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Língua Afiada

O aviso às Mulheres Russas – Não tenham relações sexuais com homens de outras etnias

A deputada russa Tamara Pletnyova, presidente da Comissão para os Assuntos da Família, Mulheres e Crianças, advertiu as mulheres russas para se absterem de ter relações sexuais com estrangeiros de outras etnias que estejam no país para o Mundial de Futebol.

Segundo a mesma é para que não sejam mães-solteiras de crianças mestiças que sofrerão discriminação, ainda na mesma entrevista refere que as mulheres mesmo que se casem com homens estrangeiros, essas relações geralmente acabam mal e as mulheres são abandonadas. "Uma coisa é se os pais forem da mesma raça, mas outra completamente diferente é se forem de raças diferentes" disse.

 

A deputada, neste momento estou a fazer um esforço para não lhe dar um nome diferente, diz-se preocupada com o aumento das famílias monoparentais e recordou o “problema” dos “Filhos das Olimpíadas” termo usado para descrever, durante a era soviética, as crianças nascidas de relações entre mulheres russas e homens estrangeiros provenientes de África, da América, Latina ou da Ásia após os Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscovo.

Sinceramente os seus comentários são tão estúpidos que é difícil adjetiva-los ou analisa-los, para além o cariz altamente racista e xenófobo, ainda são conotados de um machismo atroz.

 

Para começo de conversa esta pessoa deve estar esquecida que estamos em 2018 e não em 1980 e que a Rússia apesar de não ser o país com mais liberdade do mundo está longe dos tempos da era soviética, e que os métodos contracetivos são acessíveis a todos e se as russas não os tiverem creio que os visitantes estarão prevenidos porque nos anos 80 ter um filho no outro lado do mundo provavelmente significava nem sequer saber da sua existência, em 2018 é acompanhar o parto via Skype e atualizações de progresso ao segundo no mural do Facebook.

 

Contracetivos à parte que estes podem ser falíveis, porque é que os retrógrados insistem no argumento da proteção, este argumento da intenção de proteger crianças mestiças no futuro é em si pura discriminação e é o tipo de argumento que me tira do sério, amplamente usado em Portugal pelos que são contra a adoção por casais homossexuais, que argumentam que as crianças serão vítimas de discriminação e de gozo por parte dos colegas.

Isto de se evitar a resposta eliminando a questão não faz qualquer sentido, vejamos, não há dinheiro para alimentar um grupo de pessoas, em vez de partilharmos recursos, eliminamos as pessoas, é um exemplo radical, mas acaba por funcionar.

 

A deputada deveria estar preocupada em criar condições para que todas as crianças, mestiças, azuis ou cor-de-rosa às bolinhas amarelas fossem aceites tal como são e não impedir que nascessem, querem agora regredir e matar ou segregar as crianças diferentes porque podem sofrer com a discriminação?

Não bastava este pensamento completamente absurdo e retrógrada a criatura ainda menospreza as mulheres, porque quando uma relação acaba é claro que é o homem que abandona a mulher e nunca o contrário, a mulher não tem vontade própria e decidir seguir um caminho oposto ao companheiro claramente não é uma opção.

 

É lamentável que ainda existam este tipo de declarações de pessoas com cargos importantes, mas todos sabemos que a Rússia é um caso especial, o que não entendo é como em Portugal tantas pessoas aplaudem estas declarações, chegando ao cúmulo de louvar não só a posição como a coragem de a divulgar.

 

A Natureza, o Divino Espírito Santo, o Karma, a Vida ou seja lá o que for tem um sentido de humor fantástico e vai daí resolveu pregar uma partida aos caucasianos que se acham os maiores e os mais importantes, mais desenvolvidos e inteligentes e por isso superiores na genética, os seus genes são os mais fracos e por isso os descendentes raramente são caucasianos e para tornar ainda a situação mais engraçada os mestiços, os filhos de raças ou etnias diferentes por norma são belos e atraentes, só porque sim.

Numa altura em que já se descobriu que as diferenças genéticas entre as alegadas raças humanas nem sequer justificam a classificação de raça, ainda há quem ache que com ideias xenófobas e conselhos do século passado evitará que a população humana seja uma rica, colorida e diversificada mistura.

