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Língua Afiada

Vacinação – extremismo e ignorância

As entidades já vieram reafirmar que não há motivos para alarme, em Portugal não haverá uma epidemia de sarampo, existem sim surtos de sarampo, mas com a morte da jovem de 17 anos vítima de uma complicação causada pelo sarampo, o alarmismo será muito.

Segundo os dados da Direção Geral da Saúde 95% dos portugueses estão imunizados, cobertos ou pela vacinação ou por terem tido já a doença, no entanto, Portugal teve mais casos de sarampo nos últimos 4 meses do que na última década, depois de em 2016 Portugal ter recebido da Organização Mundial de Saúde um diploma que oficializava o país como estando livre de sarampo.

 

Porquê? Porque mesmo a taxa de cobertura não sendo de 100%, com tantas pessoas imunizadas é muito difícil a doença propagar-se. Crianças não vacinadas no meio de crianças vacinadas estavam protegidas.

Mas o que acontece quando o número de não vacinados aumenta? Um surto.

Há tempos comentei no blog da MJ que a vacinação não era assim tão linear, recordo-me que na altura o meu comentário gerou discussão, quando me referia a não linear referia-me às vacinas opcionais, como por exemplo a Rotarix, RotaTeq, tenho conhecimento que há pediatras que não aconselham a sua toma especialmente quando a criança não frequenta a creche, a taxa de cobertura é baixa e mesmo o risco de invaginação intestinal ser muito reduzido, ele existe, valerá a pena correr o risco?

Outro caso é a vacina da gripe, conheço pessoas que nunca tiveram uma gripe na vida, tomaram a vacina e ficaram de cama, na minha opinião, pessoas saudáveis não a devem tomar, é a minha opinião e a de alguns médicos.

Com tanta desinformação e opinião os pais são facilmente induzidos em erro, teorias da conspiração, suspeita de esquemas económicos aliados a uma opção de vida naturalista são os principais motivos para pais optarem pela não vacinação.

 

Não sejamos ingénuos existem realmente esquemas, conspirações, acredito que até se causem epidemias e alarmismos para se venderem medicamentos e vacinas, mas não podemos generalizar, como em tudo, também no caso da vacinação o problema é o extremismo.

- Darei todas as vacinas possíveis aos meus filhos.

- Não darei nenhuma vacina aos meus filhos.

 

As vacinas gratuitas do plano nacional de vacinas devem ser realmente administradas a todos os cidadãos, sob pena de se colocarem a si próprios e aos outros em risco, basta uma pesquisa sobre as epidemias causadas pelos vírus das vacinas para percebermos a sua real importância.

Escusar-nos da responsabilidade com exemplos não funciona – O meu filho nunca tomou vacinas e nunca teve nenhuma doença!

Não teve porque provavelmente esteve sempre rodeado de pessoas imunes, tão simples quanto isto.

 

E se o vosso filho que não tomou as vacinas não tiver a mesma sorte e se cruzar com alguém que não esteja imunizado?

 

E já pensaram no que pode acontecer quando um dia mais tarde o vosso filho decidir realizar uma viagem a um país menos desenvolvido e viaje sem uma única vacina, sem as do plano nacional de saúde e sem as aconselhadas à viagem?

 

Há quem defenda que devem ser os pais a decidir se devem ou não vacinar os filhos, a verdade é que cabe a eles a escolha já que a vacinação não é obrigatória, mas existem situações em que é exigido o boletim das vacinas atualizado, nas creches, escolas e faculdades e em algumas empresas, uma política para prevenir surtos em aglomerados de pessoas.

Na minha opinião as vacinas gratuitas deveriam mesmo ser obrigatórias, porque a nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro e é uma estupidez que alguém com o sistema imunitário fragilizado que esteja num hospital possa vir a morrer porque alguém não vacinado deu entrada no hospital e lhe transmitiu um vírus supostamente erradicado.

Existem um sem fim de vírus novos e esquisitos que não obedecem a tratamentos, um sem fim de bactérias resistentes a antibióticos, todos os dias morrem pessoas nos hospitais com infeções hospitalares o nome que dão a todos os vírus e bactérias que não conseguem combater, será que queremos juntar a estes os vírus que já conhecemos e que quase aniquilamos?

