bons, queremos que batam o sistema, que façam história, a certo ponto do enredo começamos mesmo a detestar alguns reféns, ganhámos cada vez mais respeito pelos assaltantes e só queremos que todos saiam são e salvos do assalto do século.

No meio e tanta tática, manipulação, estratégia e planeamento somos constantemente surpreendidos pelas soluções que o Professor encontra para resolver os diversos imprevistos que vão surgindo, situações limite que nos deixam em suspenso e que nos fazem querer sempre ver o episódio seguinte.

 

A história poderia ficar por aqui, mas não, pelo meio do brilhante plano e das diversas situações que acontecem, há tempo para conhecer as personagens, os seus medos, dilemas, sonhos, em cinco meses os membros do assalto tornaram-se a família que muitos deles nunca tiveram, mas o cansaço, o stress, a privação de sono e os contantes imprevistos fazem que com que estejam sempre a ponto de perder a cabeça e deitar tudo a perder.

Do lado de fora o Professor manipula habilmente e de perto as autoridades, aproxima-se de Raquel a inspetora responsável pela moderação com os assaltantes, se num minuto ouvimos as hilariantes conversas que ambos têm telefonicamente, nos minutos seguintes conversam presencialmente, enquanto receamos que o Professor dê um passo em falso e seja apanhado.  

A minha personagem favorita é a Tóquio, embora cometa muitos erros durante o assalto, o seu temperamento e a sua garra são incríveis, mas todas as personagens têm personalidades fascinantes e complexas.

O melhor da série é que é quase impossível adivinhar o que acontecerá a seguir, podemos adivinhar o final, mas nunca o caminho para lá chegar, na série toda só consegui desvendar um detalhe antes de ser desvendado no último episódio.

 

Pelo meio de tiroteios, stress e muita adrenalina há espaço para o amor e são várias as histórias que vamos conhecendo ao longo da semana que os assaltantes se barricam na Casa Nacional da Moeda.

É precisamente as constantes alterações do passado e do presente, entre o que se passa no exterior e no interior que dão uma dinâmica vertiginosa à série, pois em vez de abrandarem o ritmo dão-nos ainda mais vontade de conhecer o final do Professor, de Berlim, Tóquio, Rio, Nairobi, Oslo, Helsínquia, Denver e Moscovo.

No final da série há espaço para explicar alguns detalhes como a escolha das máscaras, da música, tudo pensado para vencer o sistema.

 

Uma nota se derem por vocês a dizer ou a pensar palavrões em espanhol, não se espantem, deve ser geral, é impossível não ficar com aqueles chavões na cabeça. Também podem tentar rir como o Denver, tentei e cheguei a conseguir.

 

Por mais tentador que seja fazer uma sequela, não o façam, é altamente improvável que consigam manter o nível de qualidade, uma série destas só se faz uma vez.

Quando terminarem a Casa de Papel ou se já terminaram, para não se sentirem órfãos de séries vejam “O Mecanismo” também na Netflix, falarei dela noutro dia.

Super Nany e a reação dos portugueses

Estreou no passado domingo o programa Super Nany na SIC, o programa relata a ajuda de uma profissional a uma família que tenha problemas em lidar com os filhos, o formato é muitíssimo conhecido, pessoalmente conhecia a versão espanhola, onde a terapeuta/psicóloga é bem mais rígida e fria.

Teresa Paula Marques parece saber o que faz, na minha opinião os conselhos e estratégias que usou são corretos, não aconselhou a palmada, ainda bem porque uma palmada não educa e ajudou a mãe Margarida a lidar com as birras da filha e a dizer não e a não ser vencida pelo cansaço da insistência da filha. A sua interação com a câmara não é a melhor, perfeitamente natural, vê-se que não é uma comunicadora para as massas, mas creio que com o avançar dos programas ganhará confiança e à vontade para falar para a câmara da mesma forma que fala para as famílias.

 

O programa tem tudo para ser um sucesso e na minha opinião poderá também ser uma ajuda preciosa para pais que não consigam impor a sua autoridade, uma vez que ensina a lidar com birras e a estimular os bons comportamentos com pequenas recompensas ao mesmo tempo que pune as más ações e convida à reflexão.

O que é mesmo incrível é a reação dos portugueses ao programa, isso sim é que deveria ser objeto de estudo, não é nada que não estivesse à espera, porque em Portugal tudo o que mexe com crianças e filhos é polémico, seja para bem ou para mal e livre-se de alguém querer dizer ou ensinar como devemos educar os nossos filhos, ninguém melhor do que os pais saberá o que é melhor para os seus filhos e como os educar.

