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Língua Afiada

Teorema de Pitágoras

Sempre adorei o nome deste teorema matemático, que apesar de dever o seu nome ao homem que se acredita o ter descoberto, tem um certo charme pitoresco.

O quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos.

Nunca percebi a dificuldade que alguns colegas tinham em decorar este teorema, a mim, que nunca fui um ás a matemática pareceu-me sempre uma coisa básica.

 

No décimo ano a minha professora de matemática achou por bem elucidar-nos de vez do Teorema de Pitágoras, a Sra. Engenheira (não me recordo do nome dela) que explicava e reexplicava os problemas e as equações sempre da mesma forma sem que 80% da turma percebesse o que estava a dizer podia ser péssima professora, mas ensinou-nos o Teorema de Pitágoras para a vida.

Na minha turma andava o chamado pão da escola, um rapaz mais alto que a média, cabelos pretos, moreno, de olhos verdes e um corpo talhado pelo futebol profissional faziam com que fosse o campeão dos suspiros e esses suspiros eram gerais desde as alunas às professoras, passando pelas auxiliares educativas e administrativas.

Nem o defeito da arrogância ou altivez característicos de quem atrai atenção lhe podíamos atribuir, o rapaz era tímido, calado e introvertido, tinha uma simpatia discreta e um sorriso franco. Poder-se-ia dizer que o seu defeito seria mesmo ser demasiado tímido.

 

E a Sra. Engenheira gostava dele, era a única aula em que ele se sentava na primeira fila, mesmo em frente à secretária dela, fácil de perceber, embora ela não tivesse grandes atributos gostava de se sentar em cima da secretária e cruzar a perna quando usava saia e antes da aula desapertava sempre o terceiro botão da blusa de seda.

Naquele dia farta de explicar o Teorema de Pitágoras ao meu colega que estava mais interessado no decote do que no Teorema, aproximou-se dele, baixou-se ao nível dos seus olhos e da forma mais melosa que conseguiu com a sua voz esganiçada explicou o Teorema tomando como exemplo o triângulo do seu nariz, dizendo enquanto deslizava os dedos pelos nariz, quando pensarem no Teorema pensem num dos lados do nariz, a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, a hipotenusa é a cana do nariz e volta a deslizar o dedo indicador pelo nariz do meu colega.

 

A partir desse dia o Teorema de Pitágoras ficou sabido e decorado para toda a turma, menos para o meu colega que não conseguiu ver, nem ouvir nada pois estava demasiado focado no decote pronunciado da professora que ficou bem ao nível dos seus olhos.

A matemática não tem de ser aborrecida é tudo uma questão de perspetiva e de inspiração.

Infelizmente a única coisa que aprendemos com a Sra. Engenheira foi o Teorema de Pitágoras, pois a vocação dela para ensinar era nula e os campeões de matemática da turma percebiam mais de senos e cossenos que ela própria.

 

7 comentários

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    Psicogata 11.01.2017 11:39

    O problema é que durante o ano todo acho que só aprendemos isso
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    Miss Winter 11.01.2017 11:41

    Infelizmente também tive muitos desses problemas e eu adorava matemática e acabei por desistir dela e ir para humanidades e arrependi-me mas pronto, estava sem bases para ir para o 10º e não quis arriscar e a culpa foi da minha professora de 9º ainda hoje odeio-a era má como as cobras.
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    Psicogata 11.01.2017 12:01

    O problema da matemática é mesmo esse, basta um ano mau que depois é muito difícil de recuperar.
    Eu era boa aluna a matemática, mas no 10º esta professora ensinava o básico, fazia testes fáceis e não estimulava o estudo, só não foi pior porque alguns colegas da turma faziam o favor de explicar as coisas aos restantes.
    No 11º estive o segundo período inteiro sem aulas, a professora lá nos conseguiu dar as bases para nos safar-nos na prova global, mas mais de metade dos alunos reprovou.
    Quando no 12º me apareceu uma nazi, exigente e que achava que todos os alunos tinham todas as bases, metade da turma tinha sido dela os dois anos anteriores, foi o descalabro, os alunos novos foram colocados de parte e rotulados, essa sim odeio, deveria ter tido outra atitude, até porque a turma era boa, quase todos tínhamos excelentes notas, menos claro a matemática.
    Os professores fazem toda a diferença.
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    Miss Winter 11.01.2017 12:02

    Pensei que tinha sido só aqui :( eu costumo dizer eu tive muito azar com 80% dos professores, parece que foram escolhidos a dedo.
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    Psicogata 11.01.2017 12:06

    Se durante todo o percurso escolares encontraste um professor que motivou, inspirou e motivou tiveste sorte.
    Há quem estude anos e anos e não se cruze com nenhum.
    Infelizmente é essa a realidade.
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    Miss Winter 11.01.2017 12:08

    Mesmo... ainda aproveitei alguns.

    1º da primária ainda hoje é minha amiga e adora-me.
    Depois a minha professora de inglês do 5º e 6º ano, as minhas bases de inglês foi o que aprendi com ela.
    A minha de francês do 11º ano e já foi tarde para aprender mais a francês.

    Estes foram os principais que me marcaram depois tive mais 2 ou 3 bons mas que não marcaram tanto.
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