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Língua Afiada

Todos percebem de design

Se há assunto em que toda a gente tem um palpite a dar é no design gráfico, seja num catálogo, num folheto, até no webdesign, não há alminha ou cliente que não ache que pode opinar.

Nada contra opiniões, são todas bem-vindas e muitas vezes um olhar isento de uma pessoa fora da área pode acrescentar muito ao trabalho, mas quando alguém que não entende nada do assunto teima em fazer da sua opinião pessoal o que é certo, está só a ser egocêntrica.

O gosto pessoal deve ser levado em consideração, mas não deve ditar o trabalho, porquê? Porque o design tal como todas as outras coisas tem regras, independentemente da linguagem utilizada, da mensagem que se quer transmitir, do objetivo, existem regras e para um trabalho ficar bem feito elas têm de ser cumpridas.

As regras são simples e claras, imaginem-se a formatar um texto no Word, existem regras básicas, como respeitar margens, alinhamentos, tipos, cores, tamanhos e tipos de letras, no design gráfico essas regras também existem, algumas são tão automáticas para quem trabalha diariamente que nem sequer se colocam em causa, simplesmente é assim que se faz.

O que é que se faz quando alguém quer mexer com essas regras? Tenta-se explicar que não pode ser assim, porque tudo tem uma lógica.

Uma coisa que aprendi é que quanto mais teimoso e mais persistente é o cliente, mais difícil será explicar-lhe alguma coisa, ele parece entender, mas no fim simplesmente diz, mas eu quero, ou gosto mais assim.

O que fazer neste caso?

Usar de toda a paciência que temos e tentar explicar que não pode ser, que não fica bem, em trabalhos muito importantes perder o trabalho já feito e apresentar uma proposta completamente diferente, e em último caso abandonar completamente o trabalho.

Se mais designers fizessem isso, talvez a profissão fosse mais respeitada, nunca vi ninguém ter a mesma atitude em relação aos arquitetos, talvez porque eles sabem colocar as pessoas no seu devido lugar.

Começo a acreditar que a altivez de algumas pessoas não é feitio ou personalidade, é mesmo uma necessidade de manter o respeito, pois as pessoas perderam completamente a noção do ridículo e não entendem que algumas afirmações, sugestões e acima de tudo intransigências são uma completa falta de respeito pelo profissional e até má-educação.

Se é difícil lidar com clientes que pagam, com clientes que não pagam é ainda muito mais difícil, um favor é facilmente encarado como uma obrigação e pior é muitas vezes tido como uma coisa fácil, desvalorizam completamente o nosso trabalho só porque num gesto de boa vontade decidimos perder o nosso valioso tempo a ajudar.

É por isso que dá vontade de lhes passar uma fatura, talvez assim tivessem mais respeito e guardassem as suas opiniões estapafúrdias para o que realmente sabem fazer.

Se me querem deixar a deitar a fumo pelos olhos é perguntar opinião a todos os amigos e conhecidos, todos tão experts na matéria quanto eles… Havia necesdidade?

Não entendo porque é que pessoas inseguras que não sabem o que querem em vez de confiarem no trabalho de um profissional, decidem validar as suas opiniões com quem não entende nada do assunto.

Só podem ser estúpidas, não vejo outra explicação.

6 comentários

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    Psicogata 19.09.2017 16:09

    Estou a pensar seriamente imprimir isso numa A4 e colocar numa moldura lá em casa.
    É que estou farta de saber disso, mas continuo a ter esperança que nas pessoas...
    Como já não soubesse que as pessoas são umas ingratas.
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    Andy Bloig 19.09.2017 17:57

    Era de esperar que ao sermos uma comunidade, quando ofereces o tempo e capacidade produtiva, as pessoas ficassem gratas e não se importassem se o resultado final era aquela coisa "de sonho", desde que existisse resultado final já era bom... infelizmente é, quase sempre, ao contrário. Quando pagam ainda pode-se aceitar que querem tentar meter o gosto deles (mesmo que seja a pior estupidez que sugiram...) agora quando alguém dá aquilo que tem para ajudar, querem mais e mais.
    Já não me lembro porque é que ele me disse aquilo mas, ficou cá porque tem-se tornado repetitivo em praticamente tudo.
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    Psicogata 19.09.2017 18:03

    Penso que desvalorizam o trabalho que não pagam, pensam que como não pagam ou é porque o trabalho não é difícil ou não tem valor.
    Vê-se bem a diferença nas pessoas mais velhas, normalmente quando lhe fazemos um favor desfazem-se em agradecimentos e algumas agradecem até com um presente.
    As pessoas mais jovens são tão egoístas e tão parvas que acham que se lhe fazemos um favor é porque queremos e podemos e por isso um obrigado seco é suficiente.
    Nem o ditado uma mão lava a outra vale, porque acham sempre que o seu trabalho vale mais do que o dos outros.
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    Andy Bloig 19.09.2017 18:18

    Neste milénio o que não recebe um valor monetário, é porque não tem interesse. Se fazes algo por simpatia, é porque quiseste ou porque queres algo em troca. É assim que as pessoas andam a pensar. É por causa disto que quando existem alguma catástrofe, os portugueses são dos mais rápidos a doar seja o que for... porque acham que aquilo fica bem para a sua auto-estima. Mas, quando é preciso mexer os cordelinhos para tratar de alguma coisa, ninguém se chega à frente... porque vai perder tempo e não recebe nada.
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    Psicogata 20.09.2017 09:32

    Verdade, verdadinha! Só ajudam para ficar bem, arregaçar as mangas ou dedicar tempo a alguma causa, é difícil, dá trabalho e ninguém paga.
    É por isso também que quem trabalha em associações de caridade é mal visto porque para os portugueses há sempre uma agenda por trás da benfeitoria.
    Somos um povo muito estranho.
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