Há realmente uma grande confusão entre desejar o melhor para os filhos e saber como lá chegar, entre conhecê-los melhor do que ninguém e educá-los da melhor forma, entre amá-los profundamente e saber demonstras-lhe que amar não deixá-los fazer tudo o que querem.

 

É muito usual ouvirmos as pessoas queixarem-se da falta de educação das crianças, da falta de respeito que têm pelos pais, das birras que fazem em público, mas depois de um programa que ensina a reestabelecer a autoridade dos pais as críticas não se fazem rogadas para os dois lados.

De um lado insurgem-se contra o programa, contra a exposição, contra os conselhos dados e terapias e técnicas implementadas, do outro insurgem-se contra a família por exporem a criança, por não saberem lidar com ela, por não ser (neste caso) uma mãe como eles acham que deve ser.

A forma como todos apontam o dedo em riste do alto da sua sabedoria pedagógica é algo inacreditável, de repente somos todos experts na matéria, gosto especialmente dos que são entendidos na matéria porque “educaram” muitos filhos, como se a experiência fosse sinónimo de certezas e invalidasse erros.

 

Pessoalmente dou os parabéns às famílias que escolheram participar no programa, não por se exporem porque daqui a uns meses já ninguém se recorda deles, dou-lhes os parabéns por assumirem que não estão a conseguir lidar com os filhos e por não terem medo ou receio de pedir ajuda e ter de acatar ordens e indicações de uma estranha, mesmo que isso signifique lidar com todo o tipo de comentários maldosos.

Não há fórmulas mágicas de educação, as crianças são todas diferentes, mas todas elas gostam de testar os nossos limites e sabem exatamente como dar a volta às questões a seu favor, não tenham medo de as classificar com adjetivos fortes, eufemismos não resolvem o problema, a pequena seria uma tirana, qual o problema de usar essa palavra?

 

Gostava mesmo de ver qual seria a reação do público se a terapeuta fosse como a colega espanhola, num episódio recordo-me de a ver explicar aos pais que as crianças são como os animais, precisam de regras e de autoridade para saberem qual o seu local na família.

Os povo português é realmente um caso de estudo, gosta de opinar sobre tudo, passam a vida a dar palpites sobre a vida dos outros sejam seus conhecidos ou não, mas livrai-nos nosso senhor de alguém dar palpites à educação dos seus filhos, eles até podem comentar nas costas que aquela e outra mãe não sabe educar as crianças, mas dizer isto frontalmente e diretamente é caso para uma zanga para a vida.

 

Tenho para mim que na maioria dos casos não há preocupação nenhuma com o superior interesse da criança, há sim receio de verem em horário nobre que afinal não sabem tudo e que se calhar até há formas de lidar com as birras das crianças, que dizerem sempre que sim não é o caminho e que a dinâmica castigo/recompensa afinal resulta.

Estarão os portugueses com medo de perceber que afinal não percebem nada de educação!?

Sobre The Walkind Dead

O 100º episódio de uma das minhas séries favoritas soube a pouco, demasiada estratégia para parcos resultados, a espectativa era muita, não posso dizer que o episódio foi mau, mas foi morno.

Há um paralelismo interessante entre pai e filho, também Rick procurou gasolina na primeira temporada da série, são visíveis dois futuros possíveis ou dois sonhos, mas se a temporada passada a série arrancou um episódio em que os fãs não conseguiram respirar já não se pode dizer o mesmo deste.

Houve suspense, mas a um certo ponto perguntamo-nos porque é que Rick simplesmente não atira em Negan, por algum acaso ele merece algum respeito?

Ficam ali na conversa que nem sequer é muito interessante.

 

Quem viu o último episódio de Fear The Walking deve ter sentido tal como eu saudade da Madison, uma espécie de versão feminina de Rick mas que já o superou.

Como esquecer aquele torcer de nariz que antecedeu a martelada certeira em Troy?

É de cenas assim que estas séries vivem, imprevisíveis, incríveis que nos deixam boquiabertos e atordoados, com vontade de voltar atrás para perceber afinal o que aconteceu.

Como? Matou-o assim, simplesmente? Espetacular.

 

Não tenho dúvidas que esta temporada guarde uma vingança à altura de Negan, mas por mais que me custe ver morrer personagens, que não seja tudo fácil, o cenário não é para isso.

Esperava mais deste regresso, depois de uma temporada muito morna tinha as expetativas altas, talvez estivessem altas demais, ou talvez me tenha tornado demasiado exigente.

 

Espero que a nova temporada de Strangers Things não seja também uma desilusão.

Entretanto se estiverem à procura de uma boa série e com um cenário de crise, vejam The Handmaid’s Tale até o Kevin de This is Us aconselha a série.

E se não veem This Is Us estão a cometer um enorme, gigante erro.