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Língua Afiada

Ter um blog é difícil

Ter um blog pessoal não é muito diferente da nossa vida, não podemos ser muito felizes para não causar inveja, não podemos ser muitos infelizes para atrair pena.

Ter um blog em que revelamos a nossa identidade é muito pior, haverá sempre alguém a colocar um defeito, a fazer uma comparação, a achar que não temos direito de publicar determinado pormenor ou a exigir que lhe contemos determinado detalhe da nossa vida, são os blogs que atraem mais seguidores, afinal as pessoas adoram saber da vida dos outros, não fossem os reality shows líderes de audiência, mas são sem dúvida os mais difíceis de gerir.

Os blogs pessoais anónimos dão-nos aparentemente uma certa proteção, mas é só aparente, pois estamos tão sujeitos a julgamentos quanto os outros, são apenas julgamentos diferentes.

Os blogs de opinião são provavelmente os que despertam menos inveja, mas mais indignação e discussão, neste país parece que não é politicamente correto ter opinião e exprimi-la.

Sou uma pessoa opiniosa, talvez por isso a Equipa do Sapo blogs tenha decidido colocar este blog na tag opinião, e como tal quando falo de um assunto exprimo a minha opinião.

 

Não estarei sempre certa, não terei sempre os argumentos certos, não imaginam a dificuldade que existe em encontrar informação credível para validar determinado assunto, se a Internet é fonte de informação é uma fonte ainda maior de desinformação, não sei tudo, não pretendo saber, faço apenas uma análise de determinado assunto com base nos conhecimentos que tenho e da minha perspetiva, enviesada ou não, é a minha opinião e faço questão de a classificar como tal, colocando a etiqueta opinião.

 

Uma opinião não pretende ser uma verdade, é aquilo que é uma opinião.

 

Opiniões ou não há assuntos que parecem proibidos, um deles é a maternidade como falei no texto - Não sou mãe não posso ter opinião, outro de extrema cautela é o dinheiro, que tabu, em Portugal parece segredo de Estado quanto é que se ganha, quanto é que se gasta, quanto é que razoável para viver decentemente, não há qualquer entendimento que realidades diferentes implicam não só rendimentos, mas gastos diferentes e por favor o que para uma pessoa pode ser muito para outra pode ser uma miséria, é tudo uma questão de contexto.

Temas que envolvem a discriminação são outra dor de cabeça, se falarmos de feminismo é bom que a opinião seja transparente como a água.

A Função Pública, a julgar pelo post de ontem, é outro tema de extrema sensibilidade, pois ou se explica com todas as letrinhas que não estamos contra os funcionários públicos ou temos basicamente dois tipos de reações – os que acham que estamos a atacar os funcionários públicos e nos atacam a nós e os que acham que estamos a atacar os funcionários públicos e batem-nos palmas.

 

Quando escrevo sob temas sensíveis tento ler o post sobre todos os ângulos, perceber se há algo subentendido que as pessoas não irão perceber, colocar-me na cabeça de alguém que não me conhece, que não me acompanha e por isso não sabe mais nada sobre a minha opinião, tento cobrir todos os lapsos para que não existam dúvidas sobre a minha opinião e para não ferir suscetibilidades.

Entre pesquisar, organizar ideais e testar o conteúdo, fazem ideia do tempo que perco? Muito garanto-vos e mesmo assim às vezes os posts carecem de rigor e de dados, mas eu não escrevo peças jornalísticas, escrevo a minha opinião e espantem-se sou livre de ter uma e não me apetecer fundamenta-la.

 

Tenho primado a resposta a todos os comentários e o esclarecimento de pontos de vista, não me importo que exponham uma opinião diferente da minha desde que seja de forma educada, já aprendi muito nas trocas de comentários e gosto da partilha de visões e opiniões diferentes e acima de tudo das vivências que nos fazem ter essas opiniões, mas não suporto que coloquem nos meus textos palavras que não escrevi, ideias que não tenho e opiniões que não exprimi.

Bem sei que não podem ir ler todos os textos que escrevi, assim como é impossível para mim colocar num texto tudo o que penso sobre um assunto, especialmente se for algo complexo, mas é realmente necessário suporem, extrapolarem, inventarem o que não está escrito? Será que não é possível dar o benefício da dúvida?

E será que não é possível lerem um texto com calma do início ao fim? Lendo tudo e não se focarem apenas numa frase que por algum motivo vos mexeu com os nervos?

Pessoalmente faço isso, quando leio um texto que me deixa irritada, leio-o de novo com mais clama para perceber bem o que o autor quer dizer, o que normalmente acontece? Mudo de ideias pois percebo que aquela frase que o meu cérebro por algum motivo descontextualizou, não é o post todo.

 

Ter opinião é difícil, quanto mais assertiva e vincada mais difícil.

Dizem que sou teimosa, mas não sou porque se estiver errada reconheço o erro, mas sou obstinada e firme, não me agarro a uma ideia só porque sim, mas não mudo de ideias para agradar ninguém.

Se não o faço na minha vida, não o farei aqui neste blog.

Escrevo o que penso, se mudo de ideias? Todos mudamos ao longo da vida, faz parte do amadurecimento, faz parte da vida mudarmos com ela, mas há valores, ideais que me acompanham desde sempre e sempre me acompanharão.

Percebi que perco tempo demasiado a justificar-me a tentar ser politicamente correta, perco demasiado tempo a explorar todos os ângulos dos temas, tempo que não tenho, tenho duas opções escrevo a minha opinião sem filtro, sem justificações ou não escrevo.

 

Deixar de opinar neste blog seria mata-lo, por isso irei continuar a opinar sobre o que me apetece e como me apetecer.