 

Quando a nossa mente não é suficientemente inteligente para perceber que somos todos iguais por baixo da pele, o nosso instinto, o nosso desejo mais primitivo de procriar e de experimentar o que é aparentemente diferente levará a que pouco a pouco a noção de raça seja uma lenda do passado, talvez seja este instinto a salvar a raça humana da extinção, impedindo que nos aniquilemos uns aos outros, afinal no dia em que nos considerarmos todos iguais as guerras deixarão de ter sentido.

Comunidade cigana sem casas e o ódio cresce

É importante que o Presidente da República visite a comunidade cigana que ficou sem acampamento em Cerro do Bruxo, as 100 pessoas desalojadas não precisam de abraços e beijos de Marcelo Rebelo de Sousa, mas precisam de empatia, solidariedade e reconhecimento.

Sinto vergonha alheia ao ler os comentários nas redes sociais e nos jornais, o ódio, o desprezo com que falam de pessoas, de seres humanos revolve-me o estômago, há pessoas que os colocam abaixo dos animais, preocupando-se mais com estes últimos do que com seres humanos, adultos e crianças que ficaram privados das suas coisas, fossem muitas ou poucas, barracas ou não, eram as coisas deles.

 

O ódio é tanto e tão generalizado que se algumas pessoas tivessem esse poder exterminariam os ciganos sem dó, nem piedade, erradicando-os de Portugal e quem sabe do mundo independentemente de serem ou não marginais, já que a para alguns toda a etnia é uma praga, pequenos Hitler sedentos de vingança.

Com tantos séculos de ensinamentos, de guerras entre religiões, culturas e formas de viver, o Homem ainda não aprendeu que não é com violência, segregação e aniquilação que se resolvem os problemas, mas sim com integração, compreensão e aprendizagem.

 

O desprezo e ódio por uma etnia, a generalização nunca fará parte da solução, fará sempre parte do problema, quanto mais os renegamos e queremos renegar os seus direitos, mais eles se mantém fiéis à sua cultura, unidos e indiferentes às regras das sociedades, pois só assim conseguem sobreviver.

Nos dias de hoje ainda há quem acredite que todas as pessoas de uma etnia são más? Acreditam mesmo que lhes corre qualquer coisa no sangue que os faz serem maus, vis e criminosos?

 

Não concordo com muitas coisas da sua cultura, especialmente a forma como inferiorizam as mulheres e os casamentos combinados, mas isso não significa que os odeie e que os queira exterminar, gostava sim que mudassem e se adaptam-se aos tempos e respeitassem as regras.

A mudança só poderá acontecer pela educação e pela formação, não é um processo simples, nem tão pouco rápido, mas eles podem ser reintegrados na sociedade e esse é o caminho.

Não serei hipótrica, sinto receio quando sou abordada por uma pessoa de etnia cigana, um medo que foi incutido pela sociedade e que lhes é muito proveitoso, já que a fama os precede e faz com que obtenham o que querem sem na maioria das vezes recorrem realmente à violência.

Como em todas as etnias, raças, comunidades, povos há pessoas boas e más, a maioria das pessoas nem é uma coisa, nem outra, é algo que se situa no meio, mais para o lado mau do que bom, todos somos capazes de cometer uma maldade, uma atrocidade, muitos poucos serão capazes de ser bondosos a vida toda e em todas as circunstâncias.

 

Gostava muito de saber se todas as pessoas que os acusam de não cumprirem a lei, de viverem de subsídios, de não cumprirem os seus deveres, se são elas cumpridoras, se nunca compraram nada sem fatura, se nunca compraram, algumas aos próprios ciganos, peças contrafeitas, se param sempre nos stops e nas passadeiras, se cumprem os limites de velocidade, se nunca pediram um favor a um amigo ou meteram uma cunha, se foram sempre retas e honestas em toda a sua vida?

