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Língua Afiada

Quando as terças são piores que as segundas

 

Adoro fins-de-semana prolongados, adoro, dá para descansar, para passear, para estar com quem gostamos, para um sem fim de coisas haja vontade e também dinheiro, que nos dia de hoje parece que pomos um pé na rua e estamos a gastar dinheiro, um dia deste pagamos pelo ar que respiramos, quer dizer já pagamos, há impostos por causa da poluição do ar. Nada é grátis, nada.

Tudo muito bonito, tudo espetacular, Páscoa recheada de comidinha boa, doces, sorrisos, a minha até teve direito a surpresa, mas não vinha dentro de um ovo, mas em formato de bactéria, um mimo, mas e agora quem é despacha o trabalho?

 

Pois, estamos fora e depois há que lidar com o stress da acumulação e que acumulação, ele é e-mails, telefonemas, mensagens, basicamente passei a manhã a despachar uma chamada no fixo para atender no telemóvel e vice-versa.

Agora olho para a minha caixa de e-mail e até tenho vontade de chorar, não é só o número de e-mails é também o conteúdo que só pelo assunto dá arrepios, nada daqueles e-mails que se despacham em 20 segundos, nada disso, todos daqueles que demoram a responder, que necessitam de análise, de consulta, e-mails fantásticos, só que não.

Para ajudar apetecia-me mandar um dos meus colegas dar uma volta ao bilhar grande porque deve pensar que eu não tenho mais nada que fazer o que atender aos pedidos de sua excelência imediatamente, news flahs vai para a fila, deves ser para aí o número 127, só tens 126 assuntos à frente do teu.

 

E é isto, um stress, para ajudar o São Pedro brindou-nos com um Domingo de 20 graus para agora nos assolar com esta chuva que nem sequer é temperada, é fria que dói, estou de mau-humor, é claro que estou de mau-humor.

O meu único consolo é que a semana é mais pequena, mas depois penso – só tens míseros 4 dias para tratar disto tudo e fico de mau-humor novamente.

Espero que tenham tido uma excelente Páscoa e que estejam sinceramente com o humor melhor que o meu.

Trabalho a dois

Novos projetos colocaram-me a trabalhar para o meu marido, uma associação que tem tudo para correr mal e passo a explicar porquê.

A nível criativo ele é objetivo, eu gosto de divagar.

Ele inicia imediatamente o projeto, eu gosto de definir primeiro as bases.

Ele dá importância ao global, eu estou sempre focada nos detalhes.

Ambos somos teimosos.

Ambos perfeccionistas.

Ambos exigentes.

A este cenário juntemos-lhe problemas técnicos, falta de tempo, stress, problemas de saúde e ansiedade e temos uma semana caótica.

Nunca tive uma semana tão improdutivamente produtiva, porquê?

Ficou muito por fazer, ficaram para trás outros projetos para abraçarmos este, mas pelo caminho definimos um processo, aprendemos a ceder, afinamos pontos de vistas, ajustamo-nos e aprendemos a trabalhar em equipa.

Estou muito orgulhosa de ti meu Amor, sempre soube que para ti nada é impossível, tudo o que precisas é de motivação e de um projeto aliciante.

Ainda não terminou, mas os alicerces já estão edificados, são sólidos e robustos, o próximo projeto será bem mais fácil e fluído.

Possivelmente o Moralez não lerá este texto a menos que o avise já que não tem visitado o blog, mas senti que tinha de deixar aqui um testemunho para a posterioridade, já que este blog acaba por acompanhar as nossas derrotas e as nossas vitórias, faz sentido relatar esta, sei que o texto não diz muito, mas a mim, a nós diz tudo.

Discrepâncias do tempo, do trabalho, da vida

Trabalhamos demasiado, estamos demasiado tempo fora de casa, 8h de trabalho se não nos dedicarmos a trabalhar (dar) horas extras, 1h para almoço se tivermos sorte, 1h para a viagem se trabalharmos relativamente perto de casa e lá se esgotam 10h das 24h disponíveis num dia, isto se tivermos sorte, porque as 8h de trabalho passam para 9h num ápice, a hora de almoço em muitos locais é mais extensa e hora da viagem passa facilmente para 2 horas e em vez das 10h temos 12h ou mais dedicadas ao trabalho.