Compreendo que queiram proteger as crianças de químicos, mas o estudo de 1998 que o cirurgião Andrew Wakefield publicou na revista The Lancet que demonstrava uma pretensa causa-efeito entre a vacina tríplice (sarampo, papeira e rubéola) e o autismo foi considerado fraudulento, vão mesmo arriscar a vida dos vossos filhos por uma opinião desacreditada?

 

A única desculpa válida para não dar uma vacina gratuita é acreditar na seleção natural.

Nesse caso esses pais devem deixar de recorrer aos serviços de saúde, a medicamentos, a vitaminas, a tudo o que não seja natural, tudo isto alinhado a uma alimentação completamente biológica e porque não paleolítica, se é para fazer seleção natural é para fazer a sério.

10 comentários

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    Psicogata 19.04.2017 15:17

    Acho que é tudo uma questão de informação ou desinformação, as vacinas não são perfeitas mas previnem um mal maior.
    Se antes de se falar da não vacinação alguém me dissesse que tinha morrido uma pessoa com sarampo dificilmente acreditaria.
    Mas a verdade é que desde que esta corrente tem ganho adeptos os casos de morte acontecem :(
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    T. 19.04.2017 15:20

    Eu não sei ai no continente, mas aqui como o meio é pequeno, temos sempre o exemplo de alguem que morreu de....a minha mãe e o meu ai ja tiveram sarampo em pequenos..e quando nos nascemos quiseram dar-nos logo que puderam as vacinas porque sabia que ajudava a evitar...as pessoas deviam informar-se mais antes de dizerem não a uma coisa que não conhecem!
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    Psicogata 19.04.2017 15:25

    Os nossos pais têm memória de mortes por doenças diversas, a minha mãe fala muitas vezes da meningite, era o que ceifava a vida a mais crianças, mas quando fala dos tempos dos meus avós então o rol de doenças aumenta, morria-se de doenças que hoje se tratam em casa.
    O problema é a nossa geração que não tem memória disso e perdoem-me, mas muitas pessoas deixaram de vacinar por moda?, não vejo outra explicação, porque não são coerentes, não vacinam mas entopem os filhos com outras porcarias.
    Os pais que têm um estilo de vida naturalista, não sei se é assim que se chama ainda dou o benefício da dúvida, faz parte da sua forma de viver, agora por moda??
    Mas até a esses é preciso recordar que interferem com a vida dos outros.
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    T. 19.04.2017 15:28

    Sim, parece mesmo ser por moda! E os mais antigos não passam os conhecimentos que têm, e deviam, sei que Às vezes criticamos quem nos quer dar sermões mas realmente sabem mais que a juventude de hoje!
    E quando por causa de um, outras vidas são postas em causa, ainda me custa mais a assimilar!
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    Psicogata 19.04.2017 15:32

    Os meus irmãos que se lembrassem de dizer à minha mãe que não iriam vacinar os filhos, levavam sermão, missa cantada e um rol interminável de histórias de crianças mortas por sarampo, papeira...
    A verdade é que eles sabem mais do que nós, têm outra experiência.
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    T. 19.04.2017 15:34

    Têm uma experiência que acho que nunca terei igual...viveram um tempo completamente diferente dos dias de hoje! Tenho inveja deles!
    Eu sei que irei dar todas as vacinas ao meu bebe, mesmo que algum dia apanhe alguma doença, estou de consciência tranquila que ajudei no que podia...
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    Psicogata 19.04.2017 15:37

    São vivências diferentes, mas nós temos obrigação de fazer melhor, temos mais meios, mais informação.
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    T. 19.04.2017 15:39

    Não há desculpa, nos dias de hoje para não vacinarem os bebés, o que me assusta é que cada vez mais certas pessoas de "espirito aberto" acham que sabem mais e que não vacinar é o melhor...acho que vamos continuar a ouvir mais casos como este...
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    Psicogata 19.04.2017 15:44

    O problema são os exemplos, durante algum tempo pais que não vacinaram os filhos não os viram adoecer porque todos os que os rodeavam estavam vacinados, agora com cada vez mais crianças não vacinadas a situação complicou-se.
    Acredito que face ao aumento de casos muitas pessoas mudem de ideias.
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