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Língua Afiada

Terá o humor limite? Só para os terroristas.

Onde termina a graça e começa a ofensa de uma piada?
Só é ofensa se a piada não tiver graça?
Como se define se uma piada tem graça?
Faz-se uma sondagem? A quem?


Muito se tem falado que o humor tem limites, não acho que o humor tenha limites, acho que o que é limitativo é o nosso poder de encaixe.
É claro que os limites são diferentes de pessoa para pessoa consoante o seu sentido de humor e preferências humorísticas, nem todos gostamos do mesmo tipo de humor, o humor negro não é para todos, digamos que é preciso saber abstrair-se da desgraça para se rir dela.
Depois há a questão do tempo, há quem diga que algumas piadas foram feitas cedo de mais, mais uma vez quem define o timing de uma piada?

Há uns tempos todos eram Je Sui Charlie, hoje são Je Sui Charlie quando gostam da piada.

Podem falar de tudo menos de assuntos que nos toquem diretamente, a mais recente polémica é sobre a crónica de Diogo Faro - Um dia de praia, numa família de betos - publicada pela Visão, esta faz parte do livro Somos Todos Idiotas, um título interessantíssimo, comprava o livro só pelo título.
O autor viu a sua vida complicar-se porque no meio de um texto cheio caricaturas das famílias betas fez uma menção à Trissomia 21, uma afirmação polémica, mas merece ameaças de morte por isso? Obviamente que não.


Agora somos todos do Daesh?
Parece que sim. Basta alguém ir contra os nossos princípios, brincar com os assuntos que nos são caros para a que resposta seja terrorismo.
Que outro nome dar a quem faz uma ameaça de morte por ver as suas convicções colocadas em causa? Não é a diferença de crenças que está na base do terrorismo do Daesh? Para eles somos infiéis. Para alguns portugueses os humoristas são pérfidos não será a mesma coisa?
Há uma linha ténue que separa a piada da ofensa, mas uma crónica humorística boa ou má é uma crónica, não é uma ofensa, é uma caricatura exagerada e apenas isso.
A propósito tive oportunidade de estar com uma família de betos recentemente e posso dizer-vos que a crónica que ele fez não está assim tão longe da verdade, talvez seja esse o problema.
A capacidade de rirmos de nós próprios é uma virtude, não levem a vida tão a sério e especialmente não sejam terroristas, não se inflamem contra as atrocidades do Daesh para logo de seguida ameaçarem de morte e fazerem bullying a um humorista.

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