Este blog chama-se Língua Afiada por algum motivo e esse motivo é simples, eu tenho a língua afiada desde que comecei a falar e falei bem cedo, assim que tive a capacidade de articular palavras nunca deixei de dizer o que pensava, mesmo que isso incomodasse, com a minha personalidade opiniosa cresceu a habilidade de saber dizer as coisas certas, no momento certo, uma habilidade que no mundo virtual não se aplica, por isso só me resta escrever o que penso na hora, pois não sei se terei novamente oportunidade.

 

Escrito este testamento, que perdoem-me é mais para mim do que para vocês, não é uma desculpa ou declaração, é uma afirmação daquilo que eu quero que este blog seja e que ficará aqui disponível não vá algum dia cair em tentação de não exprimir uma opinião, tenho-vos a dizer que todas as opiniões são bem-vindas, desde que não sejam insultuosas, por isso isto sendo um blog de opinião podem dar a vossa à vontade, a minha é garantida.

8 comentários

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    Anónimo 22.09.2017 14:02

    Moralez, não confunda as coisas.
    Se eu viesse para aqui dizer, por exemplo, que os funcionários dos CTT têm direito a um subsídio de férias correspondente a 4 meses de salário, não estaria a dar uma opinião. Estaria a mentir! Percebe a diferença.
    Foi isso que a autora deste blog fez ontem relativamente aos direitos dos funcionários públicos. Não coloco em causa se têm melhores ou piores condições que os funcionários do setor privado. O que é um facto é que as regalias enumeradas no post de ontem são mentiras! E enumerar regalias, como se factos se tratassem, não é opinar...
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    Psicogata 22.09.2017 14:21

    Pois, mas foram regalias, sabe, regalias que já existiram ou tem dúvidas disso?
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    Anónimo 22.09.2017 14:32

    Sim. A maior parte das regalias dos funcionários públicos que afirmou existirem já existiram. Mas agora já não existem pelo que o que escreveu não foi apenas opinar. Foi também mentir.
    Há umas horas atrás, o sol ainda não tinha nascido. Mas se eu agora, às 14:30, disser que não consigo ver o sol porque ainda não nasceu estou a mentir, certo?
    A senhora também já foi criança e espero que lhe tenha sido permitido brincar com outras crianças. Mas agora já não é, pelo que já devia ter percebido que não deve brincar com a dignidade dos outros, percebe?
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    Psicogata 22.09.2017 14:40

    Não minta, agora é o anónimo que esta a mentir, não é a maioria, são todas, todas já existiram e a maioria ainda existe! Não seja mentiroso!
    Não brinque com a dignidade dos outros.
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    Anónimo 22.09.2017 15:01

    Acalme-se! Essa excitação toda está a toldar-lhe ainda mais a lucidez.
    Não cometa o mesmo erro que cometeu quando publicou o texto. Agora já se torna mais grave porque já devia ter aprendido a lição...
    Aumentos consoante a inflação? Porque gosto de aprender, agradecia-lhe que me indicasse o diploma legal em que isso esteve previsto. Pode ser?
    Horário de trabalho reduzido e flexível na maioria dos casos? Mais uma vez lhe peço um favor: indique-me o estudo que concluiu que A MAIORIA dos funcionários públicos tem horário reduzido e/ou horário flexível. O facto de essa possibilidade estar prevista na lei não significa que os funcionários públicos usufruam dela.
    Sabia que a mesma possibilidade está prevista na legislação laboral aplicável ao setor privado? Devo daí concluir que a maior parte dos trabalhadores tem horário reduzido ou flexível? Por uma questão de honestidade intelectual e porque não brinco com a dignidade dos outros, claro que não!
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    Psicogata 22.09.2017 15:19

    Não disse que havia um diploma legal, não disse que era lei, escrevi - Aumentos consoante a inflação e foram vários os que existiram para repor o poder de compra dos funcionários públicos, alguns até acima da inflação, curiosamente coincidiram sempre com eleições.
    Há um sem fim de cargos de funcionários públicos com horários flexíveis e com possibilidade de jornada contínua, há até imagine-se quem escolha o próprio horário, por exemplo, escolhem trabalhar das 8h às 15h seguido mesmo que o horário do serviço seja das 9h às 18h com uma hora de almoço e deixe-me dizer-lhe que quem cobre o horário são os funcionários contratados que não têm opção de escolha.
    Eu como gosto de aprender diga-me quais os cargos na Função Pública que têm horários estritamente rígidos?
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    Anónimo 22.09.2017 15:38

    Ah! Já percebi! Finalmente!
    O que escreve é verdade simplesmente porque... foi escrito por si!
    Já podia ter avisado!
    E quando falou nos aumentos consoante a inflação, afinal são só ocasionais, principalmente em ano de eleições e nem sempre coincidem com o valor da inflação. Claro que no setor privado e no cálculo dos aumentos das pensões nunca se toma como referência a inflação. Não, isso é, obviamente, um exclusivo da função pública. Ridículo!

    Mas como gosta de aprender, embora tenha dificuldade em fazê-lo, volto a escrever o que já tinha escrito: horário reduzido e/ou horário flexível é uma faculdade prevista legalmente para o público e para o privado.
    Como não afirmei que há "cargos na Função Pública que têm horários estritamente rígidos", não tenho que lhe dizer quais são.
    A senhora é que podia demonstrar em que se baseou para afirmar que a maioria dos funcionários públicos têm horário reduzido ou flexível. Deve ter chegado a essa conclusão porque conhece alguém que tem...
    Eu também conheço uma autora de um blog que é intelectualmente um pouco limitada. Mas não é por isso que vou presumir que a maioria dos autores de blogs não são pessoas inteligentes...
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