 

É muito fácil exigir das outras culturas mudança, e da nossa? Somos um povo corrupto até à medula, desde o pobre que recebe indevidamente o rendimento mínimo ao gestor de topo que comete fraudes e desvia milhões, mas como somos a maioria está tudo bem, imaginem-se a minoria num país 100% correto, seriam olhados de lado, colocados à parte, vistos como uma praga, sem educação e sem moral, falar dos outros é fácil, olhar para nós e tentarmos melhorar-nos a nós próprios e ao mundo é que é difícil.

12,64% - Quando o terceiro lugar é o primeiro

O partido AfD que se intitula a Alternativa para a Alemanha foi o grande vencedor das eleições, com um resultado histórico que coloca pela primeira vez a Extrema Direita no parlamento Alemão desde a Segunda Guerra Mundial, mais do que a percentagem e o número de deputados, o que é verdadeiramente assustador é verificar que o partido tem apenas quatro anos de existência.

Quatro anos em que com propostas e slogans populistas reuniram o apoio dos nazis e de todos aqueles que quiseram fazer do voto um protesto, entre os alemães extremistas, os revoltados, os eurocéticos e os inseguros somaram quase 13% dos votos.

13% parece parco, mas não nos podemos esquecer que foi esta mistura que elegeu Donald Trump, quando o descontentamento e a necessidade de protesto ultrapassa os ideais das pessoas estamos perante um perigo eminente.

 

Não há arma mais poderosa que o medo e o medo de perderem a identidade e o controlo do país, revoltando-se contra os imigrantes e propondo uma alternativa à União Europeia é uma ideia de futuro poderosa.

Esta vitória representa uma vergonha para a maioria dos alemães, por todo lado se formaram manifestações contra os resultados das eleições, mas representa sobretudo uma rutura com o passado, a Alemanha tentou durante anos distanciar-se do nazismo, uma redenção impossível para já, é um passado demasiado terrorífico do país, o que este resultado demonstra é que uma fatia considerável dos alemães estão dispostos a aproximarem-se do passado nazi para restaurarem o que acreditam ser a sua Alemanha.

 

Durante a campanha foi possível ouvir Alexander Gauland a enaltecer "o desempenho dos soldados" do exército de Hitler e alguns candidatos do AfD fizeram mesmo comentários revisionistas sobre os factos da Segunda Guerra Mundial e apelidaram Angela Merkel de "traidora da pátria", o partido questiona o arrependimento e diz que é hora de devolver a Alemanha aos alemães.

 

As crises, o descontentamento, a insegurança e a incerteza quanto ao futuro fazem com que as pessoas recuem aos instintos básicos, depois das necessidades fisiológicas a nossa segunda prioridade é a segurança, se pressentimos que esta pode ser afetada somos capazes de regredir até ao nosso estado mais primitivo para garantir a nossa sobrevivência.

O conceito de sobrevivência, segurança e bem-estar evoluiu muito ao longo dos anos, seria de esperar que o nosso instinto tivesse ficado relegado para situações extremas, mas o medo é um rastilho poderoso e faz com que o instinto, a necessidade de segurança se sobreponha à razão e à lógica.

 

Em períodos conturbados como o que atravessamos, especialmente após um período de franco crescimento e harmonia, aparecem naturalmente os ideais extremistas como salvadores da pátria, a história apresenta-nos diversos exemplos, alguns bem recentes, mas a Humanidade só tem memória do que vive, só acumula experiência do que experiencia e teimamos em não aprender com os erros do passado.

 

Nenhum sistema extremista resultou até hoje, a Democracia pode não ser a situação ideal, mas ainda não criaram nenhum sistema melhor e mais justo, o problema não reside no sistema democrático, reside no sistema financeiro, mas não interessa que as pessoas questionem o Capitalismo, pois independentemente do regime político o sistema funciona, adapta-se.

Nas eleições alemãs a vitória foi da memória que teima em esquecer a história, que teima em querer seguir um caminho que nunca conduziu a um futuro promissor ou brilhante, apenas à destruição, à exclusão, à guerra e à desolação.

 

Em política nunca os fins justificaram os meios, é bom que os cidadãos europeus tenham sempre presente esta ideia e não se deixem iludir por ideias grandiosas de pátria, nacionalismo e identidade que andam de mãos dadas com censura, segregação, xenofobismo, submissão, intolerância e tirania.