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Língua Afiada

Voltemos às politiquices - Ministério falseou dados do SNS

Este não é um blog de política, não sou política, nem sequer tenho filiação política, nem tão pouco posso dizer que sou simpatizante de um partido político, estou ali ao centro na ideologia, mas sem definição.

Não sendo ativa na política não significa que não esteja atenta ao que me rodeia e ultimamente tem-me custado imenso assistir ao rumo que o país leva e à incapacidade das pessoas perceberem o que realmente se passa.

 

Posso também eu estar a ser iludida por artigos de opinião, notícias e estudos, duvido, mas não é impossível, não obstante parece-me que o povo é que tem sido constantemente engando pela propaganda idílica do PS, este Governo que para mim nasceu torto e, passando a expressão, pau que nasce torto jamais se endireita, nunca me inspirou confiança, mas permitiu ao país a tão almejada estabilidade e em tempos onde a estabilidade é palavra de ordem, foi do mal o menor.

 

Temos assistido ao aumento do nível de confiança dos portugueses, o país está a crescer e o défice a descer, o défice desce, não a dívida pública importa esclarecer. Houve realmente a devolução do rendimento aos portugueses, existirão no OE de Estado de 2018 mais medidas, em especial a alteração nos escalões de IRS que restituirá mais dinheiro aos contribuintes, no entanto, o motor do crescimento não se deu com base no aumento do consumo tal como previsto pelo Governo, mas ao aumento exponencial do Turismo que veio mesmo a calhar.

 

Para as restituições pensadas para os contribuintes existirão medidas aplicadas noutros sectores, aumentos de impostos diretos e indiretos para fazer face às novas despesas, o povo parece esquecer-se que para de dar de um lado tem de se ir buscar dinheiro a outro, é a regra básica das finanças, mas que todos parecem ignorar, pois aparentemente o país cresce e supostamente tem mais dinheiro.

 

O povo está feliz e contente porque supostamente a austeridade terminou e vivemos tempos de prosperidade, não sei quem acredita ser possível uma mudança tão drástica de cenário só porque mudou o partido do poder, o próprio António Costa admitiu não ter uma varinha mágica, então porque insiste o povo em acreditar que tem?

Já há alguns meses a esta parte que vem sendo dito que a austeridade não terminou, apenas foi redirecionada, pois existiram cortes e cativações no investimento em diversos ministérios.

 

Hoje, o Observador avança uma notícia deveras preocupante:

Acesso ao SNS “degradou-se” entre 2014 e 2016 e Ministério falseou dados sobre cirurgias, acusa Tribunal de Contas.

 

Em 2016, 2.605 doentes morreram à espera de cirurgia, dos quais 231 eram doentes oncológicos.

Em 2016, não só foi interrompida a emissão automática e regular de vales cirurgia, como foi privilegiada a sua substituição pela emissão de notas de transferência para unidades hospitalares do SNS (ao invés de hospitais do setor privado e social).

 

Esta opção teve efeitos negativos sobre os tempos de espera dos utentes, que poderiam ter visto a sua situação resolvida mais rapidamente se lhes tivesse sido dada a possibilidade de optarem por uma unidade hospitalar do setor social ou privado, através da emissão atempada de um vale cirurgia”, lê-se no relatório divulgado esta terça-feira, que revela o aumento do tempo médio de espera dos utentes transferidos: de 259 dias em 2014 para 300 dias em 2016.

Mas o Tribunal de Contas vai mais além na análise e deixa ainda uma crítica ao Ministério da Saúde que, via Administração Central do Sistema de Saúde, em 2016, limpou as listas de espera para primeiras consultas de especialidade nos hospitais e, nesse exercício, eliminou administrativamente “pedidos com elevada antiguidade, falseando os indicadores de desempenho reportados”. Daí que, na lista de recomendações, haja uma referência a esta matéria, pedindo-se que a ACSS “não adote procedimentos administrativos que resultem na diminuição artificial das listas e dos tempos de espera”.

 

Não há austeridade mas morrem pessoas por falta de cirurgia, temos dados falseados e irreais, mas andamos contentes, isso é o mais importante.

Algumas vozes têm-se erguido também sobre a falsidade dos dados do desemprego, se os dados da dívida pública e do SNS têm sido manipulados e transmitidos da forma mais conveniente, quem nos garante que todos os outros não sejam também tendenciosos e falseados?

 

Encontro cada vez mais semelhanças entre o que se passa hoje e o que passou antes do resgate financeiro, preocupa-me que nos estejamos a precipitar para uma crise muito mais profunda e com consequências muito mais duradouras do que anterior. Nada que não soubesse, todos os especialistas vaticinam uma nova crise, o que preocupa é a manipulação da informação e até da comunicação social.

Manuela Moura Guedes foi afastada de TVI assim que usou questionar José Sócrates, não há dúvidas que este manteve um controle da informação durante os seus Governos, estaremos perante uma segunda vaga de informação habilidosamente manipulada?

Talvez Costa não tenha uma varinha mágica, mas sim uma calculadora e uma impressora mágicas.

5 comentários

  • Sem imagem de perfil

    José 21.10.2017 12:15

    "Verão de 2015", "Dezembro de 2011", "14 de Maio de 2015", "21 de Outubro de 2015", estas são datas que refere no seu "post". Incrível, algumas pessoas dirão que o governo actual é tão mau que até nessas datas fazia mal às pessoas.
    Bfsemana.
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    Anónimo 21.10.2017 15:43

    O ponto é que o governo actual (também) fecha os olhos aos problemas e falseia os dados em nome de resultados. São eles os únicos com "rédeas" para fazer o que quer que seja, independentemente de quem é o autor da aldrabice... mas escolhem ignorar e não fazer nada. E, como hoje sabemos da pior forma, os antigos malabarismos de secretaria já evoluíram para a perda de vidas humanas (em várias frentes).

    Mas vá, é melhor ficarmos pelas politiquices do "é esquerda"/"é direita"/"são os nossos"/"a culpa é dos outros", caso contrário íamos obriga-los a efectivamente fazer alguma coisa.
  • Sem imagem de perfil

    José 27.10.2017 12:29

    Caro comentador, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Todo o governo tem a obrigação de resolver os problemas que existem e não tem que se preocupar de saber desde quando existem nem quem os causou - de uma forma geral. Outra coisa é acusar um governo de coisas que foram da responsabilidade de anteriores.

    “Acesso ao SNS “degradou-se” entre 2014 e 2016 e Ministério falseou dados sobre cirurgias, acusa Tribunal de Contas”.

    Muita saúde.
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    Psicogata 27.10.2017 14:05

    Apontar o dedo a este Governo não é sinónimo de ilibar o anterior.
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