 

Se isto não é viver para trabalhar, tendo em conta que estamos em 2018 e não em 1950 não sei o que será.Não podemos deixar de trabalhar e queremos ter vida, relaxar, sociabilizar, fazer coisas que nos deem prazer, onde é que roubamos tempo? Ao sono, as recomendadas 8h de sono são uma utopia.

 

Com tanto tempo dedicado ao trabalho, somando o tempo que dormimos e ainda o tempo que despendemos em situações fisiológicas e de higiene, o tempo realmente escasseia.Pessoalmente durante a semana tento ter uma rotina bem definida, mas basta sair mais tarde do trabalho, ter alguma tarefa extra para realizar ou apanhar mais trânsito que o serão deixa de ser o muito esperado tempo de lazer.

 

Não consigo deitar-me a adormecer tranquilamente sem desligar o cérebro da vida, para isso tenho de imperativamente dedicar tempo a um livro, a uma série ou filme, é a forma mais fácil de descansar, uma conversa ou um convívio de amigos também é relaxante, mas não me abstrai do meu mundo da mesma foram, afinal nada como mergulharmos noutra história para esquecermos por momentos a nossa.Durante o dia tenho o cérebro a mil, com tantas ideias a conviverem umas com as outras que por vezes é difícil focar-me e sou forçada a fazer pausas para alinhar pensamentos e definir prioridades.

 

Imaginem-se na rua perante um cruzamento em que seguem simultaneamente em quatro direções diferentes, prevendo, antecipando, planeando o que acontecerá em cada uma das direções, sobrepondo trajetos, acelerando o passo numa direção, desacelerando noutra, num malabarismo constante e num equilíbrio mental precário, um passo em falso e perdemo-nos ou enlouquecemos.

É mais ou menos isto que se passa na minha cabeça durante o dia, para complicar ao longo de cada percurso vão surgindo desvios e distrações.

 

Quando a noite cai, cai com ela a necessidade de descanso e a única forma de conseguir estar apenas numa estrada é enveredar por um trajeto alheio, um argumento que me capte por completo a atenção e me abstraia o suficiente para descansar.

Isto é um problema porque se tornou um vício que me impede de ter tempo para outras coisas, há hábitos que gostava de retomar, atividades em casa e no exterior que são igualmente tranquilizantes, mas que não me proporcionam o mesmo nível de descanso mental e por isso ficam relegadas apenas para os fins-de-semana.

 

Sinto que o tempo se esgota, se consome no tempo que trabalho, que o trabalho me suga a vida, a vitalidade, a criatividade, que não deixa espaço e tempo para viver fora dele, limita-me, cansa-me mais do que deveria.

Trabalho mais, esforço-me mais para ter uma vida melhor, roubo horas ao sono para conseguir equilibrar a balança entre o lazer e o trabalho e o que sinto é que vivo essencialmente para trabalhar.

 

Esta discrepância entre o que fazemos e o que sentimos é um grande dilema, pois o trabalho providencia o combustível da vida, sejamos sinceros sem dinheiro ninguém vive, podemos viver com menos, com pouco, mas não vivemos sem, somos reféns do dinheiro, porque somos reféns do sonho de uma vida melhor, seja lá o que isso signifique.

Não me importo de trabalhar, de me esforçar, mas gosto de ver resultados, quando o resultado não é o esperado a frustração apodera-se de mim, é triste, é desgostoso perceber que o nosso esforço quase nunca é proporcional à recompensa, mais uma discrepância.

 

No meio de tanto para fazer em pouco tempo disponível, falta espaço para a grande ideia, a ideia que resolverá todos estes problemas, mas ela chegará, estou convencida que chegará, chegam sempre quando menos espero, nos momentos mais inusitados e da próxima vez por mais ocupada, cansada e desanimada que esteja vou agarrar a ideia e coloca-la em prática, porque só se vive uma vez e pode-se viver a vida toda sem ter sequer uma única grande ideia, não há tempo para as desperdiçar.