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Língua Afiada

Teorias da conspiração #1 The Big Short – um filme a não perder

 

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Se à partida um filme sobre o sistema financeiro poderá parecer aborrecido ou difícil de compreender, coloquem de lado o preconceito e deleitem-se com The Big Short.

Inspirado em factos verídicos, o filme dá-nos a entender como surgiu e rebentou a crise imobiliária nos EUA e como isso afetou o sistema financeiro do mundo.

Se perceber como isso aconteceu não é suficiente o elenco de luxo que conta com Cristian Bale, Ryan Gosling, Steve Carell e Brad Pitt é argumento mais do que suficiente para se ver o filme.

 

A história:

 

 

"The Big Short" explica como Michael Burry (Cristian Bale) gestor de um fundo de investimentos previu a crise imobiliária, não só a previu como apostou na falência do sistema tendo lucrado milhões com a crise financeira.

O filme que tem como narrador a personagem Jared Vennett (Ryan Gosling) inspirado em Greg Lippmann, antigo funcionário do Deutsche Bank, um dos poucos dentro do sistema bancário a perceber que Michael Burry estava certo, tendo também ele apostado contra o sistema.

Jared Vennet tentou convencer vários fundos a apostar contra o mercado sem sucesso, apenas Mark Baum (Steve Carell) inspirado em Steve Eisman decide apostar contra o mercado.

Neste cenário irrealista aparecem ainda dois pequenos investidores Charlie Geller na vida real Charlie Ledley (John Magaro) e Jamie Shipley na vida real Jaime Mai (Finn Wittrock) que após uma dica de um amigo, decidem apostar contra o mercado ajudados por Ben Rickert inspirado em Ben Hockett (Brad Pitt) um antigo banqueiro.

Os filmes com narrador parecem estar na moda, depois da série House of Cards foram várias as séries a usarem esta forma de apresentação que começa a ser popular também nos filmes, é o segundo filme que vejo no espaço de um mês com está mecânica, o outro foi The Walk.

 

Não se preocupem com termos técnicos e terminologias financeiras, no filme existem intervenções deliciosas em que personagens desligados do mundo financeiro explicam de forma simples em que consistem.

O filme é prodigioso em abordar um tema tão problemático com um toque cómico na dose certa.

A comédia centra-se especialmente no despudor do sistema financeiro e na facilidade em obtenção de crédito e de bons ratings. Uma promiscuidade entre bancos, agências de rating e fundos de investimento profundamente chocante.

Existem momentos no filme onde a comédia é interrompida por um choque realista, as personagens de Steve Carell e Brad Pitt encarregam-se disso com mestria.

 

Detalhes interessantes:

Os personagens foram caracterizados para ficarem próximos das pessoas que interpretam, é curioso ver um Cristian Bale desleixado e mais magro, um Ryan Gosling com cabelo mais escuro e com a tez mais branca, um Steve Carrel louro e Brad Pitt com cabelo e barbas desalinhadas, óculos ultrapassados e os piores fatos que alguma vez vestiu.

Conseguiram tirar todo o interesse a Cristian e a Ryan mas não conseguiram transformar Brad num homem comum.

Não revelo mais detalhes para que possam ser surpreendidos pela narração e desenrolar da história.

 

Conclusão:

Se o filme é excelente em todos os aspetos, não esperem chegar ao fim felizes como quando se termina um bom filme. No final a palavra que resumia o meu estado de espírito era frustração.

Frustração por fazer parte de um mundo onde 99% da população vive enganada, governada por 1% sem escrúpulos, sem moral, ética ou qualquer tipo de remorso.

Isto não é novidade nenhuma para mim, sempre soube desta realidade, já fui acusada muitas vezes de acreditar em teorias de conspiração, mas não são teorias, são realidades demasiado perturbadoras para as pessoas lidarem com elas.

O que me choca é que cada vez mais são colocadas a nu estas realidades e as pessoas simplesmente viram a cara para o outro lado, seguem as suas vidas passivamente, como se as suas vidas não estivessem dependentes das grandes corporações, dos grandes bancos, como se não fossem eles a controlar tudo o que é responsável por fazer deste mundo um lugar pior ou melhor.

Como se não tivesse tido uma dose de realidade suficiente vi também este fim-de-semana o Concussion. Só para provar que não estava errada, este mundo é realmente controlado por gigantes mas às vezes basta um David para derrotar um Golias, pena que atualmente os Davides sejam cada vez menos.

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